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Sergi Roberto: de quase descartado a titular e destaque do Barcelona em um ano

Com a saída de Daniel Alves, depois de oito anos em que foi praticamente intocável na lateral direita do Barcelona, o clube catalão, em decisão até certo ponto surpreendente, preferiu não contratar um jogador do mesmo nível para a posição na última janela de transferências. E foi um mercado em que Luis Enrique reforçou todos os setores da equipe. A aposta era que Aleix Vidal e Sergi Roberto dariam conta do recado e, até aqui, isso vem se confirmando. Graças a Roberto.

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Também seria natural que Vidal, mais experiente, boa peça do Sevilla, saísse à frente do jovem que, um ano atrás, estava um passo de deixar o Barcelona. Mas tudo mudou muito rapidamente para o garoto de La Masia, atualmente titular da equipe, recém-convocado para a seleção espanhola e principal garçom do Campeonato Espanhol nas seis primeiras rodadas com quatro passes para gol. Dois deles saíram no último sábado, na vitória por 5 a 0 sobre o Sporting Gijón, quando ele assistiu os tentos de Rafinha e Arda Turan com dois bons cruzamentos.

Sergi Roberto subiu efetivamente ao time principal do Barça na temporada 2013/14. Antes, fazia aparições apenas esporádicas, em jogos irrelevantes da Champions League ou na Copa do Rei. Era meia, às vezes atuava pelo lado do campo e, em dois anos, foi muito pouco utilizado. Somou 45 partidas nesse período, apenas 16 como titular, sendo que nove delas foram nas primeiras fases da Copa do Rei, quando os catalães costumam usar times reservas e cheios de jovens.

Em 2014, seu contrato foi renovado até 2019, mas, no verão de 2015, ele foi avisado, por meio de seu agente, que estava na hora de procurar um novo clube. Segundo o jornal catalão Sport, acabou ganhando uma prorrogação no Camp Nou por causa da punição que impediu o Barcelona de contratar jogadores naquele verão. No entanto, em janeiro, chegariam Arda Turan e Aleix Vidal, e Sergi Roberto certamente iria embora. Seu empresário tinha quatro meses para definir seu novo destino.

Temporada nova, vida nova. Daniel Alves sofreu uma leve lesão no começo do campeonato, e Luis Enrique colocou Sergi Roberto na lateral direita. Ao longo dos meses seguintes, utilizaria-o em várias posições, de volante a ponta direita, de meia central a lateral esquerdo. Ficou satisfeito com seu desempenho e sua versatilidade, tanto que a saída em janeiro foi abortada. Em 2015/16, jogou 49 jogos, mais que nos dois anos anteriores inteiros, e 31 como titular.

Em março de 2016, ganhou sua primeira chance na seleção espanhola, com 60 minutos em amistoso contra a Romênia. Foi titular no primeiro jogo oficial da campeã mundial de 2010 depois da Eurocopa, deixando Dani Carvajal, do Real Madrid, no banco de reservas. Marcou um gol na vitória por 8 a 0 sobre Liechtenstein.

Ganhou a confiança de Luis Enrique, que preferiu não trazer novos jogadores para a lateral direita, e neste começo de temporada, está à frente de Aleix Vidal, que não ficou sequer no banco de reservas nos últimos quatro jogos do Barcelona – voltou a ser relacionado para o duelo da Champions League, na próxima quarta-feira, contra o Borussia Monchengladbach. E em uma posição na qual não estava acostumado a jogar. “Estou me divertindo mais cada vez que jogo nela. Estou ficando mais familiar com a nova posição e aprendendo, tanto no ataque quanto na defesa. Estou definitivamente feliz”, afirmou Roberto.

“Estou feliz que ele se sinta bem nessa posição”, complementou Luis Enrique, depois da goleada sobre o Gijón, “apesar de ele poder jogar no meio-campo também. Ele é capaz de driblar o marcador e passar a bola com muita qualidade”. Mesmo com o sucesso recente de Roberto, a imprensa catalã não para de especular uma possível chegada de Hector Bellerín, do Arsenal, outra cria das categorias de base do Barcelona. “Eu assisto a muitos jogos e não vejo nenhum lateral direito melhor que Roberto. Pelo menos, não para o Barcelona, que sempre tem a bola”. Um panorama que, um ano atrás, era inimaginável para Sergi Roberto.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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