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Victoria Pavón, presidente do Leganés: “As mulheres são mais do que capazes de jogar bola”

Se hoje o Leganés, um time que tantas vezes relutou para não ir pela ladeira abaixo em divisões inferiores da Espanha, está na elite de uma das principais ligas europeias, muito desse feito inédito tem o toque de Victoria Pavón. Presidente do clube desde 2009, quando os Pepineros enfrentaram uma de suas mais agravantes crises financeiras, ela é um exemplo grandioso e uma enorme referência quando o assunto é a participação da mulher no futebol. E foi sobre isso que ela discorreu em entrevista ao site da Fifa, ao falar sobre o florescimento do futebol feminino e como o esporte tem se tornado frequente na vida das mulheres citando sua própria experiência e história de vida.

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“O futebol tem sido um mundo predominantemente masculino por muitos anos, e isso não vai mudar da noite para o dia. É um meio em que as mulheres exercem funções secundárias na maioria das vezes”, afirmou Victoria. “Antigamente, o futebol não costumava nos interessar muito. Mas agora as coisas estão mudando. As mulheres compartilham seus tempos livres com os homens, e o esporte começou a fazer parte disso. Você vê cada vez mais mulheres nos estádios”, acrescentou. “Mulheres têm alcançado grandes coisas em todos os lugares. Elas têm se tornado rainhas e presidentes dos países, além de estarem ocupando grandes cargos em empresas multinacionais”.

Pavón não é a única presidente do sexo feminino em La Liga. O Valencia é presidido por Chan Lay Hoon, e quem está por trás do sucesso do Eibar na temporada também é uma moça, chamada Amaia Gorostiza. “Há duas temporadas, quando fomos promovidos para a segunda divisão, aconteceu que outro clube, o Llagostera, também era dirigido por uma mulher. Antes de jogarmos contra eles, a mídia ficou um pouco entusiasmada com essa ideia de mulheres à frente de ambos os clubes, fazendo coberturas constantes nesse sentido. Mas este ano, quando jogamos contra o Valencia, não fizeram barulho em torno disso. Foi visto como uma ocorrência normal, em vez de um grande evento”.

Não foi só o número de mulheres na gestão esportiva em clubes da primeira divisão espanhola que cresceu nos últimos tempos. O futebol feminino no país, também. A seleção feminina da Espanha participa da Copa Algarve pela primeira vez, e, logo em sua estreia, derrotou o Japão, que é vice-campeão da Copa do Mundo. Agora, enfrenta as canadenses na final do torneio. Esse sucesso é um reflexo da atenção que a federação estão dando para a modalidade. A Liga Iberdrola está crescendo bastante, com estrelas do futebol feminino ajudando o nível do campeonato alavancar. Além disso, o incentivo dos clubes têm sido fundamental para esse crescimento. O Valencia e o Atlético de Madrid, por exemplo, anunciaram nesta semana que partidas de suas equipes femininas serão realizadas em seus estádios.

No fim do ano passado, o Leganés anunciou que, enfim, contará com um time formado por garotas a partir da próxima temporada. A limitação financeira impossibilitava esse projeto, mas um acordo entre os Pepineros e as forças políticas locais o tornará possível em breve. Ainda não foi definido como acontecerá essa formação de uma equipe feminina, mas é provável que aconteça uma fusão entre o clube e algum time composto por mulheres já existente, como aconteceu aqui no Brasil entre o Flamengo e a Marinha e o Corinthians e o Audax. E, em entrevista ao Marca, Victoria garantiu que as jogadoras terão os mesmos direitos que os jogadores do time masculino. Jogarão em Butarque e se prepararão para as partidas no centro de treinamento do Leganés.

“O futebol feminino está crescendo. As garotas que hoje jogam bola trabalharão nos bastidores do esporte futuramente, como técnicas, analistas de desenvolvimento e etc. Por anos, faltou esse conhecimento essencial e treinamentos para as mulheres. Mas hoje, certamente, elas são mais do que capazes de jogar futebol”, falou Victoria, que se mostra convencida de que as mudanças de fato estão acontecendo para as mulheres que trabalham e estão envolvidas com o esporte, apesar de suas capacidades constantemente serem colocadas à prova. “Quando você é mulher, você tem que provar que não está apenas lá para decoração. E você tem que trabalhar um pouco mais”.

Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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