A conquista da Copa do Rei marcava um aviso claro do Atlético de Madrid. Os colchoneros estavam prontos para afastar o rótulo de freguês do Real Madrid, de time sem competitividade. As boas atuações na Supercopa, contra o Barcelona, reforçaram a capacidade do time de Diego Simeone para desafiar os gigantes do país. E a prova definitiva deste poderio veio neste sábado, outra vez no Santiago Bernabéu. Vitória por 1 a 0 sobre os merengues, a sétima seguida em La Liga. Como não acontecia há tempos, o Atleti se coloca como um dos grandes favorito ao título.
Os sinais de amadurecimento do time de Diego Simeone são dados há quase dois anos, com a campanha incrível dos rojiblancos na Liga Europa. Na temporada passada, o desempenho no Campeonato Espanhol foi notável, assim como o potencial nos mata-matas. E, mesmo perdendo Falcao García, o Atlético demonstrou que a sua consistência é coletiva. Rodada após rodada, o clube foi batendo quem aparecesse no seu caminho. O Real Madrid, para seu desgosto, foi a nova vítima. Pela primeira vez desde o Villarreal em 2007/08, um time se intromete no duelo particular de Real e Barça na Liga.
A atuação do Atlético neste sábado repetiu a fórmula do sucesso vista na final da Copa do Rei. A equipe fez um trabalho excelente sem a bola, compactando as linhas de marcação e dando pouquíssimos espaços ao Real. O empenho dos jogadores era o principal trunfo da equipe, que também tinha rápida saída de jogo. E graças a um esforço defensivo, o desarme de Filipe Luís sobre Ángel Di María, é que Diego Costa conseguiu abrir o placar.
O Real Madrid, por sua vez, voltou a apresentar algumas das debilidades constantes sob o comando de Carlo Ancelotti. O time mantinha a posse de bola, mas tinha pouca profundidade. Mesmo Cristiano Ronaldo não aparecia para o jogo, atuando longe demais da área. Enquanto os merengues ainda tentam se acertar com o novo comandante, o Atleti vive o auge do entrosamento no esquema armado por Simeone. E os rojiblancos forçaram um jogo pesado, cheio de faltas e de momentos de tensão, que não foram bem contornados pelos anfitriões.
No segundo tempo, o Real até melhorou. Luka Modric e Gareth Bale foram a campo, substituindo Ángel Di María e Asier Illarramendi. Contudo, o desenvolvimento do time se dava mais pelo afrouxamento do Atlético na marcação do que pelos próprios méritos. E, do outro lado, Diego López continuava a trabalhar. Mais uma vez, o goleiro foi o melhor homem em campo dos blancos, realizando três defesas importantes. E, quando o arqueiro não pôde fazer nada, o travessão evitou que Koke anotasse um golaço.
Na base do desespero, o Real Madrid ainda tentou arrancar o empate nos últimos minutos, sem sucesso. Álvaro Morata saiu do banco e fez mais do que os atacantes que começaram a partida, mas nada suficiente para que o placar fosse modificado. Os blancos veem os rivais abrirem cinco pontos de diferença na tabela, algo que os € 139,5 milhões a mais que gastaram com reforços nesta temporada estão longe de sugerir.
Enquanto isso, o Atlético de Madrid reforça a imagem de time pronto para grandes feitos. Se na final da Copa do Rei o clube quebrou um jejum de 14 anos sem ganhar um dérbi, agora encerrou a pior sequência contra os rivais em La Liga. O melhor início do clube na história da competição, que alimenta os sonhos que os colchoneros mantêm desde 1995/96: a reconquista da Espanha. Com tamanha consistência, não há como duvidar.
Formações iniciais
Destaque do jogo
Diego Costa. A atuação do centroavante foi grandiosa não só pelo gol, mas pela forma como incomodou a defesa do Real Madrid. O camisa 19 encarou com os zagueiros, discutiu com Diego López e contribuiu bastante para o estilo direto de sua equipe. Foram oito faltas recebidas, quase metade das 17 cometidas pelos merengues. Além disso, o brasileiro forçou três defesas de Diego López e deu um passe para finalização de Arda Turan.
Momento chave
A defesa de Courtois, aos 39 do segundo tempo. O goleiro não teve uma atuação tão decisiva quanto na Copa do Rei, mas evitou o empate do Real Madrid no fim do jogo. Morata acertou um voleio à queima-roupa, mas o belga conseguiu espalmar. No rebote, Miranda afastou.
Os gols
11’/1T – GOL DO ATLÉTICO DE MADRID! Di María dá bobeira na saída de bola e é desarmado por Filipe Luís. A bola sobra com Koke, que explora o espaço deixado por Arbeloa e enfia para Diego Costa. O centroavante só tem o trabalho de tirar do alcance de Diego López.
Curiosidade
O Atlético de Madrid nunca havia vencido duas partidas consecutivas no Santiago Bernabéu. Já as duas últimas vitórias seguidas no estádio do Real Madrid haviam acontecido em 1920 e 1921, no antigo Campo de O’Donnell, aposentado pelo clube dois anos depois.







