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“A falta de um sistema de rebaixamento na MLS é desmotivante”, opina Ancelotti

A estrutura da Major League Soccer se assemelha à de outras ligas dos Estados Unidos no quesito rebaixamento e promoção. Assim como na NFL, na NBA, na NHL e na MLB, os times participantes da MLS jogam uma temporada regular e dependendo do desempenho dessas equipes nesta etapa, conseguem a classificação para os chamados playoffs, ou jogos de pós-temporada, que são as últimas fases até a conquista de um mérito. As más campanhas durante a temporada regular, no entanto, são imunes a rebaixamento, e isso é algo prejudicial aos times, que não têm uma motivação para consertar o que fizeram de errado ao longo do ano. Esta é a opinião de Carlo Ancelotti, alguém que não vivenciou a MLS à beira do campo, mas sabe muito de futebol e já passou por grandes campeonatos.

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“Eu acho que o fato de não existir um sistema de rebaixamento prejudica os times, porque isso os desmotiva. É inevitável”, ponderou o técnico italiano em entrevista a Gab Marcotti, jornalista do ESPN FC americano. “Em 2014 eu estive no Canadá e pude assistir ao Vancouver Whitecaps, e eles não estavam indo bem na liga. Mas, ei, o que mudaria se eles terminassem em último no campeonato? Eles não são rebaixados, eles continuam ganhando dinheiro… Mas essa é a estrutura dos esportes nos Estados Unidos e temos que respeitar isso”, acrescentou o atual treinador do Bayern de Munique, que depois que foi demitido do comando técnico do Real Madrid, passou um tempo morando em Vancouver, onde havia se casado no ano anterior.

“Enquanto eu estive no Canadá, eu pude assistir a vários jogos da MLS. É tudo muito diferente da Europa. A liga tem uma abordagem diferente. A forma como tudo no campeonato é estruturado é voltada para que os jogos sejam espetáculos em que há paridade entre os times, em vez de ter uma alta competitividade”, falou ainda Carlo. “Penso que os jogadores devem permanecer no topo do futebol mundial pelo maior tempo que eles puderem. E, no momento, o apogeu do esporte no mundo é bem aqui na Europa”, concluiu. Além de Andrea Pirlo, que decidiu ir para o New York City em 2015, com seus 35 anos, outro compatriota de Ancelotti que migrou da Europa para a MLS foi Sebastian Giovinco. Este, ao contrário do volante, foi para o Toronto FC com 27 anos. E tem conseguido manter o nível de seu futebol por lá.

Apesar de muitas pessoas envolvidas no meio do futebol sugerirem uma mudança na estrutura da Major League Soccer, a possibilidade de existir um sistema de rebaixamento e promoção não está em jogo. No fim do ano passado, Don Garber, o comissário da liga, disse que a forma como funciona o principal campeonato dos Estados Unidos e Canadá é ótima e ajuda muito a desenvolvê-lo nesses países. “Eu simplesmente não acredito que a promoção e o rebaixamento aumentariam a concorrência. Sei que é uma parte crítica do futebol internacional, mas as grandes ligas americanas têm enorme concorrência sem isso e têm grande sucesso”, afirmou a autoridade máxima em sua página no Facebook, onde respondia a perguntas de internautas.

Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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