Espanha

Tito, o banco, o futebol e a vida: Xavi deu uma ótima entrevista sobre sua carreira no Barça

Até virar um dos melhores e mais vitoriosos meias da sua geração, Xavi passou por muita coisa. Foi reserva, contestado, titular, maestro, craque e líder antes de voltar ao começo da lista na atual temporada. Difícil resumir tudo em uma entrevista, mas depois do seu último jogo pelo Campeonato Espanhol, um bate-papo com o El País chegou perto disso.

Nele, o camisa 6 falou sobre tudo. Do seu começo nas categorias de base, quando escondia o agasalho do clube porque não queria que os colegas soubessem que era jogador do Barcelona, das dificuldades da temporada com Tito Vilanova, da Tríplice Coroa com Pep Guardiola e sua nova realidade, apenas uma opção no elenco de Luis Enrique.

O papo foi franco e muito bem conduzido. Vale a pena ser lido na íntegra neste link, mas separamos os melhores trechos:

Definindo o futebol

Uma bola e alguns amigos. E opa! Um joguinho, uma rodinha, passando a bola, na praia ou no jardim de casa. Dando risadas. Isso é o futebol. Crianças passando a bola no pátio de um colégio. Isso é futebol.

Banco de reservas

É duro, claro. Mas aprendi com outros companheiros que não jogavam, ficavam em silêncio e não criavam problema. Um de meus exemplos sempre foi o goleiro reserva: não jogava nunca e festejava como o titular; de modo que pensei muito em Jorquera, em Pepe Reina, pessoas que trabalham como ninguém e não reclamam, quando sabemos que os jogadores costumam ser muito egoístas. Aprendi com eles. Olha, no Valencia me substituíram faltando 10 minutos e entrei no campo para festejar o gol do Busi. Abracei o Luis Enrique! Ele tinha me tirado e eu não estava com raiva. Mudei o chip e fiz o que me ensinaram quando criança: pensar no grupo.

Van Gaal

Ele me ensinou muito. Sempre me dizia: “Você é melhor que Zidane”. E eu lhe respondia: “Puxa, não exagere, obrigado, mas não exagere”. Tive muita sorte, tive grandes treinadores. Fomos muito injustos com ele, era um grande técnico.

Impossível jogar melhor que no ano da Tríplice Coroa

Até agora foi o melhor ano da história. Por tudo o que envolveu. Pela maneira que desfrutamos, pela forma como ganhamos. Aquele ano foi de pura essência. Nunca se viu melhor futebol que aquele. Até hoje eu penso: é impossível jogar melhor. Ganhamos a Champions de uma maneira contundente. Os anos de Pep não se repetem.

Tito

A Liga do Tito tornou-se muito dolorosa. Era um cara superexigente. “Cem pontos, precisamos fazer cem pontos”, ele nos dizia. Mas foi um ano muito duro, havia um clima de pena constante no vestiário. Conseguimos seguir em frente graças ao nosso nível futebolístico e porque Aureli [Altimira] e Jordi [Roure] deram tudo. Deixavam uma mensagem de voz para nós, dizendo que Tito tinha feito isso, Tito tinha feito aquilo, Tito tinha ligado. Ele esteve muito presente. Eu sempre falava com ele. Um dia me deu um torra! Eu sentia dores, quis jogar e voltei a sentir no jogo contra o Milan. O próximo jogo era contra o Bayern, eu quis jogar e ele me disse: “Se tiver outra recaída, você não joga mais”. Um torra! Ele tinha uma personalidade muito forte.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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