
A vida de técnico está longe de ser fácil. Não bastasse a pressão absurda no cargo, ainda há uma rotina estafante de treinos e responsabilidades. Alguns preferem mesmo viver dentro do clube. Mas o uruguaio Julio Ribas, comandante do Cartagena na terceira divisão do Campeonato Espanhol, sequer tem esse direito. Por um imbróglio com a imigração no país, ele precisa se limitar a delegar suas instruções por telefone, direto de sua casa. A mais de 10 mil km de distância do centro de treinamentos do clube.
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Segundo o jornal Marca, Ribas trabalhava na Espanha apenas com visto de turista. A manobra era permitida pelo fato de que ele não possuía vínculo trabalhista com o Cartagena, embora, sem ter as permissões necessárias para dirigir um time da Segunda B, sequer pudesse ficar no banco de reservas – gritando das arquibancadas mesmo. Depois do vencimento de seu visto no país, o treinador foi obrigado a voltar ao Uruguai. Ainda assim, não abandonou a função.
Em Montevidéu, o ex-comandante de Peñarol e Bella Vista passa as ordens, enquanto também tenta conseguir um visto de residência temporária. Já nos vestiários do Cartagena, quem o ajuda a comandar é o próprio filho, Sebastián Ribas, que também é atacante do clube. O problema é que, mesmo se voltar, o técnico já está na mira das autoridades espanholas. Por causa da falta da formação necessária, o Centro Nacional de Formação de Treinadores da Espanha (Cenafe) pretende denunciá-lo quando ele reassumir o posto.
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Apesar da situação desconfortável, o Cartagena promete que Ribas continuará no cargo até o fim de seu contrato, em 2018. Afinal, há interesses escusos por trás de tudo isso: o técnico foi o responsável por levar ao clube um grupo de investimentos de Mônaco, que banca o seu salário integralmente e investe em jogadores. Um jeito dos espanhóis se venderem para não terem as suas contas deficitárias, sob claro risco de falência.
Enquanto isso, Ribas gasta alto com ligações internacionais para orientar os treinos e dirigir o time nas partidas. Informado sobre a situação do time em campo em tempo real, o técnico chega mesmo a instruir as substituições. Só os resultados é que não são tão bons com o novo método: uma derrota, um empate e uma vitória. Após seis rodadas, o Cartagena é apenas o 13º colocado em seu grupo na Segunda B, um ponto acima da zona de rebaixamento. E ainda precisando dar um “auxílio-telefone” ao treinador, responsável por um dos piores inícios de temporada da história do clube.



