Futebol europeu

A eficiência é a mesma (os jogadores também)

Podem reclamar o quanto quiserem. A Grécia está na garantida na Eurocopa de 2012. O futebol não é dos mais vistosos de se assistir, falta qualidade técnica em boa parte dos jogadores e o time é envelhecido. Mas não se pode negar a eficiência do jogo praticado pelos gregos. Não fosse assim, os helênicos dificilmente chegariam à liderança do Grupo F das eliminatórias, superando a sempre bem estimada Croácia.

Dado mais impressionante ainda é o retrospecto da seleção ao longo do último ano. Se Otto Rehhagel transformava o elenco comum em vencedor, Fernando Santos parece ter potencializado ainda mais esta característica desde que chegou ao comando técnico. O português ainda não perdeu à frente da equipe. O último revés do time foi exatamente contra a Argentina, no jogo que encerrou a participação do país na Copa do Mundo de 2010. Desde então, são 16 partidas, com dez vitórias e seis empates.

Nenhum dos adversários, é verdade, compõe o grupo de grandes forças do futebol internacional. Além da Croácia, principal rival nas eliminatórias, a Grécia fez amistosos contra equipes do segundo escalão do futebol mundial. Venceu Sérvia, Áustria e Canadá, empatou com Polônia, Equador e Bósnia. Nenhum resultado que gere grandes expectativas, mas nada a se menosprezar.

Já a classificação para a Euro veio de maneira épica. A “final” aconteceu na penúltima rodada, ante os croatas. O encontro já começou em clima de tensão, com a torcida visitante  fazendo as arquibancadas do estádio em Pireu se incendiarem. Depois de alguns minutos parado, o jogo recomeçou. E se viu em campo mais cartões amarelos do que chances claras de gol. Depois de a Croácia encerrar o primeiro tempo melhor, os gregos deram a resposta no segundo tempo, em dois gols criados após cobrança de escanteio. No primeiro, Samaras aproveitou rebote para bater de primeira. Logo depois, Gekas cabeceou para as redes, deixando sua marca no retorno à seleção, após repensar a aposentadoria.

Na rodada final, os helênicos dependiam apenas de um empate. E a Geórgia, que já tinha impedido a vitória grega na estreia, engrossou novamente. Targamadze abriu o placar e o goleiro Nukri Revishvili pegou tudo até Giorgios Fotakis finalmente quebrar o bloqueio dos anfitriões, aos 34 do segundo tempo. O atacante chutou de longe e ainda contou com um desvio para vencer Revishvili. Cinco minutos depois, Angelos Charisteas (sempre ele) apareceu para sacramentar o resultado. A partida, aliás, também marcou o retorno do camisa 9, que não era convocado desde o Mundial da África do Sul.

E é com essa base envelhecida que Fernando Santos deve seguir para a Eurocopa do ano que vem. Sem deixar de ter a sua dose de razão. A situação da Grécia é bem diferente de Brasil ou Argentina, onde a qualidade do material humano deu espaço aos pedidos de renovação após a Copa de 2010. O português, por sua vez, só abriu mão de quem realmente abdicou da seleção. Ainda que Karagounis, Katsouranis e outros veteranos não vivessem seu esplendor, Santos preferiu confiar na base já firmada com Rehhagel. E, neste primeiro ano de trabalho, tem dado certo.

Logicamente, o elenco grego permite pensar mais no momento e traz pouquíssimas perspectivas para um futuro a longo prazo. A maioria dos jogadores ainda consegue se segurar até as eliminatórias da Copa de 2014 e, quem sabe, apareça nos estádios do Brasil. Karagounis terá 37 anos, Katsouranis fará 35 durante o Mundial e tanto outros, como Gekas, Salpingidis, Charisteas, Vyntra e Tzorvas, terão passados dos 32. Se chegarem até lá, os helênicos configurarão a maior média de idade do torneio.

Quanto ao futuro, ele deve mesmo ser liderado pelas gerações nascidas entre 1984 e 1988. Dela sairão os protagonistas que colocarão um ponto final na trajetória dos campeões da Euro 2004. A defesa e o ataque, com Sokratis Papastathopoulos, Vasilis Torosidis, Avraam Papadopoulos, Giorgos Samaras e Kostas Mitroglou, não devem sofrer grandes mudanças. O grande problema fica mesmo para o meio-campo, onde apenas Alexandros Tziolis desponta entre os atletas com essa faixa etária.

O setor só deve ter algumas opções de mais qualidade quando Sotiris Ninis (que fica parado até janeiro de 2012 por lesão no joelho) e Ioannis Fetfatzidis deixarem de ser promessas e se transformarem em realidade. Os dois, ao lado de Kyriakos Papadopoulos, encabeçam a geração de nascidos após 1990, o tal longo prazo que ainda parece distante demais aos gregos. E enquanto o amadurecimento não acontece, os veteranos é que continuam dando as cartas no time de Fernando Santos.

Que venha a Croácia e voltem as boas lembranças

Já a Turquia, pela situação na qual estava para estas duas últimas rodadas, fez o que era esperado pela torcida. Com a Alemanha sobrando na liderança do Grupo A, a expectativa era a de que os turcos ao menos continuassem à frente da Bélgica na segunda posição. E foi exatamente o que aconteceu, após os dois concorrentes perderem para os alemães e fazerem o dever contra equipes fracas do leste.

Na penúltima rodada, a seleção turca foi inoperante diante do poderio alemão, mesmo jogando em Istambul. O time da casa teve as melhores chances de abrir o placar, mas não aproveitou. E o Nationalelf, depois que saiu na frente, não deixou mais os adversários buscarem a diferença. O único gol da Turquia, quando o jogo já estava 2 a 0, saiu em um momento de total desatenção da defesa alemã. Nada suficiente. Enquanto isso, os belgas sobraram contra o fraco Cazaquistão e passaram à vice-liderança da chave.

Por fim, os turcos ao menos contaram com uma retribuição dos alemães na última rodada, após vitória do time de Joachim Löw sobre a Bélgica pelos mesmos 3 a 1. E os comandados de Guus Hiddink, que dependiam do resultado em casa contra o Azerbaijão, sofreram para fazê-lo. Não que os adversários tenham assustado. Mas, apesar do domínio da partida e do time armado ofensivamente, a Turquia venceu apenas por 1 a 0. Gol anotado apenas no segundo tempo, por Burak Yilmaz, que mais uma vez demonstrou a sua capacidade goleadora nos momentos decisivos, agora com a camisa da seleção.

O próximo passo rumo à Polônia e à Ucrânia é a repescagem. E o histórico da Turquia em playoffs eliminatórios da Euro conta com uma vitória e uma derrota. Em 2000, o empate por 1 a 1 em Dublin e outro por 0 a 0 em Bursa foram suficientes para cravar a eliminação da Irlanda. Já em 2004, a situação foi mais dramática, principalmente depois da derrota por 1 a 0 para a Letônia em Riga. Na volta, em Istambul, os turcos conseguiram abrir 2 a 0 no placar, mas sofreram o empate no segundo tempo e ficaram de fora na fase final. Verpakovskis, autor de dois dos três gols letões, ainda causa pesadelos.

Colocada no segundo pote do sorteio, a Turquia terá um adversário de mais peso do que nas outras repescagens: a Croácia, que, como dito acima, ficou na segunda posição do grupo dos gregos. Elenco por elenco, os croatas têm mais experiência internacional, além de Luka Modric, cuja qualidade técnica nenhum jogador turco consegue equiparar. E se os resultados recentes da seleção da Turquia não são tão bons assim, os croatas ao menos tranquilizam nesta parte, já que suas últimas partidas também não foram magníficas.

A aposta de Hiddink para os próximos dois confrontos deve recair principalmente no meio-campo, onde o time possui os jogadores mais talentosos, mas aquém do esperado. Selçuk Inan, que saiu do banco contra o Azerbaijão e mudou o panorama do jogo contra o Azerbaijão, é uma boa alternativa.

O encontro entre turcos e croatas, aliás, resgata um dos jogos mais épicos da Euro 2008. Para quem não se lembra, os dois países se enfrentaram pelas quartas de final do torneio. Após empate tenso no tempo normal, a partida seguiu para prorrogação. E a Croácia comemorou como um título o gol anotado por Klasnic aos 13 minutos do tempo extra, que garantia a vaga nas semifinais. Nos acréscimos, entretanto, Semih Senturk igualou e os turcos se deram melhor na disputa por pênaltis, vencendo por 3 a 1. Agora, a expectativa é a de que as boas lembranças de três anos atrás influenciem também esta repescagem.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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