
O Milan adoraria voltar a 2007. Aquele foi o último ano de grandes glórias para os rossoneri, coroados na Liga dos Campeões pela sétima vez. Kaká também. O meia foi o craque na conquista dos italianos, artilheiro da competição continental e eleito o melhor do mundo. Repetir o sucesso daquele ano parece um sonho distante tanto para o clube quanto para o jogador. Porém, a busca por um pouco de felicidade é o motiva outra vez o casamento entre Milan e Kaká, selado nesta segunda-feira.
Já se passaram quatro anos desde a contratação bombástica feita pelo Real Madrid. Por € 65 milhões de euros, o brasileiro aportou no Santiago Bernabéu cotado como concorrente direto de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo à Bola de Ouro. O tempo na Espanha não fez bem a Kaká, que aos poucos se distanciou dessa realidade, por conta das lesões e dos conflitos com José Mourinho. E, convenhamos, faltou também o futebol que a torcida e provavelmente ele mesmo esperava jogar.
Em suas quatro temporadas com o Real Madrid, Kaká teve média de 30 partidas por ano. Seu recorde aconteceu em 2011/12, quando esteve em campo 40 vezes, mas apenas 25 delas como titular. A média de gols ficou em 7,25 por temporada, enquanto a de assistências não foi além de 8. Números distantes de seu quatriênio anterior, com o Milan. Com a camisa rossonera, em média, foram 43,5 partidas, 18 gols e 9 assistências. Uma diferença que ajuda a representar a queda de produtividade, o craque que se transformou em peça comum.
A última cartada de Kaká em Madri era a chegada de Carlo Ancelotti. Porém, não foi com o técnico que o meia teve a almejada volta por cima no Bernabéu. Pelo contrário, a concorrência em seu setor aumentou consideravelmente. Era a hora de buscar outro clube, por mais que o fechamento da janela se aproximasse. Afinal, se Kaká quer mesmo disputar sua quarta Copa do Mundo, dificilmente conseguiria permanecendo no Real. Milão é a melhor escala para ir ao Mundial.
No Milan, Kaká volta como rei. Os rossoneri têm consciência que muito mudou, mas o meia é justamente o craque que falta na equipe de Massimiliano Allegri. A venda de Kevin-Prince Boateng deu a brecha para a sua chegada, encaixando-se perfeitamente para fazer a ligação entre meio-campo e ataque. O craque pode ser a diferença em um clube que parecia fadado a seguir atrás da Juventus, assistindo ao crescimento de Napoli e Fiorentina de mãos atadas. Vai ser recebido de braços abertos pela torcida, que deve ser mais tolerante à recuperação de seu antigo ídolo.
O desfecho da história de Kaká com o Real Madrid pode não ser dos mais felizes financeiramente, já que os merengues não ganham nada com o negócio e o brasileiro deve cortar seu salário pela metade – de € 10 milhões para € 4 milhões anuais e mais um bônus por resultados, segundo a Gazzetta Dello Sport. Esportivamente, porém, as vantagens são inegáveis. O Real abre espaço para sua renovação. O Milan ganha um jogador para fazer a diferença ao lado de Mario Balotelli. E Kaká tem a esperança de uma nova guinada em sua trajetória, recuperando parte daquele prestígio deixado em San Siro quatro anos atrás.
O antes e o depois de Kaká
Os números nos últimos quatro anos com o Milan e nos quatro com o Real Madrid



