Espanha

Teste de força

A Argentina marcou quando deu. A Argentina bateu quando achou necessário. A Argentina sufocou os meias adversários. A Argentina se dedicou ao amistoso disputado neste sábado em Madri como pôde. Por mais contraditório que pareça, a Espanha agradeceu.

A Fúria já está mais que montada. Aliás, a estrutura se desenha desde a Copa de 2006, quando Luís Aragonés conseguiu fazer a geração de Xavi, Fernando Torres e David Villa praticar um futebol fluido e de personalidade, deixando um pouco de lado os vícios da turma anterior (principalmente Raúl). Aos poucos, nomes como Fàbregas e David Silva ganharam ainda mais espaço e, com o amadurecimento de todos, a equipe estava forte o suficiente para conquistar a Eurocopa em 2008.

Vicente del Bosque assumiu a seleção espanhola com o objetivo de manter essa trajetória. E, como já fizera no Real Madrid dos galáticos no início da década, o técnico tem se destacado por não se destacar demais. Mantém o time na ativa, ganhando confiança em alguns sistemas de jogo, renovando a motivação dos principais jogadores e testando eventualmente alguma revelação.

Tudo muito bom, em teoria. O problema é que ainda falta mais de meio ano para a Copa do Mundo. Estar pronto tão cedo pode levar o time a relaxar, ou a perder seu embalo. Desse modo, é importante sempre ser colocado à prova, encontrar obstáculos que façam o time se sentir desafiado a ponto de manter a concentração. E foi isso o que a Argentina proporcionou.

Del Bosque escalou a Espanha com apenas um atacante, decisão mais comum quando Fernando Torres ou Villa não está disponível (no caso, era o jogador do Liverpool o ausente). No meio-campo, Busquets e Xabi Alonso ficaram mais na marcação, com Xavi, Iniesta e David Silva (sobretudo os dois últimos) se aproximando mais do ataque.

Esse time conseguiu chegar ao intervalo com um gol de vantagem. Um resultado importante considerando o nível de ferocidade da marcação argentina. Até Messi apareceu no combate, tamanha era a determinação sul-americana de sufocar a troca de passes do meio-campo espanhol.

No segundo tempo, como em quase todos os amistosos entre seleções, a partida se tornou uma coisa disforme, uma caricatura de si própria. Os técnicos fizeram substituições aleatórias apenas para testar jogadores ainda pouco familiares à seleção. Neste sábado, foi a vez de Jesús Navas, Negredo e Mata. Messi chegou a empatar, mas Xabi Alonso deu a vitória à Fúria a cinco minutos do fim.

O fato de ter conseguido encarar um rival tecnicamente forte em um duelo quase em clima de competição é positivo para a Espanha. São esses desafios que a equipe precisa para permanecer concentrada até junho de 2010. Afinal, a equipe é uma das candidatas ao título. E, para confirmar tal condição, precisará lidar com esse tipo de duelo.

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Equipe Trivela

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