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Sergio Ramos é impossível! Mais uma vez, o capitão decide para o Real nos instantes finais

Uns dizem que é predestinação. Outros falam em pacto. Há quem creia em iluminação. Eu prefiro reafirmar o talento. Sergio Ramos combina todos os predicados para ser um exímio cabeceador: tempo de bola, impulsão, precisão. Mas, ainda assim, só isso não basta para explicar sua capacidade para decidir jogos nos últimos instantes. E como decide. Uma semana depois de mudar os rumos do clássico no Camp Nou, o capitão revigorou a sua mística. Aos “quarenta e Ramos do segundo tempo”, já nos acréscimos, o espanhol testou para as redes e garantiu a vitória por 3 a 2 sobre o Deportivo de La Coruña, de virada no Santiago Bernabéu.

Em seu último jogo antes da viagem ao Mundial de Clubes, o Real Madrid poupou forças. E o time misto não empolgou muito no primeiro tempo. Até possuía a iniciativa, mas era displicente nas finalizações. James Rodríguez, ganhando outra chance, novamente não agradou. Enquanto isso, o Deportivo, mesmo chegando pouco, assustou mais. O costarriquenho Celso Borges carimbou a trave do compatriota Keylor Navas por duas vezes, mas o zero insistiu no placar até o intervalo.

O Real saiu em vantagem logo aos cinco minutos do segundo tempo. Um chutaço de Álvaro Morata, de fora da área. Só que a alegria merengue duraria pouco no Bernabéu. A partir dos 13 minutos, o Depor precisaria segundos para virar. O empate veio a partir de uma roubada de bola de Andone, batendo a carteira de Casemiro na entrada da área. Carles Gil passou e Joselu acertou um chutaço no ângulo. Logo na sequência, os protagonistas do time visitante voltariam a brilhar. Jogada de Andone, rolando para Joselu tocar por baixo de Navas.

A desvantagem fez Zidane realizar três alterações nos minutos seguintes. Mandou a campo Marcelo, Lucas Vázquez e Mariano. O clima era quente e os jogadores se desentendiam. Mas a virada não tardaria a vir. Sergio Ramos já tinha virado centroavante quando Mariano empatou, aos 39, com cruzamento de Lucas. O goleiro Tyton ia segurando o resultado, com boas defesas. Mas acabou vendido diante da predestinação de Sergio Ramos. Aos 47, Toni Kroos cobrou escanteio em direção à primeira trave e o defensor fuzilou. Lavou a alma dos madridistas. O capitão tem sete gols pelo clube depois dos 40 do segundo tempo, três só nesta temporada.

Mesmo sem exibir um futebol tão exuberante, o Real Madrid vai ao Mundial de Clubes com um moral imenso. O time ainda não perdeu nesta temporada, com 24 partidas de invencibilidade. Juntando também 2015/16, são 35 jogos sem perder, recorde do clube. E isso mantendo os seis pontos de vantagem sobre o Barcelona na liderança do Espanhol. Tranquilidade para se voltar ao Mundial e tentar adicionar mais uma taça ao museu. Se precisar, com a ajuda sempre providencial de Sergio Ramos.

 

 

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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