‘A MLS deveria olhar para o Brasil, não à Arábia Saudita, para inspiração’
Inspiração no Oriente Médio poderia "acabar com o futebol" nos EUA, segundo a Forbes
A surpreendente eliminação do Manchester City diante do Al-Hilal, em uma vitória histórica por 4 a 3 do clube saudita pela Copa do Mundo de Clubes da Fifa, acendeu o alerta na Major League Soccer (MLS). Não pelo resultado em si, mas pelo fato de times da Arábia Saudita e do Brasil estarem claramente um passo à frente dos americanos, mesmo com investimentos distintos.
Enquanto muitos sugerem que a MLS deveria afrouxar suas regras de teto salarial e copiar o modelo saudita de mega contratações, a revista americana “Forbes” acredita que, por outro lado, esse caminho. E por isso os EUA deveriam se inspirar no Brasileirão.
Por que fugir do modelo saudita
Para um futuro sustentável e competitivo, o espelho mais coerente seria a Série A do Brasil, segundo a revista. A Saudi Pro League vive um momento de projeção global com nomes gigantes nos últimos anos, como Neymar, Benzema e Cristiano Ronaldo.
Mas essa ascensão é alicerçada em uma lógica centralizadora: apenas cinco clubes concentram quase 75% do valor total da liga, segundo dados do Transfermarkt.

Isso é possível porque o governo saudita, por meio do Fundo de Investimento Público, assumiu o controle das principais equipes e direciona recursos massivos com o objetivo de construir uma vitrine internacional. O foco é externo, com resultados pensados para o impacto global, não para uma distribuição nacional equitativa.
Na prática, isso cria uma liga pouco competitiva internamente, com domínio histórico de clubes de Riad, como o Al-Hilal, campeão nacional em 19 das 50 edições da liga. Apenas sete clubes de quatro cidades diferentes já venceram o torneio, um desequilíbrio difícil de replicar num país tão diverso e descentralizado como os Estados Unidos.
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O que no Brasil pode inspirar a MLS
Segundo a “Forbes”, o Brasileirão mostra um caminho mais realista. Com dimensões continentais e população descentralizada, o futebol brasileiro consegue combinar profundidade de elenco, diversidade regional e uma base formadora abundante.
Desde a criação do Campeonato Brasileiro em 1959, 17 clubes de sete estados diferentes foram campeões. Embora haja uma dominância relativa de Rio e São Paulo, o número de cidades com clubes competitivos é alto.
E o Brasil tem conseguido atrair não só talentos locais, mas também jogadores de destaque de Uruguai, Argentina, Colômbia e Equador, tornando-se a liga de elite do continente.
Doze dos 20 clubes da Série A têm elencos avaliados acima dos 100 milhões de dólares, algo impensável para a MLS neste momento, mas que pode servir como meta a médio prazo, especialmente se a liga americana canalizar seus recursos para formação e estrutura.
All bangers. No skips. 🎶
Introducing your 2025 MLS All-Star team headed to Austin, TX. ✨ pic.twitter.com/J6yfcJwfhl
— Major League Soccer (@MLS) June 25, 2025
Como a MLS pode avançar?
A MLS tem dificuldades para competir diretamente em salários com Arábia Saudita ou mesmo com clubes médios da Europa. Uma saída, segundo a “Forbes”, é de se tornar líder em desenvolvimento de jogadores. A revista de negócios sugere:
- Investir mais em talentos domésticos e regionais, elevando salários médios e criando centros de excelência para formação;
- Expandir sua atuação no Caribe e América Central, que têm grande potencial de exportação de talentos, mas pouca infraestrutura;
- Reavaliar sua política de contratações, com foco menos em estrelas no fim da carreira e mais em jovens sul-americanos com projeção internacional;
- Aumentar o teto salarial com responsabilidade, aproximando-se de ligas como a NBA, que permitem competitividade sem colapsar financeiramente os clubes.
O Brasileirão, com sua força regional, base formadora e clubes historicamente relevantes, tem sido colocado como uma bússola mais coerente do que o brilho imediato, e muitas vezes insustentável, da liga saudita.



