Espanha

Zidane teve o máximo empenho de seu ataque em sua estreia como técnico do Real

Ovação da torcida, partida sob controle, goleada. Zinedine Zidane não poderia ter uma estreia mais confortável no comando do Real Madrid. Ainda que os resultados recentes não fossem satisfatórios, os merengues seguem com força suficiente para fazer estrago na metade final da temporada. E demonstraram ter ímpeto para isso neste sábado, no Santiago Bernabéu. A equipe da casa atropelou o Deportivo de La Coruña por 5 a 0, encostando nos líderes do Campeonato Espanhol. Uma prova do comprometimento dos jogadores com o craque, especialmente pela ótima exibição ofensiva dos blancos.

Ainda é pouco para falar sobre as mudanças feitas por Zidane como técnico, mas o Real atuou de maneira mais solta contra o Depor. O tridente de ataque era dinâmico, enquanto as jogadas pelas pontas tiveram bastante força. Além disso, também havia mais calma para trabalhar o passe e cadenciar o jogo. Um time que em certos momentos relembrou o estilo proposto por Carlo Ancelotti, de quem Zidane era auxiliar. E mesmo a torcida parecia se contagiar com o clima mais leve que tomou o campo.

Gareth Bale terminou como destaque da noite ao completar uma tripleta, enquanto Karim Benzema manteve seus ótimos números em alta com dois tentos. Mas também é possível destacar a participação de quem serviu as assistências. Toni Kroos dominou o meio de campo ao lado de Modric e teve participação essencial no início do último tento, com direito a chapéu e lançamento. Carvajal aproveitou a confiança e voou na lateral direita. Já Cristiano Ronaldo, mesmo falhando mais que o costume nas conclusões, também serviu de garçom a Bale e chamou o jogo para si.

O galês, inclusive, demonstrou um poder de fogo impressionante. Estufou as redes em três das quatro vezes que arrematou. Seu posicionamento e sua presença de área fizeram a diferença desta vez. Em dois tentos, o galês marcou de cabeça. Já no outro, bateu com extrema categoria após o passe de Ronaldo. Papel de destaque ao camisa 11, sobre quem muito se discute a real importância na engrenagem merengue. No Campeonato Espanhol, Bale só participou de menos gols no time do que CR7, com 12 bolas nas redes e sete assistências.

Obviamente, algumas melhoras não acontecem do dia para a noite. E contra um ataque que não impõe tanto medo, o Real Madrid deu mais brechas do que deveria ao Deportivo. Não que Keylor Navas tenha trabalhado muito, mas os visitantes tiveram bastante espaço para chutar e arriscar. Foram 18 finalizações dos alviazuis – por sorte, apenas quatro no alvo. Foi a segunda melhor marca do ataque do Depor no campeonato e a pior do Real, igualando o clássico contra o Barcelona. A linha defensiva conseguiu abafar bem os adversários, embora tenha sobrado espaço atrás do meio-campo de Zidane, recomposto com Bale recuando na marcação – relembrando de novo Ancelotti. E sua escalação também deverá ser tema de debate, preferindo Isco a James Rodríguez na composição.

Dois pontos atrás do Barcelona e um do Atlético de Madrid (ambos com um jogo a menos), o Real Madrid permanece no páreo, independente de seus tropeços. Agora, com um treinador que parece exercer uma influência maior sobre os seus jogadores. Neste momento, a motivação para acreditar nos títulos se torna fundamental, e Zidane é um grande nome para inspirar isso. Contudo, os desafios ao francês são mais amplos, especialmente na consistência do time que oscilou no primeiro turno. Os seus objetivos são bem claros. E poderão ser cumpridos com sucesso se o elenco seguir com a vontade apresentada neste começo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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