A Major League Soccer tem cada vez mais deixado para trás a contratação de veteranos famosos para apostar em jovens, especialmente sul-americanos. Como Brenner, o novo atacante do Cincinnati. Um de seus clubes, o Orlando City, foi na contramão dessa nova política. Mas também não contratou um veterano. E nem um jovem. Alexandre Pato, afinal, sempre foi um caso .

Segundo comunicado oficial do clube norte-americano, Pato assinou contrato de um ano. Não há informação oficial sobre o status da inscrição do atacante, porém, de acordo com o jornal local Orlando Sentinel, o brasileiro não deverá ocupar uma das vagas de jogador designado na MLS.

Especial quando surgiu como garoto-prodígio do Internacional e seguiu cumprindo as suas promessas pelo Milan. Retornou ao Brasil antes do que se imaginava e foi especial também como sua carreira começou a desandar tão cedo, curiosamente no momento em que seu físico não era mais afetado por tantas lesões.

Acabou se tornando, com justiça ou não, um jogador taxado de desinteressado, sem sangue, meio nem aí para o que está acontecendo. Logo, se for necessário escolher um dos perfis citados no primeiro parágrafo, está mais próximo do veterano em decadência, embora tenha apenas 31 anos.

Pato voltou ao São Paulo em março de 2019, após dois anos na China que já haviam sinalizado que ele não fazia questão de se manter em um nível super competitivo. Foi ao Tianjin Tianhai no momento em que começava a se assentar pelo Villarreal, a sua melhor passagem pela Europa desde o Milan – e única, se a gente desconsiderar os cinco minutos que ele passou defendendo o Chelsea (sendo literal, foram 131).

O retorno ao São Paulo foi ruim. Jogou apenas 35 vezes e marcou nove gols. Mal era relacionado por Fernando Diniz quando rescindiu contrato em agosto. Entrou em apenas dois jogos depois da paralisação por causa da pandemia e estava sem trampo até acertar com o clube que estreou na MLS em 2015 com Kaká em seus quadros e tem um brasileiro.

O Orlando City ficou a cinco pontos de entrar nos playoffs em sua primeira temporada e ainda mais perto, um ponto, na seguinte, mas entre 2018 e 2019 foi um dos piores times tanto da Conferência Leste quanto da Conferência Oeste.

A última temporada, porém, foi de evolução. Contratou o treinador colombiano Óscar Pareja, que tinha experiência de playoffs com o Colorado Rapids e o , com o qual liderou a Conferência Leste e teve a segunda melhor campanha da MLS, atrás do New York Red Bulls apenas no saldo de gols. Chegou até a final da Conferência em seu primeiro ano. No seguinte, conquistou o Supporter’s Shield – dado ao líder da temporada regular – e a US Open Cup, a Copa dos Estados Unidos.

Para a temporada anterior, fez a rapa no mercado sul-americano com Júnior Urso, ex-Corinthians, e o goleiro Pedro Gallese, da seleção peruana. Também trouxe por empréstimo Antônio Carlos, do Palmeiras, agora contratado em definitivo, além de Andrés Perea, do Atlético Nacional, Alexander Alvarado, do Aucas (Equador) e o argentino Rodrigo Schlegel, do Racing Club. Eles se juntaram a um elenco que tem e o uruguaio Mauricio Pereyra como jogadores designados e alguns jovens promissores do futebol norte-americano.

A última convocação de Gregg Berhalter, para um amistoso contra Trinidad e Tobago em 31 de janeiro contou com 25 jogadores, todos atuando nos Estados Unidos e a maioria sub-23. O Orlando City foi o clube da MLS com mais representantes: Andrés Perea (embora tenha começado carreira na e disputado jogos pelas seleções de passe do país sul-americano, nasceu em Tampa e tem cidadania norte-americana), Benji , Chris Mueller, artilheiro do time na temporada com 10 gols, e Daryl Dike, já emprestado ao Barnsley da segunda divisão inglesa.

Com essa base, o Orlando City fez a quarta melhor campanha da Conferência Leste, tendo disputado todos os 23 jogos previstos – no Oeste, a classificação final teve que ser decidida pela média de pontos porque a pandemia inviabilizou que o calendário fosse completo. Passou pelo New York City na primeira rodada dos playoffs – com contornos épicos – antes de perder para o na semifinal de conferência, equivalente às quartas de final da MLS.

Além disso, foi muito bem no MLS Is Back, torneio organizado em seu quintal para marcar o retorno da liga após a paralisação pela pandemia. Na bolha da Flórida, liderou o seu grupo na primeira fase e avançou até a final, deixando Montreal Impact, Los Angeles FC, futuro vice-campeão continental, e Minnesota United no meio do caminho. Acabou perdendo para o Portland Timbers, mas foi uma temporada muito positiva no geral.

Pato chega a um clube na ascendente. Mesmo relaxado, tem qualidade suficiente para fazer uma boa quantidade de gols em uma liga em que defender ainda é facultativo. Mas a dúvida com ele é sempre a mesma: como será o seu comportamento, a sua entrega, o comprometimento com o projeto? No São Paulo, o último exemplo que temos, foi tão ruim que caiu para a última opção do ataque antes de ser dispensado.

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