Espanha

‘Isso não pode acontecer’: Ex-Barcelona aponta principal problema do time

Defesa exposta, expulsões recorrentes e linha alta voltam a custar caro ao time catalão em eliminação na Champions

A queda do Barcelona nas quartas de final da Champions League, diante do Atlético de Madrid, reacendeu um debate que já não é novo no clube catalão: até que ponto o modelo de jogo compensa os riscos que assume? Para Samuel Umtiti, a resposta passa diretamente por um setor que voltou a falhar em momento decisivo — a defesa.

O ex-zagueiro francês, que conhece bem o ambiente do Barça após anos vestindo a camisa culé, foi direto ao ponto ao analisar a queda diante dos colchoneros.

— Todos pensavam que o Barça venceria o Atlético com facilidade. Continuo decepcionado com esta equipe, especialmente com a atuação da sua linha defensiva, que recebeu dois cartões vermelhos em dois jogos — afirmou.

A crítica encontra respaldo no que foi visto em campo. Embora o Barcelona tenha produzido volume ofensivo suficiente para conseguir a classificação, o comportamento defensivo comprometeu qualquer margem de erro. A equipe de Hansi Flick se expôs em momentos-chave e, mais uma vez, pagou o preço por uma abordagem que exige execução quase perfeita.

— Eles se metem em encrenca e quase sempre acabam do mesmo jeito. E você percebe que sim, eles correm riscos jogando com uma linha defensiva muito alta, mas percebe também que toda vez que há um ataque do adversário, eles chegam atrasados, e cada atraso custa caro e termina com um cartão vermelho. Isso não pode acontecer — completou.

Por que a linha alta do Barcelona é problemática?

Sob o comando de Hansi Flick, o Barcelona adotou uma identidade clara: pressão alta, bloco adiantado e tentativa constante de encurtar o campo. A ideia é dominar territorialmente o adversário, mas o custo dessa escolha tem sido cada vez mais evidente. Ao empurrar a linha defensiva para frente de maneira agressiva, o time abre espaço às costas — um convite para transições rápidas.

Foi exatamente esse o caminho explorado pelo Atlético de Madrid. Com um plano de jogo disciplinado, a equipe apostou em bolas longas e ataques em velocidade, colocando os defensores do Barcelona em situações de um contra um, muitas vezes sem cobertura. Nesse tipo de cenário, qualquer erro de tempo ou posicionamento se transforma em uma emergência — e, frequentemente, em falta.

O cartão vermelho de Eric García sintetiza esse problema. Ao ser obrigado a interromper uma chance clara de gol, o zagueiro apenas repetiu um padrão que já se tornou recorrente. Nas últimas três edições de Champions, o Barça acumula quatro expulsões em jogos de mata-mata — duas delas diretamente ligadas a eliminações. Considerando também a fase de grupos, são sete cartões vermelhos no período.

Com Flick, o cenário se intensificou. Em sua gestão, já são cinco expulsões na competição, sendo quatro diretas, em lances de obstrução de oportunidade clara. Trata-se de uma consequência direta da forma como a equipe se posiciona sem a bola.

Momento da expulsão de Eric García
Momento da expulsão de Eric García (Foto: Alberto Gardin / Imago)

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Leitura de Umtiti sobre Barcelona faz sentido

— Isso os coloca em uma posição difícil, porque acho que se as duas partidas tivessem sido disputadas com 11 contra 11, o Barça teria vencido ambas, então estou um pouco decepcionado. O Atlético é muito sólido. Eles têm um time muito bom que não valorizamos o suficiente este ano, porque na Espanha sempre respeitamos mais o Real Madrid e o Barça — analisou Umtiti.

A leitura do francês também amplia o contexto da eliminação. Do outro lado, havia um adversário confortável em explorar exatamente esse tipo de fragilidade. O Atlético de Madrid não precisou dominar a posse ou assumir riscos desnecessários — bastou manter eficiência nas transições para transformar os erros do rival em vantagem concreta.

Esse contraste evidencia um dilema para o Barcelona. A proposta de jogo é ambiciosa e, em muitos momentos, eficaz. No entanto, quando a execução falha — especialmente no timing defensivo —, as consequências são severas. Em competições de mata-mata, onde os detalhes definem o destino das equipes, esse tipo de vulnerabilidade tende a ser decisivo.

Enquanto não encontrar um equilíbrio entre agressividade e controle, o Barça seguirá exposto a um problema que já deixou de ser pontual — e que, como destacou Umtiti, continua custando caro nos momentos mais importantes da temporada.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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