Espanha

Xavi foi o maior símbolo do tiki-taka e deixa o Barcelona como um dos grandes da sua história

Um dos grandes nomes da história do futebol espanhol deixará o Barcelona, depois de 17 anos atuando no time profissional dos catalães. Xavi Hernández, aos 35 anos, recusou uma proposta de renovação de contrato do clube para acertar com o Al Sadd, do Catar, pelos próximos dois anos, com opção de mais um. Depois da Copa do Mundo de 2014, Xavi já tinha deixado a seleção espanhola como o maior jogador da sua história. No Barcelona, fica marcado como o maestro de um dos maiores times da história do clube, sob o comando de Pep Guardiola. Curiosamente, ele repetirá a trajetória do seu ex-treinador, que também foi jogar no Catar no fim da carreira. Encerra a sua passagem como jogador do clube da Catalunha, mas já pensando em voltar – talvez, como Pep, à frente do banco de reservas.

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Não é difícil compreender os motivos que levam Xavi a querer deixar o clube. Nesta temporada, o meio-campista foi menos utilizado do que estava acostumado. É um reserva de luxo em um time do qual ele não é mais o maestro. Ele é um dos maiores símbolos do tiki-taka, o estilo adotado e aperfeiçoado por Guardiola, que já era usado pela seleção espanhola de Luis Aragonés. No time dos passes incessantes, Xavi era quem ditava o ritmo, quem fazia o time jogar.

Deixou de ser. O fracasso da Espanha na Copa, em um time em crise de identidade, e o seu papel já como coadjuvante no Barcelona, levaram o jogador a sair dos holofotes. Nesta temporada, entrou no time em momentos importantes, mas isso se tornou pouco frequente. Foram 19 jogos como titular, de um total de 30. Em número de minutos, é o 14º jogador que mais jogou, com 2.065 minutos. Fica evidente que mesmo jogando com alguma frequência, normalmente Xavi atua por poucos minutos.  Segue sendo um jogador importante no banco, mas para alguém que teve a importância que ele teve, é difícil se acostumar com esse papel.

“Eu não poderia ter tido uma carreira melhor. Foi uma decisão difícil”, afirmou o jogador, em coletiva de imprensa que anunciou que deixa o Barcelona ao fim da temporada. “O Catar é um projeto empolgante, o tratamento das pessoas tem sido extraordinário”, afirmou ainda o jogador. “Nós fomos visitar o país e gostamos das instalações. Eu só posso falar bem do Catar e é ideal para continuar a minha carreira no futebol”, elogiou ainda o jogador.

“Eu estou esperando para uma conversa com Pep Guardiola, nós temos trocado mensagens. Eu falei com Raúl e eu estou muito empolgado. Tanto meus irmãos quanto a minha irmã estão muito empolgados em estarmos melhor no futuro”, continuou o camisa 6 do Barça. Para ele, o clube continuará vencedor sem ele. “O Barça continuará vencendo, competindo e jogando bem, a história mostrou isso”, afirmou. “Nós temos visto grandes jogadores saírem antes e o clube sempre se reconstrói e continua”, explicou ainda o jogador.

“O Barça trará novos jogadores de dentro e de fora do clube, então eu não acho que será um problema. O Barça vai continuar a ser um grande clube, sem dúvida em relação a isso”, disse. “É difícil dizer quem irá me substituir. Eu entrei com Pep e foi uma grande responsabilidade, então ninguém foi um sucessor para ele e ninguém será um sucessor direto para mim”, continuou. “O time é mais importante que qualquer indivíduo. O time jogou sem mim esta temporada e foi fantástico. Sempre terá jogadores vindos da base neste clube”.

É sabido que Xavi tem o objetivo de se tornar técnico um dia. Poderá repetir a trajetória do seu mentor, Pep Guardiola, com quem jogou o seu melhor futebol, entre 2008 e 2012. O atual treinador do Bayern de Munique se transferiu para o Al-Ahli em 2003, aos 32 anos, quando deixou o Brescia já com problemas de lesão. Foi lá que começou, de fato, a se preparar para a carreira de treinador. Depois, estudou ainda no México e na Argentina, mas Xavi.

O problema para Xavi é que ele é visto como um embaixador para a Copa do Mundo de 2022, que será no país, em meio a uma grande movimentação contrária ao evento. Não parece ser o melhor dos papéis.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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