A chegada de Tata Martino ao Barcelona representou uma ruptura no clube. Até então, desde que Pep Guardiola havia assumido em 2008, um estilo tinha sido implantado, um estilo interno. Quando Tito Vilanova substituiu Guardiola, manteve a mesma filosofia, tanto por sua eficicência quanto por, assim como Pep, ser cria do Barça. Já o argentino veio de fora, com uma cabeça diferente, e não deixou de lado sua maneira de pensar o futebol para se adequar ao tiki-taka barcelonista. Isso, no entanto, não significou uma queda de qualidade no time. Além de ter possibilitado uma maior variação nas opções de jogada do clube, a mudança tem obtido bons resultados. Martino se tornou neste sábado, ao final do 4 a 1 sobre o Valladolid, o primeiro técnico a vencer seus oito primeiros jogos em La Liga.
O primeiro gol do Barça na partida, marcado por Alexis Sánchez, exemplifica bem que o time de hoje não é o mesmo de Guardiola e Vilanova. O chileno arriscou um chutaço de fora da área e foi feliz na finalização, marcando um golaço. Este tipo de jogada era muito rara na época em que os espanhóis estiveram no comando da equipe. No meio da semana outro gol evidenciou essa mudança: Fàbregas, de cabeça, fez o gol da vitória sobre o Celtic, após Neymar ter sido lançado sozinho em direção ao ataque, enfrentando a defesa escocesa. Tanto o lance do cabeceio quanto o Barça atacar com um homem só nunca foram jogadas do repertório do Barcelona do tiki-taka.
Martino tem, claramente, desde seu começo de trabalho, tentado ampliar o leque de opções da equipe no ataque, para “não se tornar refém” da troca de passes excessiva, como definiu Piqué recentemente. O mérito do argentino está em conseguir fazer essa transição sem causar danos aos resultados obtidos pelo time em campo. O recorde estabelecido por ele hoje prova isso.
Com 100% de aproveitamento, o melhor ataque da competição e a segunda defesa menos vazada, o Barça tem colhido os frutos por apostar em uma renovação de filosofia. A diretoria sabia que, após o vexame contra o Bayern Munique na temporada passada, seria preciso uma mudança de visão para combater a obviedade de seu estilo de jogo, que já passava a comprometer os objetivos do time. E a escolha por Martino para ser o arquiteto dessa transformação se prova cada vez mais acertada.



