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Insatisfação, protesto e sabotagem

Os horários dos jogos no Campeonato Espanhol não têm agradado muita gente, especialmente os torcedores. Lá, como cá, os jogos muitas vezes começam tarde em função das transmissões das emissoras de TV.

Apesar da insatisfação geral, a única torcida que se mostrou claramente contrária e se manifestou a respeito da questão foi a do Rayo Vallecano, curiosamente o time que enfrentaria o Real Madrid no domingo às 21h30, mas o jogo teve que ser adiado porque parte dos cabos de luz da rua do estádio foram cortados, assim como cabos da própria iluminação do estádio de Vallecas. O incidente foi considerado uma sabotagem pelo presidente do clube.

Jogos na Espanha têm sido disputados com frequência em horários considerados um desrespeito aos torcedores, começando muito tarde, mesmo em fins de semana. O Barcelona, por exemplo, jogará no sábado, dia 29 de setembro, às 22h contra o Sevilla no Ramón Sánchez Pizjuan. No domingo, o Espanyol receberá o Atlético de Madrid às 21h30. O jogo que fecha a rodada, na segunda-feira, será entre Getafe e Mallorca, novamente às 21h30.

Desde o início da temporada, os torcedores levam a campo cartazes pedindo respeito aos torcedores e horários apropriados de início dos jogos. Os jogos às segundas-feiras, especialmente, são condenados pelos torcedores pelo seu horário – início às 21h30.

Os protestos são comandados pelos Bukaneros, torcida organizada (na Europa chamados de Ultras) do Rayo Vallecano, que já mostrou força em outras vezes. Na temporada passada, o presidente Raul Martin Presa anunciou que cobraria € 20 a mais nos jogos em casa com Barcelona e Real Madrid, usando como desculpa que seria o “día del club”, uma data escolhida para ser um dia “especial” no calendário dos jogos em casa. Os torcedores, revoltados, protestaram dizendo “Presa, € 20! Sua mãe custa isso!”.

Nesta temporada, os torcedores organizaram um protesto: não ir ao jogo de abertura da temporada, justamente em uma segunda-feira, às 21h – uma vitória contra o Granada por 1 a 0. A ausência de torcedores foi sentida no público total: foram nove mil pagantes na estreia. No jogo seguinte em casa, uma partida com o Sevilla em casa em um domingo, às 12h, o público foi de 14 mil pessoas. Os torcedores chamaram o vice-presidente da LFP (Liga de Fútbol Profesional), Javier Tebas, de mafioso. E seguiram protestando por horários apropriados para os jogos.

Naquela partida, o local onde os Bukaneros ficam normalmente foi deixado vazio como forma de protesto. E foi combinado entre os torcedores que nem se uma bola caísse ali os torcedores entrariam naquele espaço. O local, normalmente o mais apaixonado e que mais apoia o time, estava vazio. Uma mensagem clara aos dirigentes. Clara também porque diversas faixas e cartazes foram levados e mostrados no estádio de Vallecas.

No jogo que acabou sendo disputado nesta segunda-feira, após o adiamento, as suspeitas de sabotagem levantadas pelo presidente, Presa, não citou torcedores. Mas especula-se que os próprios fanáticos pelo Rayo cortaram os cabos para impedir o jogo. Era uma forma de chamar a atenção em um jogo contra um dos pesos pesados da Liga, que é quem recebe a maior atenção dos veículos de imprensa.

Os Bukaneros negaram participação dos seus membros na sabotagem. O que fica claro, porém, é que a insatisfação pelos horários de jogo na Espanha só crescem. E a tendência é que os protestos fiquem ainda maiores e mais fortes.

Protestos da torcida do Rayo no jogo contra o Real Madrid
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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