Blatter cutuca, mas MLS não vai mudar só porque ele quer
A Fifa não diz, passa recado. Cada um que saiba ler nas entrelinhas. O Brasil passou por isso quando Jérôme Valcke ficava dando indireta porque a Lei Geral da Copa não saía. Agora é a vez de os norte-americanos verem se entenderam o que a entidade quer dizer mas não diz.
Em entrevista ao canal em inglês da Al Jazeera, Joseph Blatter disse que a MLS já teve tempo de sobra para se consolidar como uma liga forte nos Estados Unidos, mas ainda não conseguiu. “Eu achava que era questão de tempo em 1994, mas isso já foi há 18 anos e eles ainda estão com problemas”, comentou o presidente da Fifa. “Não há uma liga profissional forte nos Estados Unidos. A MLS não é reconhecida pela sociedade americana.”
Tapa nada delicado na face, mas por que a Fifa decidiu criticar a falta de crescimento da MLS nos EUA, considerando que a média de público de 2012 (18.807) é equivalente à da Ligue 1 francesa e que o futebol europeu tem audiência crescente no público norte-americano? Bem, Blatter continua sem engolir o fato de a temporada do futebol nos Estados Unidos começar em março e terminar em novembro.
O suíço mencionou isso “de passagem”, ao dizer que a MLS só terá astros europeus quando adotar a temporada europeia. Do ponto de vista do futebol internacional, faz sentido. Do ponto de vista da Major League Soccer, não. E por isso uma mudança não será tão simples, por mais que Blatter fique dando cutucadas por aí.
Ao realizar o campeonato de março a novembro, a MLS divide espaço apenas com o beisebol em boa parte de sua temporada. Se adotar o calendário europeu, terá de concorrer com futebol americano, futebol americano universitário, basquete, basquete universitário e hóquei no gelo. Aí, sim, Blatter teria mais motivos para dizer que o público não liga para o futebol.



