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Juninho dá adeus ao Vasco e a perda é maior que um jogador

O que estava especulado virou fato. Juninho Pernambucano deixou o Vasco. O jogador, de 37 anos, foi anunciado nesta segunda-feira pelo New York Red Bulls.  Depois de ter voltado ao Vasco em 2011 para ganhar um salário por produtividade, o que significava, se ele não jogasse bem, ganhar pouco, deixa o clube que tem dificuldades sérias para deixar as contas em dia. E para jogar em um time que não paga salários tão altos, o que indica que o problema do Vasco é grave.

A volta de Juninho ao Vasco era envolta de dúvida. O meia é um ídolo da história do Vasco, mas àquela altura, não se sabia se ele conseguiria render bem. Alguns jogadores voltam dos times do Oriente Médio com problemas físicos, ou em um nível técnico abaixo que o esperado. Então, quem era o Juninho que o Vasco contratava? Ele seria capaz de ter um nível de atuação em alto nível?

As dúvidas foram sanadas e Juninho tornou-se fundamental ao Vasco. Não só em 2011, quando o time conseguiu o vice-campeonato brasileiro, como na campanha na Libertadores e no Brasileiro, já em 2012. No torneio continental, o time só foi eliminado pelo Corinthians – que se tornaria campeão – nas quartas de final, com um gol nos minutos finais e de forma dramática. No Brasileiro, o Vasco fez um grande primeiro turno, mas perdeu muitos jogadores e seu rendimento despencou no segundo. Mesmo assim, Juninho foi um dos melhores da liga brasileira.

Tudo isso seria motivo para que Juninho continuasse. Voltou como um ídolo do passado, mas tornou-se um ídolo do presente também. Um dos melhores jogadores do time. E se isso era bom por um lado, tem um outro que é preciso ser visto também: o time desceu de nível. E, mais do que isso, o clube passou a ter problemas fora de campo. O clube deixou de pagar a conta de luz e quase teve a energia cortada. Seja por negligência, seja por problemas financeiros, o time tem tido dificuldades de manter seus compromissos.

Alguns jogadores passaram a ter salários atrasados. Não todos, porque um deles tem o salário em dia para não correr risco de perdê-lo em uma ação trabalhista. É Dedé. Não há qualquer indicação que a situação vá melhorar e, portanto, a venda de Dedé pode ser uma solução, ao menos para os custos mais urgentes.

É desse Vasco que Juninho saiu. Havia problemas de relacionamento envolvendo Felipe – há quem diga que há o grupo de Juninho e o grupo de Felipe -, mas esse nunca pareceu um problema grande o suficiente para resultar na saída do jogador do clube.

Ainda no domingo, surgiu a informação dada pelo Lance que o Corinthians tentou a contratação de Dedé, mas o presidente do clube paulista disse que o Vasco não aceitou negociar. “Ele não sai para um clube brasileiro”, disse Mario Gobbi em entrevista a Paulo Vinícius Coelho, na ESPN Brasil. De qualquer jeito, há indícios que há uma liquidação no Vasco e as perspectivas não são boas.

Basta lembrar que no meio de 2012 o time perdeu boa parte dos titulares. Diego Souza foi para o Al Ittihad, da Arábia Saudita, e quando voltou por falta de pagamento, foi para o Cruzeiro. O clube ainda vendeu Fagner, um dos melhores laterais direitos em atuação no Brasil, para o Wolfsburg. Perdeu também Alan, volante/lateral que era muito útil e foi para a Udinese. Sem esquecer a vende de Rômulo, volante que era destaque e fundamental para o time, que foi para o Spartak Moscou. O goleiro Fernando Prass também deixou o clube e assinou com o Palmeiras. Alecssandro, atacante que é questionado pela torcida, mas faz gols importantes, pode deixar o time para jogar no Atlético Mineiro. E devem surgir mais saídas.

O fato é que Juninho jogará nos Estados Unidos em 2013. E o jogador sequer será um jogador designado, o que significaria que ele ganha um salário acima do teto. Em princípio, ele foi contratado como um jogador comum em um time que não paga altos salários. É mais um indício que a sua saída não foi por uma vontade tão grande de morar em Nova York ou mesmo de sair do Vasco. É bem possível que tenha mais.

O pior do adeus de Juninho é que vai além da saída de um dos melhores jogadores do time e de um ídolo histórico. Indica que o clube sai do caminho que sonhava em trilhar, voltando a brilhar na Libertadores em anos consecutivos, o sonho de levantar a taça. O sonho de voltar às glórias. O Vasco pode ter que comemorar escapar do rebaixamento. E isso é muito pouco para um clube nacional como o Vasco, com potencial de arrecadação tão grande.

Sorte do New York Red Bulls, que ganhará um reforço que pode ser importante, ainda que não fosse uma posição carente da equipe. Azar do Vasco, que não tem perspectiva de nada melhor que a quinta colocação no Brasileiro deste ano. Na verdade, a perspectiva é ser muito pior.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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