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Sem o uso da tecnologia na Espanha, este gol do Barcelona não foi validado

Há muito debate sobre o uso do replay no futebol: em que momentos o jogo deve ser parado, quem edita as imagens, quem pede a revisão e, principalmente, a melhor maneira de utilizá-lo sem atrapalhar muito a dinâmica do esporte. Quando se trata da tecnologia da linha do gol, a discussão é muito menor. Reduz-se a uma questão financeira, o financiamento para colocá-la em todos os estádios do campeonato, porque (quase) ninguém pode ser contra um simples mecanismo que confirma que a bola ultrapassou a linha. A liga espanhola, uma das mais ricas do mundo, ainda não introduziu essa novidade ao Campeonato Espanhol, e por isso, a conversa em torno do empate do Bétis com o Barcelona gira em torno de um gol catalão que deveria ser validado e não foi.

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Poderia ser sobre como o Barcelona de Luis Enrique caiu de rendimento ou sobre a ótima partida do Bétis, que jogou o suficiente para bater o gigante espanhol, mas La Liga é a única das cinco principais ligas da Europa – Inglaterra, Alemanha, Itália e França – que ainda não tem a tecnologia da linha do gol. A Premier League a utiliza desde 2013/14, e suas colegas a introduziram em 2015/16.

O presidente da liga espanhola Javier Tebas afirmou, em junho do ano passado, que ainda não há planos de implementá-la, porque “custa muito dinheiro”. A última Revisão Anual de Finanças do Futebol, realizado pela Deloitte, em 2016, coloca La Liga como o terceiro campeonato nacional mais rico do mundo, com receitas em torno de € 2 bilhões, mais que França e Itália. Seria, portanto, uma questão de dinheiro ou de prioridades?

A tecnologia da linha do gol – e qualquer outra que seja bem utilizada – seria importantíssima para ajudar os árbitros espanhóis que, no geral, erram com frequência, muitas vezes a favor do próprio Barcelona. Neste caso, inclusive, não deveria ser necessário o uso de nenhum microchip para notar que a bola entrou. “A tecnologia pode ajudar, já disse isso. Está claro que os árbitros precisam dessa ajuda”, afirmou Luis Enrique, depois da partida.

O Barcelona teve uma tarde muito ruim no Benito Villamarín. Levou um baile do Bétis, que finalizou 17 vezes contra o gol de Ter Stegen, número altíssimo considerando que o time de Luis Enrique só permite 9,4 chutes por partida, em média, nesta edição do Espanhol. Criou inúmeras oportunidades e abriu o placar com Álex Alegría, aos 30 minutos do segundo tempo. Atrás do placar, o Barça acordou, e teria empatado, dois minutos depois, no desvio contra da defesa do Bétis, mas o árbitro José Hernández Hernández não viu que a bola havia ultrapassado a linha em quase um terço de metro.

Rubén Castro, em contra-ataque, ficou cara a cara com Ter Stegen, mas desperdiçou a oportunidade de matar a partida a favor do Bétis, que agora ganhou apenas um jogo nas últimas seis rodadas de La Liga e precisava dos três pontos, até porque não ganha do Barcelona desde 2008. Os catalães pressionaram pelo empate e o alcançaram já aos 45 minutos do segundo tempo, em belo passe de Messi para Suárez, na entrada da área, mas a equipe de Luis Enrique, depois de duas goleadas seguidas, voltou a tropeçar.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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