é grandalhão, forte e não faz o estilo “zagueiro técnico”. Além disso, perde a cabeça com uma constância maior que o desejável, o que acaba se transformando em divididas duras demais e até em agressões. Isso ficou mais uma vez evidente na última quarta, quando o luso-brasileiro pisou na mão de Messi durante mais uma derrota do Real Madrid para o Barcelona. Mas sabem de uma coisa? A culpa não é só dele.

As características de Pepe são bem conhecidas. Os defeitos foram elencados no parágrafo acima, mas ele também tem a virtude de ser um jogador raçudo, de ter muita determinação na marcação, de ser um eficiente antídoto para times de atacantes trombadores e de poder jogar volante. Além disso, quando está com a cabeça no lugar, até é um zagueiro interessante e com boa noção de posicionamento.

Na soma de problemas e soluções, o zagueiro não é imprestável, inviável para um futebol de bom nível. Aí, a questão é saber como usá-lo, para que suas qualidades sejam aproveitadas sem que os defeitos atrapalhem.

Obs.: deixo claro que não considero Pepe um jogador do nível de exigência que o Real Madrid impõe. Mas, já que resolveram contratá-lo (e pagando muito), é preciso saber como e quando usá-lo.

José Mourinho gostou do desempenho de Pepe como volante no empate por 1 a 1 no returno do Campeonato Espanhol passado (o primeiro da série de quatro em 20 dias). Ele foi importante para anular o toque de bola do adversário e fazer que o Real até tivesse condições de vencer. Desde então, o técnico sempre deu ao jogador uma função importante nos jogos contra o Barcelona: a do cão de guarda do meio-campo que dará a proteção necessária à defesa.

É uma ideia equivocada. O zagueiro-volante até teve bom desempenho em um jogo, mas não significa que ele seja o homem adequado para fazer esse função sempre. Até porque, naquele 1 a 1, o Barcelona não tinha a maior motivação do mundo (o título espanhol já estava quase garantido, aquele jogo servia mais como prelúdio para as decisões nas semanas seguintes).

No geral, Pepe é um jogador pesado e duro demais para enfrentar o jogo do Barcelona. Pode até começar bem as partidas, mas em algum momento não suportará o ritmo do meio-campo catalão e será envolvido no toque de bola. É o momento em que se irrita e se torna mais violento. É também o momento em que os blaugranas aumentam seu domínio e acabam matando os jogos.

Para encarar a leveza do Barcelona, o Real Madrid precisa também estar com defensores leves. Não é na força que se anula o Barcelona. É na esperteza, na antecipação, na leitura rápida do jogo. Além disso, é importante que esses marcadores também saibam sair jogando, para evitar a pressão sob a saída de bola que os meias (e atacantes) barcelonistas impõem.

Em todos esses casos, Pepe não se enquadra. Como xerifão do meio-campo, ele fica sobrecarregado e acaba passando do limite. Ele tem sua parte da culpa por entradas violentas, agressões ou mesmo por falhas técnicas que acabe cometendo. Mas não dá para esperar resultado muito diferente. Se você tem uma bomba em potencial para explodir, não aperte o botão que inicie a contagem regressiva. E o responsável por fazer isso não é o zagueiro-volante.