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É tocante a emoção de Chicharito ao contar para os pais que seu sonho europeu havia chegado ao fim

Chicharito Hernández foi anunciado como novo reforço do Los Angeles Galaxy na terça-feira (21), assumindo o lugar de jogador designado deixado por Ibrahimovic, que retornou ao Milan. Se, por um lado, a mudança carrega seus lados positivos, como contamos aqui, por outro representa o fim do sonho europeu, segundo as palavras do próprio jogador.

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Com o media training popularizado há algumas décadas, estamos bastante acostumados a ouvir discursos pasteurizados de atletas profissionais. É por isso que este trecho de vlog em que Chicharito conversa com seus pais sobre a transferência para o Galaxy é uma visão tão rara e reveladora dos bastidores da vida de um jogador de futebol.

Nele, o atacante mexicano aparece ligando para seus pais para lhes contar que está basicamente tudo fechado com o clube norte-americano. Embora esteja feliz por ter a oportunidade de, em teoria, ter mais minutos em campo, não esconde a frustração de ter que deixar a Europa quando sentia que ainda poderia contribuir para o futebol no continente.

No vídeo, Chicharito lamenta a saída da Europa como “o começo da minha aposentadoria”. Parece resignado de que sua aventura no futebol europeu chegou a um fim irreversível, embora pondere mais tarde que, neste esporte, “nunca se sabe”.

Chicharito deixou o Chivas Guadalajara em 2010, transferindo-se para o Manchester United. Depois de quatro temporadas na Inglaterra, onde conquistou duas Premier Leagues, ficou no Real Madrid por empréstimo por uma temporada. Em seguida, defendeu o Bayer Leverkusen por dois anos, o West Ham por mais dois e, por fim, passou os últimos quatro meses no Sevilla.

Nas entrelinhas da conversa, a experiência do pai, Chicharo Hernández, ele próprio um jogador importante no México, transparece nos conselhos de quem fala com propriedade sobre momentos como o que o filho está vivendo agora.

Traduzimos abaixo da trechos da conversa de Javier Hernández com seus pais, e você pode ver o vídeo logo na sequência.

– Como vocês estão?

– Bem, e você?

– Eu estou muito bem, estou só chorando um pouco.

– Por quê?

– Nada, pai, queria falar com vocês porque o negócio está prestes a ser fechado. É quase certo que vou para Los Angeles.

– E?

– Não, está tudo bem, tudo está perfeito, pai, é só que, bom, é o começo da minha aposentadoria, sabe?

– Não, não é!

– Mas, pai, tenta me entender. Eu sei, pai, não se preocupa. Olha, o que eu quero dizer é que estamos dizendo adeus a uma carreira em que colocamos muito esforço. Nós trabalhamos, e sei que vocês também sentem isso, vamos olhar pelo lado positivo, e será incrível. Mas, querendo ou não, estamos nos aposentando do sonho europeu. O que é ok, mas eu queria ligar para vocês.

(…)

– E é difícil, o pai vai entender, e estou vivendo isso porque estou feliz, é o que eu quero. É parte de deixar a vida que tive até aqui e ir em busca da vida que quero, sabe? É um pouco isso. E há outras coisas pelas quais não estou disposto a pagar o preço por competir. E outras mais que não estão nas minhas mãos. Mas, sim, são 10 anos, sabe?

– Mas são 10 anos de sucesso.

– Eu sei, mas é uma nostalgia normal.

– Escuta, filho, agora você está numa idade, está chegando a uma idade, em que o mais importante é que você desfrute. Deixa eu te explicar. Quando você é jovem, você busca conquistas, troféus, tenta estar no topo. Mas o futebol é assim, filho, não é todo o tempo, não é para a vida toda. Temos altos e baixos. Mas agora, filho, você está em um belo estágio da sua vida. Você tem muita experiência, viveu seu sonho europeu, graças a Deus por dez anos. Dez anos de sucesso.

– Mas é isso que está me deixando nostálgico, sabe? Não é que eu não consiga fazer isso, é que estou dando adeus a essa bela experiência. Bom, nunca se sabe, tudo pode acontecer no futebol, mas… E esse é outro sonho. Mas não é fácil. Porém, estaremos mais próximos, verei vocês muito mais.

(…)

– Sei que não é nada fácil…

– Ainda mais porque eu sei que eu ainda tinha condições (de jogar na Europa), sabe?

– Sei que a sensação é de que talvez você ainda possa fazer as coisas aí, mas as circunstâncias não permitiram…

– Sim, e eu falei com o Diego. A única coisa que quero fazer é jogar.

– E foi uma escolha que você fez, para curtir o futebol de uma maneira diferente.

– E, na vida, mãe, não fazemos ideia do que iremos viver. É ótimo para a Sarah, para o Nico, para o Diego e para vocês…

– Obrigado por ligar, filho.

– Bom, então é isso. Por favor, não diga a ninguém. Se bem que todo mundo já sabe.

– Já vazaram.

– Bom, estão dizendo que está fechado já.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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