Espanha

Temporada 2008/9 já começou

Finalmente, acabou. A temporada 2007/8 do Barcelona foi longa, quase uma procissão, mas, enfim, já é passado. Em três dias, os culés perderam as chances matemáticas de conquistar o Campeonato Espanhol e foram eliminados da Liga dos Campeões. Desse modo, não há mais nada a disputar, a não ser cumprir tabela e evitar uma improbabilíssima perda de vaga na próxima LC.

Em outras palavras, é momento de ação. Não adianta mais tergiversar, não há mais motivos para fingir que não há uma crise de relacionamento. O Barcelona precisa mudar, e muito, para a próxima temporada. Quanto antes começar, mais tempo terá para fazer um trabalho bem feito, com negociações cuidadosas e sem tantas interferências políticas.

A primeira atitude é diretiva. Joan Laporta precisa tomar as rédeas do clube. No caso, assumir a autoria da reformulação, bancando as alterações diante de torcida e imprensa. Há o evidente risco de, se algo der errado, o presidente do Barcelona se queimar às vésperas de eleições. Mas é algo necessário em um clube sem comando, em que todos fazem o que bem entende.

A partir daí, é preciso identificar quem deve ficar e quem deve sair. Rijkaard e Ronaldinho são os dois alvos mais óbvios. Mas há mais gente para sair. Zambrotta já é veterano e não tem muito a acrescentar a um clube em que não se encontrou. A falha no gol do Manchester United que desclassificou o Barça da LC serve apenas de uma motivação a mais para liberar o italiano. Thuram é outro que pode deixar Les Corts, até pela necessidade de renovar o elenco. Outros jogadores que não estão felizes na Catalunha e têm mercado internacional, como Deco e Rafa Márquez, também poderiam sair.

Se a política for mais radical, o Barcelona poderia até vender alguns jogadores que pouco contribuem tecnicamente, como Ezquerro e Gudjohnsen, e outros como Eto’o e Henry. No caso dos dois últimos, seria um meio de mostrar real intenção de criar um novo projeto, praticamente do zero. Eto’o tem o apoio quase incondicional de Laporta, mas ficou evidente que ele exerce um poder de valor duvidoso nos vestiários. Henry não teve um grande desempenho e, por ainda ter mercado, seria um meio de o clube ganhar alguns milhões.

Com a lista de negociáveis fechada, a diretoria tem uma certa previsão do quanto poderá gastar em reforços. Não é pouco, ainda mais se os nomes mais midiáticos do atual elenco blaugrana estiverem envolvidos. Se não tiver pudor em investir em quantidade, dá para remontar o elenco e, com a base que permanecer (Xavi, Messi, Iniesta, Bojan, Puyol, Valdés…), dá para ter um time razoável para a temporada 2008/9 e competitiva dali para frente.

É um processo trabalhoso, pela cobrança que envolve, pelas medidas duras e impopulares que exige e pelas especulações que a imprensa soltará a cada dia. Tudo isso pode tirar o foco da diretoria, que terá de se esforçar muito para não repetir o erro de um ano atrás: fingir que ia mudar, mas manter tudo como estava e agravar os problemas.

Depor sobe com todo mundo atrás

Desde que teve início o segundo turno do Campeonato Espanhol, o Deportivo de La Coruña é o time e melhor campanha, com mais pontos até que o líder isolado Real Madrid e o ascendente Villarreal. Por trás dessa incrível recuperação, está o trio Pablo Amo, Coloccini e Manuel Pablo, que deram nova vida à defesa galega.

O surgimento desse trio está ligado à percepção do técnico Miguel Ángel Lotina que a defesa era o ponto fraco do Depor. Dois jogos após a derrota por 4 a 3 para o Villarreal, na última rodada do primeiro turno, o treinador decidiu formar a defesa com três zagueiros. Desse modo, imaginou, poderia dar mais proteção ao gol de Aouate e acabar com a média de mais de 1,5 gol sofrido por partida.

Deu certo. O esquema não esconde a preocupação defensiva. Na estréia da linha de três, o time de A Coruña jogou em 3-4-3, mas poucas rodadas depois se estabilizou no 5-4-1. Assim, a defesa tem um líbero, dois centrais e dois laterais. O meio campo é em linha de quatro. O sistema sobrecarrega o único atacante, mas deu liberdade para os laterais avançarem sem tanto receio.

Não é um esquema dos mais ousados, como o Deportivo não pode ser com o elenco que tem em mãos. De qualquer modo, assumindo suas limitações e a necessidade de estancar a sangria defensiva, os galegos fecharam sua área. A média de gols sofridos caiu pela metade e as vitórias começaram a aparecer. Com o tempo, o time ganhou confiança e embalou.

Para quem era dado como forte candidato ao rebaixamento, a campanha atual pode ser dada como bem-sucedida. O Deportivo tem aspirações na Copa Uefa e já está inscrito para a Copa Intertoto. Um retorno à Europa pode fazer o clube relembrar de seu passado recente glorioso, mas que parecia distante.

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Equipe Trivela

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