A recupeação de leões e violetas

Quantas vezes um time que está em má fase chega em um clássico, vence e consegue sair da crise? Nas últimas rodadas dos campeonatos austríaco e suíço, aconteceu algo parecido. Áustria Viena e FC Zürich, cotados no início dos campeonatos como candidatos, sim, ao título, mas muito mais pela tradição do que realmente pela força, foram humilhados pelos rivais e atuais campeões nos dérbis regionais, mas encontraram justamente na derrota a motivação para se recomporem e brigarem pela ponta.
Se ambos não lideram com campanhas perfeitas, ao menos têm sido bastante consistentes e já ameaçam a antes aparentemente tranqüila vida dos favoritos Rapid (na Áustria) e FC Basel (na Suíça). E como os últimos resultados tem sido bastante animadores, já não é pecado sonhar com leões e violetas – ao invés das mesmas bandeiras verdes, azuis e vermelhas – para a próxima primavera.
Violetas também florescem no outono
Nem parece que há pouco mais de um mês Karl Daxbacher balançava no cargo. A derrota no dérbi vienense por 3 a 0 na sétima rodada foi o primeiro (e único) revés do Áustria Viena na Bundesliga. Os Veilchen podem ter perdido uma grande oportunidade de abrir vantagem no final de semana, quando empataram sem gols em casa com o vice-lanterna Kapfenberg, mas desde o clássico foram quatro vitórias consecutivas.
Os incidentes no Gerhard Hanappi Stadion, quando torcedores do Áustria atiraram um rojão no goleiro George Koch, que saiu de campo direto para o hospital e ainda não retornou aos treinos. Multa de 10 mil euros à parte, o incidente aproximou o grupo, que divulgou um manifesto pedindo paz entre as torcidas.
A principal diferença da equipe foi encontra o jogo pelas pontas: Emin Sulimani ganhou a briga com Thomas Krammer pela titularidade na meia-direita. O time passou a fluir mais e até Acimovic, pela meia-esquerda, melhorou seu rendimento. Os dois esternos, inclusive, foram decisivos nas vitórias recentes sobre SCR Altach e Áustria Kärnten.
Por pouco os violetas não aproveitaram o bom momento e garantiram uma vaga na fase de grupos da Copa da Uefa. Após uma difícil vitória em casa sobre o Lech Póznan, da Polônia, o time acabou derrotado fora de casa por 4 a 2, levando dois gols na prorrogação. Resta saber se a eliminação até certo ponto inesperada não será negativa para o moral da equipe.
Filhotes, mas com rugido alto
Do outro lado das montanhas e teleféricos, a festa também parece acontecer na casa errada. Mais precisamente cem quilômetros a leste da Basiléia, onde se esperava que morassem os líderes: com a vitória sobre o lanterna FC Luzern e o empate entre Grasshoppers e FC Basel, o FC Zürich assumiu a ponta pela primeira vez desde setembro do ano passado (tudo bem que com os mesmos 25 pontos, mas ainda assim digno de mérito).
Da mesma forma que o Áustria Viena, os leões azuis deram a guinada após serem derrotados pelos rivais. Os incríveis 4 a 1 impostos pelos atuais campeões em pleno Letzigrund Stadion colocou cinco pontos de diferença entre as duas equipes e parecia confirmar o abismo de qualidade que havia entre o abastado elenco dos Rotblaus e o renovado time dirigido por Bernard Challandes. A goleada, entretanto, não abalou o prestígio do ex-técnico das seleção sub-21 suíça, que continuou apostando nos garotos.
A primeira atitude foi arrumar a defesa, então a pior com dez gols sofridos em seis partidas. Ele deslocou o já experiente Florian Stahel (aos 23 anos, foi bicampeão em 2005/06 e 2006/07) para a lateral-direita e deu um voto de confiança ao jovem zagueiro Heinz Barmettler, de 21 anos, formando a nova dupla de zaga com o capitão Hannu Tihinen, mais experiente do elenco e único a ter acima de 30 anos. De lá para cá, o Zürich só sofreu dois gols em cinco rodadas pela Super League.
Arrumada a cozinha, Challandes alterou os meias abertos de seu 4-2-3-1. o sueco Dusan Djuríc saiu da esquerda para a direita e o jovem Adrian Nicki, de 18 anos, deu lugar ao rápido francês Alexandre Alphonse, que deu mais velocidade ao ataque. Resultado: cinco vitórias consecutivas, todas com no mínimo três gols marcados. Contra o Vaduz, fora de casa, a maior goleada de todo o campeonato: 7 a 1, com gols de Djuríc, Alphonse, Stahel e dois do centroavante Eric Hassli e outros dois do meia Almen Abdi.
O playmaker de 21 anos nascido em Kosovo é um caso à parte. Autor do gol solo no vexame da sexta rodada, marcou mais quatro vezes desde então para ultrapassar o romeno Cristian Ianu do FC Aarau e se isolar na artilharia da Super League, com sete gols. As boas atuações já lhe renderam as primeiras convocações para a seleção suíça e sua escalação como titular é o pedido que Ottmar Hitzfeld mas ouve nas ruas e em entrevistas, especialmente após o início pífio de Eliminatórias.
Nem mesmo as duas derrotas para o Milan na Copa da Uefa tiraram o ânimo da equipe, afinal a sensação deixada foi muito mais de ter sido um adversário digno do que um simples sparring. Impressão contrária da deixada até aqui pelo Basel na Liga dos Campeões, rumo à uma campanha pífia. E se os leõezinhos de Challandes aproveitarem estas próximas semanas e não pensarem apenas na revanche daqui a quatro rodadas, podem rugir muito mais alto do que imaginavam ao final do campeonato.
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