Europa

A maldição dos playoffs

Desde que os playoffs foram instituídos na Super League, é sempre a mesma coisa. O segundo colocado sai com uma boa vantagem de pontos em relação aos concorrentes, mas acaba ficando pelo caminho. Ainda que tenha feito melhor campanha que os rivais na temporada regular, a perda do título parece desmotivar a equipe na busca por uma vaga nas fases preliminares da Champions League. O Panathinaikos parece seguir por este caminho neste ano.

Nas três vezes anteriores que os playoffs foram disputados, o segundo melhor time da liga foi engolido pela concorrência. O primeiro a provar o revés foi o AEK em 2007-08, que começou o quadrangular com oito pontos, mas acabou engolido pelo Panathinaikos, que largou com um ponto a menos. No ano seguinte, foi a vez do PAOK, que também foi superado pelo Panathinaikos. Já na temporada passada, o Olympiacos foi quem pagou o pato. O clube deixou de ir a sua 13ª Liga dos Campeões consecutiva ao fazer apenas quatro dos dezoito pontos possíveis e segurar a lanterna nos playoffs.

Desta vez, a vantagem do Panathinaikos para os adversários foi de três pontos, enquanto o AEK, outro beneficiado, ganhava apenas um ponto por antecipação. E tudo levava a crer que os Prasinoi iriam sobrar no quadrangular. Afinal, somente na temporada regular, foram dez pontos a mais que o terceiro colocado. Com um elenco bem mais estrelado que os rivais, o clube ainda mantinha a base do time campeão nacional em 2009-10. Toda a teoria, no entanto, naufragou já na primeira rodada desta fase decisiva.

A partida contra o PAOK em Tessalônica, logicamente, era uma parada indigesta, mas se esperava um comportamento melhor do Trifylli em campo. Com seus principais jogadores à disposição, o técnico Jesualdo Ferreira não conseguiu levar a equipe ateniense à vitória. Durante o primeiro tempo, o Panathinaikos teve as melhores chances, na maior parte das vezes em jogadas de velocidade, mas não conseguiu marcar. Já na segunda etapa, a defesa, que se mostrou frágil durante toda a temporada, mais uma vez deu bobeira e deixou com que o time da casa abrisse 2 a 0. A onze minutos do fim, Cissé descontou, mas o PAOK esteve mais perto de ampliar do que os Prasinoi de empatarem.

A segunda rodada previa-se um pouco melhor, já que o Panathinaikos costuma sair com a vitória jogando em casa – ao longo da temporada regular, o time perdeu apenas uma no Estádio Olímpico. Contudo, antes mesmo de a bola rolar, já era possível perceber a falta de incentivo nas arquibancadas. Com média de 17 mil torcedores por jogo, o time só atraiu 8 mil para o clássico contra o AEK. E já aos dois minutos foi possível observar os problemas, com Leonardo recebendo sozinho dentro da área para abrir o placar.

O Panathinaikos só viria a chegar ao empate com um gol contra de Blanco. No restante do jogo, o time da casa até teve um número maior de chances, mas as mais claras foram do AEK. Ainda no primeiro tempo, os Dikefalos colocaram uma bola na trave. E nos minutos finais, Kafes perdeu um gol dado na pequena área.

O alerta definitivo veio na terceira rodada, contra o Olympiakos Volos, teoricamente o rival mais fraco na disputa. Os Erythrolefki tiveram muito mais volume de jogo ao longo da partida, mas foi Leto, em um frango do goleiro, quem abriu o placar para o Panathinaikos. Entretanto, bastaram duas bolas alçadas na área para que o Volos virasse a partida e terminasse com os três pontos.

O reencontro com a vitória aconteceu na última rodada, no jogo de volto contra o Olympiakos Volos em Atenas. Finalmente uma partida convincente, ganha por 3 a 0. Graças aos pontos dados no início dos playoffs, o Panathinaikos volta a ter chances na disputa pela vaga na Champions. São sete pontos, contra oito do AEK e nove do PAOK. Nas duas rodadas restantes, os Prasinoi encaram o PAOK no Estádio Olímpico de Atenas e encerram a participação em novo clássico contra o AEK, agora com mando de campo para os rivais. Confrontos diretos com os adversários que continuam na briga – o Olympiakos Volos não possui mais chances – e que podem ser essenciais em uma arrancada final.

De qualquer forma, mesmo com a vaga na Champions, o Panathinaikos deve abrir os olhos para a próxima temporada. Os vícios repetidos pela equipe nos últimos meses não foram corrigidos por Jesualdo Ferreira. Ainda há uma dependência exagerada na inspiração de Djibril Cissé, que marcou ou deu a assistência em 33 dos 59 gols do clube na temporada – nada menos que 55% do total. E o pior de tudo é que o francês já anunciou que não continua no clube a partir de julho. Vai ser difícil encontrar algum jogador que supra a sua ausência.

Além disso, há outros setores a se acertar. A defesa mantém a insegurança e a lentidão vista desde os primeiros jogos da temporada. A média de gols sofridos é superior a um tento por partida – 50 em 42 jogos. Já o meio-campo é baseado em jogadores como Gilberto Silva, Katsouranis, Karagounis e Luís Garcia, todos acima dos 30 anos de idade e que trazem poucas perspectivas em médio prazo para um elenco que, por sinal, é o mais envelhecido da Super League.

Assim como para todos os outros clubes do país, uma possível classificação à fase de grupos da Liga dos Campeões serve para dar tranqüilidade em tempos de crise, ainda mais com a perda de fôlego financeiro dos donos do clube. Nem isso, porém, parece animar a torcida, que registrou números ainda piores na segunda rodada em casa dos playoffs, com pouco mais de quatro mil ingressos vendidos para a partida.

Enquanto isso, PAOK e AEK vêm bem mais “leves” para as duas últimas rodadas do quadrangular. O time de Tessalônica, além do apoio massivo de uma torcida apaixonada, conta com a experiência de ter superado o Olympiacos na temporada passada e surpreendido nos próprios playoffs. Já os Dikefalos, apesar de não registrarem públicos tão bons, seguem bem menos pressionados após a quebra do jejum de títulos com a conquista da Copa Grécia. As possibilidades existem, mas vai ser difícil de o Panathinaikos quebrar a “maldição dos playoffs” ainda nesta temporada.

Eles continuam resolvendo

Como já estava indicado, o título do Campeonato Turco deste ano só se decidirá na última rodada da competição. No final de semana passado, Fenerbahçe e Trabzonspor mantiveram a sequência de vitórias, desta vez sem grandes dificuldades. E os personagens apontados por esta coluna na última quarta, mais uma vez, foram imprescindíveis para as suas equipes. Alex liderou o Fener marcando cinco gols na vitória por 6 a 0 sobre o Ankaragükü. Pelo lado do Trabzonspor, Burak Yilmaz balançou as redes uma vez no êxito por 3 a 1 ante o Istanbul BB.

No encontro decisivo, ambos os times jogam longe de seus domínios. A se analisar a campanha de seus adversários, no entanto, o Fenerbahçe possui uma vantagem considerável. Os Sari Kanaryalar enfrentam o Sivasspor, décimo quinto colocado. Ao longo da temporada, o Sivasspor perdeu somente três partidas em casa. No encontro entre as equipes no primeiro turno, vitória do Fener por 1 a 0. O Trabzonspor, por sua vez, pega o oitavo colocado Karabukspor, que perdeu cinco em seus domínios até aqui. Ao fim do primeiro turno, a Karadeniz Firtinasi venceu por 3 a 0.

A possibilidade de ambas as equipes vencerem seus jogos e continuarem empatadas em pontos é grande. O Fenerbahçe, contudo, possui sete gols de superioridade no saldo e com um triunfo pelo placar mínimo praticamente garante o título. Ao Trabzonspor, o que resta é a esperança de ao menos um empate, além da lembrança da última rodada da temporada passada. Naquela ocasião, o próprio clube foi quem estragou a festa do Fener e, empatando em Istambul, ajudou o Bursaspor na conquista da Süper Lig.

Valeu o investimento?

Foi uma vitória sofrida, nos pênaltis, mas a tão esperada taça veio. Na final da Copa da Turquia, Besiktas e Istanbul BB empataram por 2 a 2 no tempo normal e apenas nos pênaltis é que os Kara Kartallar confirmaram a conquista. Título este que ao menos serve para justificar parte dos 13,1 milhões de euros gastos nesta temporada na contratação de jogadores como Quaresma, Guti, Simão e Hugo Almeida.

Como já foi dito semanas atrás neste mesmo espaço, a vaga na Liga Europa do ano que vem dá uma diretriz ao clube com mais dinheiro em caixa na Turquia. Depois de uma campanha apenas razoável na Süper Lig – não passam do quinto lugar – o time deve manter a motivação de boa parte de seu elenco para brigar pelo título nacional e por uma campanha histórica na competição continental. Para tanto, ainda falta o encaixe de tantas estrelas na equipe e o técnico Tayfur Havutcu, ao que tudo indica, não ficará no comando até lá. Além da procura por um treinador de renome, a classificação na Liga Europa dá carta branca para mais gastos – as especulações sobre Forlán confirmam isto.

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Equipe Trivela

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