MLS

Entre ídolos latinos e grandes torcidas, Atlanta x Timbers será uma interessante final na MLS

A Major League Soccer atravessa um de seus mata-matas mais empolgantes dos últimos anos. Além das partidas emocionantes, equipes que mobilizam grandes torcidas vão atingindo o sucesso na competição. Nesta quinta-feira, saíram os classificados à finalíssima: Atlanta United e Portland Timbers se enfrentarão no próximo dia 8, no Estádio Mercedes-Benz, na Geórgia, em jogo único. Força na MLS desde a sua recente criação, o Atlanta United superou o New York Red Bulls e se confirma como um dos clubes mais legais de se acompanhar no país, campeão da Conferência Leste. Já o Portland Timbers superou os prognósticos para faturar o Oeste, batendo o Sporting Kansas City em uma partida emocionante. Prometem uma boa decisão.

O Atlanta United está em sua segunda temporada na MLS e não seria exagero colocá-lo como um dos clubes mais bem montados que o campeonato já teve. Em sua primeira campanha, o clube da Geórgia contou com um ataque arrasador, mas caiu logo no início dos playoffs ao sofrer uma derrota nos pênaltis ante o Columbus Crew. Experiência que valeu para se saírem ainda melhor neste ano. Terminaram na segunda colocação do Leste, com o segundo melhor desempenho no geral. E nos mata-matas, não tiveram problemas para arrasar Nova York, passando com autoridade pelos dois clubes da metrópole.

Nas semifinais da Conferência, o Atlanta pegou o badalado New York City FC. Ganhou os dois jogos, com destaque aos 3 a 1 aplicados na Geórgia. Já contra os Red Bulls, os rubro-negros começaram decidindo em casa, já que os oponentes ficarem em primeiro na fase de classificação. Os mandantes abriram uma bela vantagem com os 3 a 0 aplicados sobre os Touros Vermelhos, aproveitando todo o potencial de seus homens de frente. Já na Red Bull Arena, nesta quinta, iam segurando o empate até o fim, quando Tim Parker deu a vitória por 1 a 0 aos anfitriões, aos 49 do segundo tempo. Nada que atrapalhasse a festa dos sulistas.

Um dos trunfos do Atlanta United é estar diretamente atrelado a uma das principais franquias da cidade. O dono do clube é Arthur Blank, que também administra o Atlanta Falcons, da NFL. Não demorou para que os rubro-negros ganhassem o público local e passassem a lotar o Estádio Mercedes-Benz, quebrando recordes, com média de 53 mil pagantes por partida. E também há uma boa gestão no departamento de futebol. A escolha de Tata Martino como técnico foi certeira. Além de apresentar um futebol ofensivo, o experiente treinador também passou a recrutar jovens talentos sul-americanos para formar a espinha dorsal de sua equipe. Miguel Almirón é o principal deles, voltando a brilhar após estourar com Cerro Porteño e Lanús. Josef Martínez também sobrou, com 34 gols em 38 partidas até o momento. Héctor Villalba, Leandro González Pírez e Ezequiel Barco são outros valores estrangeiros. Além disso, o goleiro Brad Guzan e o capitão Michael Parkhurst são referências entre os americanos.

O Portland Timbers, por sua vez, possui uma história totalmente distinta. Se o Atlanta United foi criado justamente pensando na Major League Soccer, o clube do Oregon existe desde os anos 1970, disputando a antiga NASL. Passou por transformações com as consequentes mudanças de liga, até se integrar à MLS em 2011. Assim, é um clube tradicional, mas uma franquia recente no torneio. E que, em uma região apaixonada por futebol, não demorou a se tornar competitiva. Em oito temporadas, os Timbers foram aos playoffs em quatro. Duas vezes terminaram a fase de classificação como o melhor time da Conferência Oeste e, em 2015, conquistaram o título nacional. Estão acostumados aos momentos de pressão.

Desta vez, o Portland Timbers não fez uma campanha inicial tão destacada assim. Terminou em quinto. Contudo, mostrou a que veio nas fases decisivas. Primeiro despachou o FC Dallas, por 2 a 1 no Texas. Depois, superou o clássico contra o Seattle Sounders. Com uma vitória para cada lado por 2 a 1, o segundo jogo seguiu à prorrogação e se definiu nos pênaltis, com o triunfo dos visitantes por 4 a 2 no CenturyLink Field. Ainda assim, nada comparado à loucura dos duelos contra o Sporting Kansas City, melhor time do Oeste na fase de classificação. O empate por 0 a 0 em Portland deixava o cenário aberto. Já nesta quinta, em Kansas, os lenhadores brilharam. Dániel Sallói abriu o placar ao Sporting no primeiro tempo, mas Sebastián Blanco arrancou o empate com um golaço no início do segundo. Depois, quem apareceu foi Diego Valeri, virando o placar. Gerso Fernandes até empatou aos anfitriões restando dez minutos para o fim, mas o empate com gols fora dava a vantagem aos Timbers. E diante da pressão do Kansas, no nono minuto dos acréscimos, Valeri concluiu um contragolpe perfeito para assegurar o triunfo por 3 a 2.

Treinado pelo venezuelano Giovanni Savarese, ex-comandante do New York Cosmos nesta reconstrução recente, o Portland Timbers também têm forte presença latina. O astro do clube é Valeri, levado após protagonizar grandes campanhas com o Lanús na virada da década passada. Tornou-se o dono do time. Blanco foi outra ótima adição do futebol argentino, contratado junto ao San Lorenzo e fazendo valer o 10 às costas. Já no ataque, a referência é Samuel Armenteros, sueco de origem cubana que está emprestado pelo Benevento. Também merecem menções David Guzmán e Diego Chara, rodadas opções no meio, além de Liam Ridgewell, zagueiro com muita experiência na Premier League que usa a braçadeira de capitão.

O Atlanta United carrega o favoritismo para a final. Jogará em casa, por ter a melhor campanha, e vem atuando bem ao longo da temporada. Além disso, talvez seja a oportunidade de um adeus glorioso a Almirón e Martino, que tendem a deixar o clube. Em compensação, o Portland Timbers já mostrou não se intimidar durante as partidas fora de casa nestes mata-matas, contando com a capacidade da dupla formada por Valeri e Blanco. Se a MLS ainda não cai nas graças do público internacional, este é um jogo que vale a atenção.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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