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Temor na Espanha: “Se falharmos economicamente, Premier League pode ser a NBA do futebol”

Financeiramente, nenhuma liga do mundo se compara à Premier League. Em contrapartida, os clubes ingleses estão um patamar abaixo de Barcelona e Real Madrid quando o assunto é gerar receitas. A supremacia permite que os gigantes se recheiem de craques, o suficiente para manter os holofotes sobre si – pelo sucesso em campo, mas também fora dele. No entanto, apesar da locomotiva que puxa o resto do campeonato, os espanhóis se preocupam com crescimento do Inglês. E quem diz isso é Javier Tebas, presidente de La Liga. Em 2013/14, a Premier League gerou receiras de £3,26 bilhões, 2,15 vezes o total de La Liga.

No momento em que a competição trabalha para dividir melhor o seu dinheiro da TV, historicamente concentrado em Real e Barça, o dirigente aponta para a possibilidade de incrementar as fontes de renda. Uma maneira não apenas de perder destaques para a Inglaterra (o que acontece já há algum tempo com as equipes médias), mas também de não colocar em risco a competitividade dos espanhóis nas competições continentais. A intenção é evitar que a Premier League se torne uma “NBA do futebol”, preocupação já manifestada pelo presidente do Saint-Étienne.

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”Esperamos crescer, então a Premier League não se tornará a maior liga do mundo e nós poderemos chegar ao mesmo nível econômico. Não queremos que a Premier League lidere um passo à frente do resto. Se falharmos em competir economicamente, a Premier League pode se tornar a NBA do futebol e isso não será bom para nós, não para o esporte. Planejamos trabalhar duro no mercado de direitos de TV e nos acordos comerciais para fazer dinheiro”, declarou Tebas.

Embora não conte com a força econômica de países como a Inglaterra ou a Alemanha, a Espanha possui apelo no mercado internacional graças aos seus gigantes, Real Madrid e Barcelona, assim como pela exposição que consegue nas competições continentais. Neste ponto, o dirigente elogiou a maneira como a maioria dos clubes locais driblou a crise econômica nacional, explorando melhor os talentos.

“A crise econômica fez com que os clubes utilizassem melhor o seu capital selecionando os jogadores. Quando você tem menos, precisa trabalhar para encontrar talentos mais baratos no mercado. No futebol espanhol, isso funciona muito bem. Clubes como Sevilla, Valencia e Villarreal tomam vantagem deste mercado. A crise ensinou o futebol espanhol a trabalhar duro para encontrar talento, independente se a Premier League consegue isso com facilidade”, apontou.

Por fim, Tebas também comentou o sucesso do Leicester na Premier League, e a maneira como isso também pode mudar a mentalidade no futebol local, a partir do exemplo que apresenta.

“A Premier League pode pagar mais dinheiro aos técnicos. Os melhores jogadores ainda estão na Espanha, mas há um risco e é o desafio que precisamos enfrentar. No entanto, o que o Leicester vai fazendo por lá é incrível, literalmente um milagre. Isso demonstra que o futebol não é apenas dinheiro, o que é uma coisa muito positiva”, conclui.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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