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NY Red Bulls quer pagar torcida para não xingar no estádio

O futebol só tem essa mística por causa dos palavrões. Desde os primórdios, as pessoas gritavam palavras de baixo calão nas bancadas, talvez no único lugar que esta prática fosse incentivada. Rico ou pobre, o torcedor extravasa com xingamentos uma falta não marcada, um pênalti controverso ou um impedimento que só o bandeira viu.

Na Major League Soccer, nos Estados Unidos, o New York Red Bulls encontrou uma medida para tentar controlar o número de impropérios dirigidos aos goleiros. Veja só que absurdo, eles planejam pagar os seus torcedores para não dirigir nenhuma ofensa aos arqueiros adversários durante os jogos. Eles não estão sozinhos nessa campanha para erradicar os palavrões. Outros três times estudam como barrar essa conduta nos estádios.

O plano inicial dos Red Bulls é oferecer $500 para cada uma das três torcidas organizadas do clube para cada jogo em que os famigerados xingamentos não forem ouvidos. Caso isso se repita por quatro jogos, uma recompensa maior será dada aos torcedores.

No entanto, se até agosto essa medida não for respeitada, punições estão previstas, como proibição de bandeiras, sinalizadores, instrumentos musicais e cancelamento de credenciais, vagas de estacionamento, além de setores das arquibancadas destinados às torcidas. “Podemos usar esse dinheiro para reembolso das nossas viagens, comprar baterias para o nosso megafone e organizar mais nossa estrutura”, declarou um membro da Empire Supporters Club, uma das organizadas do Red Bulls.

Aparentemente eles desconhecem como é a vida dos goleiros que visitam a Rua Javari e defendem o gol na frente da arquibancada do Setor 2, onde os juventinos mais fanáticos assistem ao jogo. Não raro, nos tiros de meta o pobre guarda-redes tem avacalhadas a sua profissão, aparência e tudo mais que você pode imaginar. E não há relatos de ninguém que tenha ficado magoado ou prestado queixa mediante essa onda de xingamentos.

Mas se a educação e os bons modos tomarem conta da torcida, é preocupante que isso vire moda e o esporte ganhe outros contornos nas bancadas. Essa é uma proposta que só agrada os árbitros. Do jeito que a coisa anda, os apitadores ouvirão no máximo um “bobalhão, burro ou desonesto”. Apenas parem.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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