MLS

Em 2010, Kljestan deu sua camisa a um menino com câncer no hospital; 12 anos depois, pôde reencontrá-lo em campo pela MLS

Chris Hegardt, que venceu um câncer no fígado aos oito anos de idade, virou profissional da MLS e reencontrou-se com Sascha Kljestan, que o visitou no hospital infantil em Los Angeles

A estreia do Charlotte FC em casa pela Major League Soccer foi histórica. A nova franquia levou 74.479 torcedores para as arquibancadas do Estádio Bank of America, estabelecendo o novo recorde da liga. E a vitória do Los Angeles Galaxy por 1 a 0 ainda guardou um reencontro especial. Sascha Kljestan, veterano do Galaxy, pôde dar um abraço em Chris Hegardt, promessa do Charlotte, depois de 12 anos. O primeiro encontro, em 2010, aconteceu quando Kljestan visitou um hospital infantil em Los Angeles e ofereceu um pouco de alento a Hegardt, que lutava com um câncer no fígado aos oito anos de idade.

Na época, Kljestan era um nome importante do futebol nos Estados Unidos. O meio-campista do Chivas USA frequentava as convocações da seleção e figurava na capa de jogos de videogame no país. O futebol era um alento na batalha de Hegardt, que descobriu o câncer maligno no fígado às vésperas de completar oito anos, exatamente depois de levar uma bolada na barriga enquanto brincava com os amigos. Conhecer Kljestan, assim, era uma motivação em seu tratamento. Ao lado da esposa, o meia deu uma camisa autografada ao menino e posou para fotos. Imagens estas que voltam à tona, 12 anos depois, de uma maneira tão transformadora.

Depois de passar por sessões de quimioterapia e por um transplante de fígado, Hegardt recebeu alta em 2011. Anos depois, realizou o sonho de se tornar jogador profissional. O meio-campista, nascido em San Diego, passou pelas equipes de formação do Seattle Sounders e também pelo futebol universitário, até ser selecionado pelo Charlotte FC na recente expansão da franquia. Teria a chance de se reencontrar com Kljestan numa partida tão marcante para a história da MLS e para o próprio time da Carolina do Norte.

Antes do jogo, Kljestan escreveu em suas redes sociais: “Minha esposa e eu visitamos esse jovem em 2010 no hospital infantil de Los Angeles. Hoje, encontrei os pais dele no saguão do nosso hotel em Charlotte. Seu nome é Chris Hegardt e ele é um meio-campista novato do Charlotte FC. Dei a ele minha camisa uma vez, espero que ele me dê a dele amanhã!”. Aos 20 anos, Hegardt saiu do banco na partida, assim como Kljestan, atualmente com 36. Ao final, a belíssima cena da troca de camisas se repetiu. Daquelas histórias que fazem o futebol valer a pena.

Depois do jogo, Kljestan reforçou a importância do momento: “Acho que, para mim, a moral da história é ser uma boa pessoa. Não me custou nada ser gentil com ele e sua família naquele dia, e se eu pude dar a ele ao menos 1% de esperança ou mesmo fazê-lo sorrir um pouco, já valeu a pena. Eu dei os parabéns após o jogo e disse para ele me procurar sempre que quisesse, se precisar de um conselho ou qualquer coisa assim. Eu espero que ele tenha uma longa carreira”.

“Você visita crianças em hospitais algumas vezes, e então não tem mais notícias delas, ou tem as piores notícias. A mãe dele me disse que Chris virou jogador do Charlotte e pensei que fosse na base, mas ela explicou que era no primeiro time. Fiquei pensando: ‘Cara, isso é louco’. Ele venceu o câncer, seguiu em frente, teve uma grande carreira na faculdade e agora se tornou profissional. Foi legal vê-lo jogar nesta noite”, complementou o veterano. “A vida às vezes é dura, mas também pode ser bonita. Todos podemos ser melhores nisso. Todos podemos ser mais gentis uns com os outros. Você nunca sabe que tipo de dia as pessoas estão tendo, então, se pudermos tentar ser um pouco mais gentis com as pessoas, acho que faremos deste mundo um lugar melhor”.

Já Hegardt resgatou suas lembranças em conversa ao jornal The Charlotte Observer: “Eu me lembro de algumas partes daquele dia. Eu era muito jovem, mas ele me deu uma camisa autografada, que está emoldurada na parede da minha casa. Foi realmente legal jogar contra ele. Conversamos um pouco após o jogo e ele me deu alguns conselhos, para continuar trabalhando e saber que haverá alguns obstáculos no caminho. Você precisa manter uma mentalidade positiva e seguir adiante. É assim que eu vejo, como uma motivação para seguir adiante”.

“Foi insano. Mas, como eu disse, foi crédito à maneira como trabalhei duro. Permaneci positivo, permaneci motivado durante toda a minha vida. Acho que esse é só o começo e vou continuar meu caminho”, adicionou Hegardt. “Sascha é um grande jogador. Acho que ele é muito técnico, inteligente, criativo, experiente e algumas partes do nosso jogo se assemelham. Ele é um grande modelo e está na liga há muito tempo, então é alguém que pode me inspirar”.

Por fim, o próprio hospital infantil de LA agradeceu em suas redes sociais: “Os muitos atletas que têm visitado nossos pacientes deixam uma grande impressão nas crianças, muitas vezes conseguindo impactá-las desta maneira. Obrigado Sacha Kljestan e LA Galaxy por fazerem a diferença e darem esperança a crianças doentes”. Um episódio que reforça a importância de cada gesto.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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