Berço do futebol nos EUA, St. Louis proporcionou uma grande atmosfera em sua estreia na MLS
O St. Louis City chega como nova equipe à MLS na atual temporada e a estreia em casa contou com um ambiente bastante vibrante, digno da tradição da cidade no futebol

Até demorou para que St. Louis passasse a contar com uma equipe na Major League Soccer. A cidade é extremamente identificada com os primórdios do futebol nos Estados Unidos. Equipes como o Scullin Steel e o Central Breweries eram potências locais nas décadas de 1920 e 1930, em tempos nos quais a modalidade estava bastante enraizada nas comunidades imigrantes de grandes centros industriais. Já em 1950, o St. Louis Simpkins-Ford era a principal base da seleção que assombrou na Copa do Mundo, ao derrotar a Inglaterra em Belo Horizonte. E na NCAA, o esporte universitário, o St. Louis Billikens é o maior campeão nacional, com dez troféus acumulados até a década de 1970. Diante de tamanha representatividade, estava claro como o St. Louis City SC não demoraria a deixar sua marca na MLS. E a estreia em casa do novo clube proporcionou uma enorme festa nas arquibancadas.
Apesar da tradição de St. Louis no nível amador do futebol nos Estados Unidos, a cidade também tem seus marcos no profissionalismo. St. Louis chegou a contar com a primeira liga totalmente profissional dos EUA, de 1915 a 1938, o que auxiliou o esporte a florescer na região. As equipes eram bancadas pela indústria local e ganharam relevância também nos torneios nacionais. Porém, quando a famosa NASL foi instituída a partir dos anos 1960, o St. Louis Stars não teve o mesmo impacto. O time existiu de 1967 a 1977. Chegou a ser vice-campeão dos playoffs e fez campanhas relevantes, mas a franquia mudou-se para a Califórnia em 1978. Os Stars eram reconhecidos por montarem elencos com jogadores sobretudo da área de St. Louis, em contraposição à invasão estrangeira que ocorria no torneio, mas o projeto não era mais sustentável no auge da liga.
Já mais recentemente, St. Louis contou com times nas ligas secundárias dos Estados Unidos. O AC St. Louis durou uma temporada no ressurgimento da NASL, em 2010. Já a USL contou com o St. Louis FC por seis edições, até encerrar as atividades em 2020. A MLS, de qualquer maneira, era o objetivo principal para a cidade recuperar sua visibilidade no esporte. St. Louis era cotada para uma das franquias inaugurais da Major League Soccer, mas não apresentou sua candidatura. Já em 2007, existiram conversas para que o Real Salt Lake se mudasse para a cidade do Missouri, o que não aconteceu após a intervenção do governador de Utah. Desde então. St. Louis aparecia entre as candidatas de expansão, mas sem nunca apresentar um capital político ou econômico tão forte. A ideia só saiu da intenção a partir de 2017, quando a cidade apresentou garantias e viabilizou a construção de um estádio com dinheiro da iniciativa privada – após o financiamento público ser rechaçado pela população.
O Estádio Citypark possui capacidade para 22,5 mil torcedores e custou US$458 milhões. A inauguração do estádio aconteceu em novembro, num amistoso com o Bayer Leverkusen, mas as expectativas se concentravam mesmo na estreia pela MLS. O que finalmente aconteceu neste final de semana, com uma bela festa nas arquibancadas. Embora esta seja a primeira partida como mandante do St. Louis City, o clube herdou as torcidas das tentativas fracassadas da cidade na NASL e na USL. Assim, a organizada chamada “St. Louligans” é mais antiga que o próprio clube. St. Louis também é uma das principais bases dos American Outlaws, a maior torcida da seleção dos EUA.
O mosaico e toda a ação nas arquibancadas pareceu motivar o St. Louis City. A equipe venceu de virada o Charlotte FC por 3 a 1. É a segunda vitória dos novatos em duas rodadas, após terem batido na estreia o Austin FC. Com isso, os rubro-negros despontam na liderança da Conferência Oeste, ao lado do Seattle Sounders. O nome mais conhecido no elenco do St. Louis City é o do goleiro Roman Bürki, que usa a braçadeira de capitão. Outra figurinha carimbada da Bundesliga é o meia Eduard Löwen, ex-jogador de Nuremberg e Hertha Berlim. Já o ataque conta com o centroavante Klauss, cria da base do Grêmio, mas que fez seu nome na Europa com as camisas do LASK Linz, do Hoffenheim e do Standard de Liège. O atacante de 26 anos é um dos destaques dos estreantes, com dois gols nas duas primeiras aparições na liga.
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— Major League Soccer (@MLS) March 5, 2023
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STL, you made last night something we’ll always remember ? #AllForCITY pic.twitter.com/iDLpjkDbyd
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