Espanha

Espanha caça-níquel ganha em campo, mas apanha dos críticos

A Espanha entrou em campo neste sábado para enfrentar a Guiné Equatorial, em jogo realizado no país africano. Do ponto de vista técnico, esse amistoso não faz sentido algum para os atuais campeões do mundo. Embora tenham sofrido para vencer por 2 a 1, a distância entre as duas seleções é muito grande. O que explica a realização de tal jogo é óbvio: a Federação Espanhola encheu o bolso de dinheiro aceitando o convite da Guinéa Equatorial. Pratica que já foi bastante corriqueira também na Seleção Brasileira.

A partida gerou bastante polêmica na Espanha, com uma associação de direitos humanos exigindo seu cancelamento pelo fato de o país africano viver em um regime ditatorial. Após o jogo, o El País publicou um texto também criticando a postura da federação. Assim como quando a seleção brasileira era a principal do mundo, uma parte da mídia local não aprova essa política de amistosos “caça-níquel” e faz críticas duras à postura leniente da Federação Espanhola. O período espanhol foi além: disse que apesar de em campo a vitória ter sido espanhola, fora dele o regime ditatorial de Guiné Equatorial foi quem venceu por goleada.

Alguns dos jogos mais recentes do Brasil que podem se encaixar neste perfil foram aqueles contra Omã, em 2009, Zimbábue e Tanzânia, em 2010, antes da Copa daquele ano. Em partidas deste tipo, é obvio que o lado financeiro é sobreposto ao lado técnico. Duelos como esses não agregam em nada à preparação para uma competição importante e ainda afastam as seleções de seu próprio público. E no caso do jogo entre Espanha e Guiné Equatorial é ainda pior, considerando o quadro político do local em que o jogo aconteceu.

Federações priorizando o dinheiro em detrimento do aspecto esportivo e do espetáculo já é uma prática normal, mas arranhar a imagem de sua seleção jogando partidas financiadas por ditadores parece um preço muito alto a se pagar, não importa qual seja o valor pago por esses políticos. Como definiu o El País, vender tal produto (o amistoso) a um país que vive uma ditadura é dar a uma tirania sua maior glória. Ser a melhor seleção do mundo implica não só  em poder ganhar muito dinheiro com cachês de amistosos, mas especialmente em passar uma imagem importante sobre o esporte que representa. E isso não é ser romântico ou idealista: é uma questão de manter os princípios do esporte, cuja paixão que as pessoas têm por ele é fundamental e, portanto, o torna uma máquina de ganhar dinheiro. Não se preocupar com isso é também detonar o próprio produto.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo