MLS

Mesmo cobiçado na Inglaterra, Rooney dará seu próximo passo como técnico na MLS, de volta ao DC United

Rooney confirmou que recebeu contatos de clubes europeus, mas preferiu se desenvolver no lanterna do Leste na MLS

Wayne Rooney será lembrado com muito carinho no Derby County. Apesar de todas as limitações e problemas ao redor do clube, o veterano fez um bom trabalho como técnico. Manteve os Rams na Championship pelo máximo de tempo possível e se portou como um verdadeiro líder, em meio ao delicado processo de recuperação judicial. O ex-atacante preferiu se despedir do Derby antes que a venda do clube se concretizasse, mas não ficou muito tempo sem emprego. Nesta terça-feira, o DC United anunciou Rooney como seu novo técnico. Volta à MLS e ao clube que defendeu por 18 meses, até 2019.

O caminho tomado por Rooney não é óbvio. Quando estava no Derby County, o treinador recusou propostas de clubes da Premier League. Muito provavelmente, teria mercado em times tradicionais da Inglaterra em pouco tempo. Entretanto, opta pela MLS e voltará a viver numa cidade que conhece bem. Como já declarou outras vezes, o ex-atacante de 36 anos não tem muita pressa para desabrochar na casamata. A mudança para os Estados Unidos indica mais um período de aprimoramento e uma nova experiência.

“Vi alguns artigos publicados, sobretudo na Inglaterra, dizendo que essa minha decisão foi possivelmente um passo para trás na minha carreira. Realmente achei isso um pouco desrespeitoso com a liga. Como jogador, atuando na maior parte da minha carreira em alto nível, eu podia escolher o clube para o qual desejava ir. Como técnico, estou no início da jornada. Estou num ponto em que preciso trabalhar”, declarou Rooney, em sua apresentação. O ex-atacante confirmou que recebeu contatos de outros clubes da Inglaterra e da Europa continental, antes de optar pelo retorno aos EUA.

“É um desafio empolgante. Sinto que pode me desenvolver como técnico. Não existe outro clube da MLS para o qual eu iria. Logicamente, sou uma pessoa ambiciosa. Quero treinar no mais alto nível e isso faz parte desse processo. Venho aqui, vou tentar desenvolver este clube, tentar obter sucesso, mas também evoluir como técnico”, complementou. “O time precisa melhorar e realmente sinto que, com minhas capacidades para desenvolver jogadores, podemos levar este clube de volta ao sucesso”.

O DC United faz uma campanha muito ruim na MLS. O clube da capital é o último colocado na Conferência Leste, a oito pontos da zona de classificação aos playoffs. Ainda tem tempo para a recuperação, mas o momento não inspira confiança: a equipe vem de uma derrota por 7 a 0 diante do Philadelphia Union. Assim como aconteceu em Derby, Rooney assume outro rabo de foguete. O elenco pelo menos tem alguns jogadores experientes para ajudar. Rafael Romo, Taxiarchis Fountas e Michael Estrada são nomes com experiência em seleções.

Uma vantagem para Rooney é o fato de conhecer parte do elenco. O ex-capitão atuou no DC United com seis jogadores do plantel atual. Além disso, o trato com dirigentes e equipe técnica também facilitará a readaptação do veterano na MLS. O inglês disputou 48 partidas e anotou 23 gols pelo DC, além de ter oferecido 15 assistências. Chegou a ser escolhido para a seleção do campeonato em 2018 e esteve entre os finalistas ao prêmio de MVP em 2019.

Chad Ashton, que vinha dirigindo o DC United interinamente, permanecerá no cargo enquanto Rooney não tiver recebido o visto de trabalho. Por aquilo que conseguiu extrair no Derby County, não se duvida que o novo técnico possa dar uma injeção de ânimo na metade final da MLS. A questão é como essa mudança de rumo aos Estados Unidos irá impactar em sua trajetória à beira do campo. Não será tão comentado como no milagre que buscava na Championship. Talvez seja prejudicial às propostas futuras. Contudo, o veterano já demonstrou que não pretende acelerar seus passos na nova carreira.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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