Yamal, Cubarsí e mais: Barcelona vive a geração mais talentosa da história de La Masia?
Geração de Lamine Yamal pode ser comparada com a histórica safra de 1987, que contava com Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué
Lamine Yamal, Pau Cubarsí, Marc Bernal e Xavi Espart têm algo em comum que vai além de serem jovens titulares do Barcelona de Hansi Flick. Os quatro nasceram em 2007 e foram formados juntos em La Masia. Uma coincidência que levou o “The Athletic” a levantar uma questão: seria esta a maior geração de talentos já produzida pela base do Barcelona?
A comparação mais óbvia é com a safra de 1987, que revelou Lionel Messi, Cesc Fàbregas e Gerard Piqué. Os três eram tratados pelos treinadores das categorias inferiores como um “Dream Team”.
Ainda é impossível saber se os quatro alcançarão o mesmo nível histórico de seus antecessores. Mas, na avaliação do “The Athletic”, há uma diferença importante entre os dois grupos. A geração de 1987 tinha mais talento individual, enquanto a de 2007 é considerada mais completa, variada e profunda por profissionais que acompanharam ambas de perto.
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A geração de Yamal e Cubarsí que cresceu junta no Barcelona
Os quatro principais nomes da geração de 2007 não chegaram ao time principal ao mesmo tempo, mas passaram anos compartilhando as categorias inferiores. Yamal e Bernal, por exemplo, jogaram juntos durante os primeiros sete anos de formação no Barcelona, antes de o atacante começar a subir de categoria precocemente. Cubarsí também se destacou desde cedo, enquanto Espart era considerado um talento de grande potencial, embora tivesse um perfil mais discreto.
Albert Puig, que treinou a geração no sub-9 e novamente no sub-12, acompanhou de perto essa evolução. Segundo ele, Yamal e Cubarsí já estavam “muito à frente” dos demais naquela época, enquanto Bernal “parecia estar um nível acima”.
“Era uma geração de muita profundidade. O nível era altíssimo”, lembrou Puig ao “The Athletic”. A trajetória dos quatro no futebol profissional confirma parte da expectativa criada ainda na base.
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Yamal estreou pelo Barcelona aos 15 anos, em abril de 2023, e rapidamente se transformou em um dos principais jogadores da equipe. Cubarsí estreou no time principal poucos meses antes de completar 17 anos e, pouco depois, foi eleito o melhor em campo contra o Napoli, pela Champions League.
Bernal foi o terceiro do grupo a chegar ao profissional, aos 17 anos, depois de disputar 31 partidas pelo Barcelona B. O meio-campista chamou a atenção de Flick na pré-temporada de 2024/25 e acabou sendo apontado como a solução interna para uma posição que o clube tentava reforçar desde a saída de Sergio Busquets.
Espart foi o último dos quatro a estrear. Na última temporada, disputou seis partidas e começou a ganhar espaço também na preparação seguinte. Com problemas nas laterais, Flick passou a utilizá-lo como lateral-esquerdo nas primeiras rodadas da atual La Liga, e o jovem respondeu com duas assistências e seu primeiro gol pelo clube.
A comparação com Messi, Fàbregas e Piqué
A existência de uma geração tão forte inevitavelmente remete ao grupo de 1987. Messi, Fàbregas e Piqué foram considerados especiais ainda nas categorias inferiores. O ex-treinador Rodolfo Borrell, por exemplo, chamou a atenção de Marcet para Fàbregas quando o meio-campista ainda era pouco conhecido.
“Achava que aquele garoto era como Guardiola, só que com faro de gol”, contou o jornalista. Piqué também impressionava. “Nunca vi um defensor marcar tantos gols”, disse Marcet ao recordar os primeiros anos do zagueiro. E havia Messi.
Aquela geração, entretanto, tem uma particularidade que torna a comparação ainda mais curiosa. Apenas Messi chegou diretamente ao time principal do Barcelona entre os três. Piqué deixou a Espanha para jogar no Manchester United, enquanto Fàbregas seguiu para o Arsenal antes de retornar posteriormente ao clube catalão. O grupo de 2007, por outro lado, vem realizando a transição praticamente em bloco.
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“Todos tinham muita fé de que eles poderiam realizar esse sonho, mas não que isso acontecesse tão cedo e com um impacto imediato no futebol de elite”, explicou Puig.
O Barcelona chegou a ter uma escalação formada exclusivamente por jogadores da base em 2012, com Messi, Piqué, Fàbregas, Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol, Valdés e outros. É um dos maiores exemplos da força histórica da La Masia. Mas a geração atual possui uma característica que chama atenção até mesmo quem acompanhou aquele período.
Geração de 2007 é mais completa que a de 1987?
“A geração de 2007 é a mais completa, a mais variada e a mais rica que já vi”, resumiu Marcet.
O jornalista faz, porém, uma distinção importante: para ele, a geração de 1987 era superior em talento puro. O grupo atual, por outro lado, apresenta uma combinação maior de características e posições, com um atacante como Yamal, um zagueiro como Cubarsí, um volante como Bernal e um lateral como Espart já alcançando o time principal.
Há também a quantidade de jogadores que chegaram perto da elite. Andrés Cuenca, Jofre Torrents e Quim Junyent, todos da mesma geração, também eram considerados nomes promissores. Cuenca e Torrents deixaram o Barcelona neste verão, enquanto Junyent se transferiu para o Almería.
A produção da La Masia sob Flick, aliás, vai muito além dos quatro jogadores de 2007. Desde que assumiu o Barcelona, em junho de 2024, o alemão promoveu a estreia de nove jogadores formados na base: Bernal, Espart, Sergi Domínguez, Andrés Cuenca, Toni Fernández, Dani Rodríguez, Jofre Torrents, Dro Fernández e Tommy Marqués.
Xavi Espart, the latest talent from La Masia to debut in the Champions League 😍
Here he is at just 9 years old, playing for Benjamín B! pic.twitter.com/PT2fcyEl5W
— FC Barcelona (@FCBarcelona) March 11, 2026
Yamal e Cubarsí já haviam se consolidado antes da chegada do treinador, enquanto Gavi, Fermín López e Alejandro Balde também fazem parte da geração de jovens formados no clube que ganharam espaço no time principal. Para Marcet, há ainda outro fator que ajuda a explicar o impacto imediato da geração de 2007: esses jogadores parecem ter chegado ao profissional sem se intimidar com o tamanho do Barcelona.
“Essa geração não se sentiu intimidada ao subir para o time principal. Isso é o mais surpreendente. Eles se sentiram mais apoiados por terem companheiros da mesma idade.”
Talvez seja cedo demais para colocar Yamal, Cubarsí, Bernal e Espart ao lado de Messi, Fàbregas e Piqué. Mas a comparação feita pelo “The Athletic” aponta para algo que pode ser tão importante quanto o talento individual: raramente uma mesma geração da La Masia chegou tão cedo ao time principal, em tantas posições diferentes e com tamanho impacto simultâneo.