Espanha

Um início empolgante

Dois jogos querem dizer muito pouca coisa. Ainda não há tempo de um sistema se desgastar e alguns acasos podem ter resultados surpreendentemente bons em curto prazo. De qualquer maneira, os primeiros sinais do Real Madrid na temporada 2007/8 foram bastante positivos. O futebol ofensivo tem saído. O sentido coletivo também. As vitórias são conseqüências naturais. E a torcida já começa a sonhar com vôos altos.

A vitória sobre o Villarreal foi um exemplo. Os merengues foram ligeiramente inferiores no primeiro tempo, mas conseguiram segurar o adversário e sair na frente. No segundo tempo, a partir do segundo gol, o Real fez o Submarino Amarillo se abrir e pôde controlar a partida como bem entendesse. Os gols surgiram com uma naturalidade rara no El Madrigal e os 5 a 0 para os madridistas assustam pela facilidade com que foram construídos.

O jogo se mostrou tão fácil que todo mundo jogou bem. Van Nistelrooy deixa cada vez mais claro que foi uma das contratações mais acertadas do clube de Chamartín nos últimos anos. Raúl também está bem, sobretudo porque Sneijder tira um pouco sua responsabilidade de criar jogadas. Robinho anda um pouco mais apagado, mas nada que salte aos olhos.

No entanto, a principal surpresa – e a que mais tem ajudado o Real nesse início de Campeonato Espanhol – é o rápido entrosamento entre Guti e Sneijder. Ambos parecem jogar no mesmo ritmo, o que acaba sendo transmitido para o resto do time. Não à toa Sneijder é o artilheiro do campeonato em duas rodadas e Guti cresceu bastante de rendimento em relação ao seu padrão.

Curiosamente, a formação do meio-campo madridista foi diferente contra Atlético de Madrid e Villarreal. No clássico madrileno, Guti e Diarra ficaram na marcação, enquanto que Sneijder e Robinho foram os meias externos. Contra o Villarreal, Sneijder jogou mais pelo meio. Sinal de que o técnico Bernd Schuster ainda tateia na busca pela melhor formação para o Real. Mas é um sinal também de que a equipe, se bem comandada, pode ter variações táticas que funcionam.

Claro que ainda há algumas questões a serem resolvidas. Com Guti, Sneijder e Robinho (ou Robben), o meio-campo madridista é muito leve. Ao mesmo tempo que isso dá velocidade e grande poder ofensivo, deixa o time mais vulnerável contra um adversário de jogo mais intenso, que ponha pressão sobre os volantes (no caso, Diarra ficaria sobrecarregado). Além disso, Schuster tem um histórico de montar times que explodem no início da temporada e caem de ritmo na segunda metade do campeonato e Guti já mostrou ter grande capacidade técnica, mas não seria inédito se entrasse em má fase no momento que a empolgação do time diminuísse.

De qualquer modo, o Real já sai na frente na corrida por ser a boa nova desse início de temporada. Ainda não dá para dizer que o futebol bonito, ofensivo e vencedor já retornou ao Santiago Bernabéu, mas os primeiros passos despertam otimismo justificável.

Catalunha vai para o choque
Em outubro, o único jogo de seleção que a Espanha deveria pensar é o confronto decisivo entre a Fúria e a Dinamarca em 13 de outubro pelas eliminatórias da Eurocopa. Bem, esse duelo é realmente o grande destaque, mas não o único. Mas um outro jogo ganhou uma importância maior do que o esperado e acabou dividindo parte das atenções. Para 15 de outubro, a Federação Catalã de Futebol marcou o amistoso Catalunha x Estados Unidos no estádio Olímpic Lluis Companys (Montjuïc), em Barcelona.

A atitude foi encarada como um desafio dos catalães à RFEF. O único período em que a federação espanhola autoriza a realização de amistosos das seleções autonômicas (Catalunha, País Basco, Andaluzia, Galícia, Múrcia, Valência, Navarra e Aragão já têm as suas) é a semana entre Natal e Ano Novo. Esse período é propício porque não atrapalha a seleção espanhola ou os clubes, pois há recesso para as Festas.

Cada vez menos a Catalunha está disposta a aceitar essa limitação. Desde que Jordi Roche assumiu a presidência da federação catalã, a entidade tem procurado contrariar a RFEF. Ano passado, catalães e bascos disputaram, em 8 de outubro, um amistoso que se transformou em um grande evento pró-autonomia das duas regiões. Chegou-se a se falar em separação completa da seleção catalã, que participaria de competições internacionais oficiais.

É evidente que Roche quer usar os amistosos fora de época da Catalunha como manifestação política. No entanto, ele sabe bem que há motivos financeiros para isso. As federações das regiões autônomas – que, basicamente, organizam competições locais quase amistosas (como a Copa Catalunha) e a partir da quinta divisã, que já é regional – da Espanha sobrevivem com o repasse de dinheiro da federação espanhola. Nos últimos anos, os amistosos de suas seleções surgiram como importante fonte de renda.

Ciente dos perigos que representa a autonomia financeira das federações autonômicas, a RFEF vetou o amistoso entre catalães e norte-americanos. A federação catalã não gostou e alega que prometera não convocar nenhum jogador da Fúria para o jogo. Mas essa briga está longe de terminar.

CURTAS

– Passando a régua: o mercado de verão na Europa foi encerrado. Então, é momento de repassar todas as transferências de clubes da primeira divisão espanhola. Bom para você atualizar seu Winning Eleven ou Fifa Football. Clique aqui e veja a página de Espanha na seção de mercado do FutebolEuropeu.com.br.

– A principal notícia é: não houve notícia. Nenhuma das transações esperadas se concretizaram, sobretudo as saídas de Daniel Alves e Riquelme de Sevilla e Villarreal.

– Alguém deve ter pensado: “o que os espanhóis estão fazendo para investigar a morte de Puerta?” Por enquanto, o clima não é de caça às bruxas e tudo tem sido muito discreto.

– Contra o Villarreal, Sergio Ramos levantou sua camisa para mostrar uma camiseta com homenagem a Antonio Puerta, amigo desde que jogaram juntos nas categorias de base do Sevilla, na comemoração de um gol. O árbitro Luis Medina Cantalejo (que é de Sevilha) não se sensibilizou e cumpriu a regra: cartão amarelo para o defensor do Real Madrid.

– A comissão de competições da RFEF retirou a advertência a Sergio Ramos.

– Veja a seleção Trivela da 2ª rodada do Campeonato Espanhol: Toño (Reacing de Santander); Miguel (Valencia), Metzelder (Real Madrid), Álvaro (Levante) e Abidal (Barcelona); Borja (Valladolid), Guti (Real Madrid), Sneijder (Real Madrid) e Ronaldinho (Barcelona); Luis García (Espanyol) e Van Nistelrooy (Real Madrid)

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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