MLS

Rivais, Seattle Sounders e Portland Timbers se unem contra proibição de símbolo antifascista na MLS

Os rivais Portland Timbers e Seattle Sounders se enfrentaram nesta sexta-feira (23), pela MLS, e os visitantes Sounders saíram com a vitória por 2 a 1. Mas o mais importante do duelo esteve além do lance a lance. O confronto foi marcado por protestos – de jogadores e torcida – contra a proibição da Major League Soccer de um símbolo antifascista comumente usado por torcedores dos Timbers.

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Antes do apito inicial, os titulares de Timbers e Sounders colocaram-se lado a lado para se posicionar contra o fascismo e o racismo, oferecendo aos torcedores um vital apoio. Nas arquibancadas, três grupos independentes das duas torcidas, Timbers Army, Emerald City Supporters e Gorilla FC, cumpriram sua promessa e passaram os 33 primeiros minutos do jogo em silêncio.

O número é uma referência a 1933, ano em que a organização paramilitar antinazista Frente de Ferro foi desmantelada na Alemanha. E tudo se entrelaça no protesto desta sexta-feira por meio do símbolo desta organização: três flechas apontando para baixo e à esquerda. O emblema é usado como representação antifascista pelos torcedores do Portland Timbers.

O novo código de conduta da MLS estabelece que são proibidas manifestações que defendam uma organização política, um candidato ou uma política/legislação. Entretanto, reforça que tem valores de direitos humanos e inclusão e que é favorável a manifestações antirracismo e antifascismo.

Símbolo da Frente de Ferro

Então o que motivou a proibição do símbolo da Frente de Ferro?

A MLS entende que o emblema está associado ao movimento Antifa, que a liga vê como um grupo político descentralizado. Os torcedores rebatem e afirmam que Antifa se trata simplesmente de ser contra o fascismo, o que seria permitido – e até endossado pela liga.

Um dos grupos envolvidos na briga contra o novo código de conduta, o Timbers Army cobra a remoção do termo “político” da nova legislação, por julgá-lo muito arbitrário, pede a permissão novamente do símbolo da Frente de Ferro e que um novo código de conduta seja feito, levando em conta as opiniões de torcedores, comunidades marginalizadas e ativistas de direitos humanos.

O grupo diz ainda que a nova decisão da MLS abriu espaço para que supremacistas brancos começassem a sair da toca. “Você basicamente dá um sinal a outras pessoas de que tem mais espaço para elas, e o espaço seguro que criamos se torna menos seguro”, disse Sheba Rawson, presidente do conselho do Timbers Army.

Um grupo de torcedores do Seattle Sounders, o Emerald City Supporters, se deparou com supremacistas brancos os confrontando no bar em que costumam curtir o pré-jogo, e, embora manifestações a favor de políticos sejam proibidas, uma bandeira de campanha para Donald Trump foi vista no Providence Park.

A briga parece longe de ter uma solução, justamente pelo tanto de interpretações possíveis que podem ser feitas a partir do novo da MLS. E torcedores e clubes parecem estar unidos, ao menos em torno da disputa que envolve os dois rivais de Seattle e Portland. Enquanto isso, a ameaça de que os protestos de silêncio continuem joga pressão na liga, considerando que se tratam justamente dos grupos que criam a atmosfera das arquibancadas da MLS.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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