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Zidane é o messias que surge para a reformulação do Real

Zinedine Zidane é incontestavelmente uma lenda do Real Madrid. Segundo galáctico a aportar no Santiago Bernabéu, o meio-campista foi o craque na última conquista merengue na Liga dos Campeões. O gol de placa na final contra o Bayer Leverkusen selou o nono título continental do clube, mas também iniciou uma verdadeira obsessão por La Decima. E, ao menos para Florentino Pérez, Zizou é o salvador que guiará o clube rumo à reconquista europeia.

Zidane já trabalhava nos bastidores do Real, mas tinha pouca influência no trabalho de José Mourinho. No entanto, Florentino pretende dar cada vez mais poder nas mãos do francês, tornando-o de fato “diretor esportivo” – cargo que já ocupava antes, mas que não desempenhava as funções. Segundo o presidente, agora, o veterano liderará a contratação do novo técnico e de reforços. A inteligência que tanto diferenciava o craque em campo, também seria útil fora dele. Auxiliar do próximo técnico em um primeiro momento, Zidane estaria em preparação para assumir o cargo em breve.

“Não sabemos quem será o treinador. Porém, queremos que todo esse projeto esportivo seja liderado por Zidane. Eu não acreditava que Zidane gostaria de ser treinador, mas neste anos ele decidiu ser. É o diretor esportivo e gostaria que uma pessoa como ele, com esta categoria e estes conhecimentos, algum dia seja o técnico”, declarou Pérez, em entrevista à Cadena SER, na qual sempre destacou o poder de decisão de Zidane no futuro do clube.

“De momento, quando escolhermos o próximo treinador, ele e Zidane analisarão a realidade da equipe para dar um salto de qualidade. Queremos voltar a ser os melhores. Queremos que os melhores do mundo estejam aqui, os melhores da Espanha e os melhores das categorias de base”, completou. “Nossa ideia é ganhar. Nosso modelo nos permite ser os que têm mais ingressos, os que contratam os melhores e, em teoria, isso nos permitiria ganhar mais títulos”.

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O desejo de Zidane em se tornar treinador não é segredo. O veterano iniciou um curso de formação em 2012 e já tinha manifestado até mesmo a vontade de comandar a seleção francesa. “O campo de jogo é o que eu conheço melhor. Eu vivi 20 anos de momentos especiais e quero compartilhar minha experiência com outros jogadores”, afirmou o francês, em entrevista há pouco mais de um ano.

Juntando os interesses de Zidane e aos de Florentino Pérez, as condições do Real Madrid são mais que favoráveis ao craque. Aumentando sua influência como diretor antes de assumir o cargo de técnico, Zidane poderia vivenciar mais o ambiente do clube e conhecer os mecanismos para dar o próximo passo. Além disso, seria um nome fortíssimo para agradar sócios e torcedores.

Não à toa, Jupp Heynckes surgiu como um dos principais nomes para substituir José Mourinho. Um treinador tarimbado para apaziguar a crise atual, sem perspectivas de uma carreira duradoura e com muita experiência a passar para Zizou. Carlo Ancelotti, outra possibilidade fortemente especulada, não seria tão propício à ascensão imediata de Zidane, mas também teria a característica de administrar o conturbado vestiário merengue.

“Zidane abraçou o madridismo quando chegou e sua única paixão é o clube. Demonstrou em campo e, depois, com seu comportamento. É um ativo do clube com grandes valores”, comentou Pérez. Uma identificação que alça Zidane como favorito pelos dirigentes, que podem se aproveitar de sua imagem, e pelos torcedores, que poderão voltar a venerar o ídolo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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