MLS

Sem emplacar nos seis meses de Lyon, Shaqiri deixa o futebol europeu e vai atuar no Chicago Fire

Shaqiri parecia ser um bom negócio para o Lyon, mas não conseguiu se firmar e pelo menos rende um lucro com sua venda

Quando Xherdan Shaqiri se transferiu ao Lyon no início da atual temporada, parecia fazer um movimento inteligente. O ponta viveu uma boa temporada com o Liverpool em 2018/19, mas seu espaço se limitou em Anfield durante os últimos dois anos. Ganhar um respiro num clube de exigências menores e numa liga menos competitiva era favorável. Porém, o suíço teve raros momentos de brilho com os Gones e acaba vendido seis meses depois. Nesta quarta-feira, o Chicago Fire anunciou a contratação do jogador de 30 anos. O Lyon ainda conseguiu fazer dinheiro, com uma venda avaliada em €7,3 milhões, após desembolsar €6 milhões pela compra em agosto.

Shaqiri nunca se transformou no talento que um dia apontou nos tempos de Basel. O ponta virou protagonista da seleção da Suíça e acumulou títulos importantes, especialmente no Bayern de Munique e no Liverpool, mas como um coadjuvante – quase sempre saindo do banco. Também teve uma passagem curta e esquecida pela Internazionale, além de três temporadas com o Stoke City que valeram um pouco de seu moral na Premier League antes de desembarcar em Anfield. Mas não foi um jogador que arrebentou nas maiores chances de sua carreira.

O Lyon parecia um destino mais condizente à sua carreira e garantiria mais oportunidades como titular. O que não aconteceu na prática. Em quase seis meses na França, o suíço disputou somente 16 partidas. Foram oito jogos em que sequer saiu do banco e três nos quais entrou no segundo tempo. Não era produtivo o suficiente. Um ponto de virada até se tornou possível em fevereiro, com a grande atuação do ponta contra o Olympique de Marseille. Num duelo de suma importância ao Lyon, Shaqiri marcou um gol e deu uma assistência para possibilitar a virada por 2 a 1. Foi sua melhor exibição na França. No fim, virou uma despedida, diante das conversas com o Chicago Fire.

Na MLS, Shaqiri tem condições de se transformar num dos principais jogadores da liga. Talento nunca foi muito o seu problema. A questão vai ser o seu comprometimento, num ambiente claramente menos competitivo. Se nem mesmo nas ligas mais importantes ele conseguiu emplacar, talvez isso se torne um problema nos Estados Unidos, por sua motivação. O ponta ainda admite o declínio de sua trajetória, por mais que isso não deva comprometer necessariamente seu peso na seleção suíça em curto prazo. Não parece um movimento suficiente para tirá-lo da Copa do Mundo de 2022, por exemplo.

O Chicago Fire possui seu histórico de contratar medalhões. Bastian Schweinsteiger foi nome mais famoso que passou por Illinois, embora já viesse num momento modesto da carreira e seu impacto tenha sido limitado – mesmo como o MVP do time em 2018. Cuauhtémoc Blanco, Freddie Ljungberg, Arne Friedrich, Pavel Pardo e Pablo Wanchope foram outros figurões com nível internacional que desembarcaram em Chicago já depois dos 30 anos. Shaqiri é aquele com idade mais favorável para render em bom nível por mais tempo e, não à toa, se torna a contratação recorde do clube.

É ver o quanto Shaqiri consegue beneficiar o Chicago Fire, que não vem de uma boa temporada. A equipe não disputou os playoffs na MLS 2021, ao terminar no 12° lugar (o antepenúltimo) da Conferência Leste. Foram 14 pontos de distância em relação à zona de classificação. O time figurou nos mata-matas apenas uma vez nas últimas nove temporadas, e ainda assim caiu logo na primeira fase em 2017. Lá se vão 13 anos sem pintar sequer nas semifinais de conferência.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo