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O golaço de Bradley e o Azteca ensurdecedor engrandeceram um México x EUA em chamas

México e Estados Unidos fazem um clássico ardente, que independe das fases dos times para pegar fogo. No entanto, as chamas se alastram com maior facilidade quando o momento pode ser decisivo, às vésperas da Copa do Mundo. Os mexicanos entraram em campo querendo afundar os ianques rumo à repescagem das Eliminatórias. Os americanos, por outro lado, atravessaram a fronteira para tentar quebrar o embalo dos vizinhos e continuar ascendendo na tabela. Ao final, o empate por 1 a 1 acabou sendo o mais justo, em 90 minutos pulsantes, dentro de um ensurdecedor Estádio Azteca. Jogo memorável, por tudo o que aconteceu.

A noite especial se abriu logo aos cinco minutos de jogo. A partir de uma bola roubada, Michael Bradley anotou um dos gols mais bonitos da história do clássico. Partiu em velocidade e deu um toque cheio de categoria, da intermediária, para encobrir Guillermo Ochoa. Vantagem surpreendente do US Team, mas que não duraria até o intervalo. Logo o México tomaria a iniciativa e passaria a criar mais chances. O gol insistia em não sair. Até que Carlos Vela chamou a responsabilidade e acertou um chute rasante da entrada da área, que Brad Guzan aceitou. Fez as arquibancadas explodirem no grito de gol, logo depois acompanhado pelo clássico ‘Cielito Lindo’.

O segundo tempo seguiu emocionante, com duas equipes valentes, buscando o resultado. E o placar só não se movimentou por culpa da trave. Quase saíram dois golaços. Primeiro, Héctor Herrera ficou a centímetros da virada, em pancada cobrando falta que estalou o travessão e bateu no gramado antes de sair. Minutos depois, seria a vez de Bradley aparecer de novo. Queria anotar mais uma pintura, em belíssimo chute do meio da rua. Desta vez, não conseguiu ser tão feliz, triscando o poste. Nada que alterasse o resultado final.

No fim das contas, as duas seleções saíram satisfeitas com o resultado. Os mexicanos recobraram o prejuízo e permanecem soberanos no hexagonal final das Eliminatórias na Concacaf, com seis pontos de vantagem na liderança – a depender do resultado da Costa Rica, que recebe Trinidad & Tobago na próxima terça. Já os americanos correm o risco de perder a terceira posição para o Panamá, mas não negam a altivez por terem jogado de igual com os rivais no Azteca, onde costumam sofrer. A melhora do time desde o retorno de Bruce Arena é inegável, dando esperanças de uma classificação mais tranquila ao Mundial do que se apontava com Jürgen Klinsmann. Postura impetuosa que proporcionou o jogaço deste domingo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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