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Sem Messi, Barcelona é refém de seu próprio tiki-taka

A dependência que o Barcelona tem de Lionel Messi no ataque é óbvia. O camisa 10 é o grande responsável – e praticamente o único – por transformar o domínio territorial dos blaugranes em gols. Seja balançando as redes ou dando o passe final, o argentino participou de 52,5% dos tentos da equipe na temporada. Das 605 finalizações da equipe na Champions ou em La Liga, 41,3% são efetuadas ou servidas pelo melhor do mundo. Não é pouco.

Se o adversário consegue fechar bem os espaços de Messi na marcação, o Barcelona é anulado. Foi assim em algumas ocasiões nos últimos meses, como conseguido por Real Madrid, Chelsea e Milan. Sem o craque, as dificuldades continuam grandes, embora os catalães tenham contornado a situação em La Liga – nas últimas rodadas, venceram com facilidade Mallorca e Zaragoza, ambos ameaçados pelo rebaixamento. E neste sábado, sem ser efetivo contra o Levante, ainda assim o time atingiu outra marca histórica, mesmo na ausência de Messi.

O Barcelona já era dono da melhor sequência de jogos marcando gols no Campeonato Espanhol. E o 1 a 0 anotado no Camp Nou completou a marca de 50 partidas seguidas com pelo menos um tento a favor dos blaugranes. Como não poderia deixar de ser, Messi foi o fiel da balança muitas vezes, deixando sua marca em 38 dessas ocasiões. O salvador da façanha neste sábado, porém, foi Cesc Fàbregas.

Desarmes do Levante contra o Barcelona
Desarmes do Levante contra o Barcelona

A falta de qualidade nas finalizações do Barça contra o Levante foi evidente. O time até arriscou bastante, com 18 chutes. Cinco deles bloqueados e metade vindos de fora da área. Keylor Navas fechava o gol e chegou até mesmo a defender um pênalti cobrado por David Villa no primeiro tempo. Méritos também dos visitantes, que cercavam bem sua área. Foram 27 desarmes, 27 interceptações e 27 bolas afastadas, 74% deles efetuados no terço ofensivo dos catalães.

O encarregado a reverter o 0 a 0, placar repetido apenas cinco vezes nos últimos quatro anos no Camp Nou, foi Fàbregas. Uma boa jogada de Alexis Sánchez pela direita abriu o caminho para o espanhol marcar em tiro cruzado. Atuava justamente como “falso nove”, o encarregado a coordenar os ataques. Porém, este foi seu único lampejo em 90 minutos.

Para sorte do Barcelona, Messi já está em fase final de recuperação da lesão que sofreu na coxa. Voltará a tempo de enfrentar o Bayern Munique, no primeiro jogo das semifinais da Liga dos Campeões. Tito Vilanova terá o craque que desequilibra e que tanto faz diferença neste timaço blaugrana. O jogador que não o deixa refém de seu próprio tiki-taka.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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