Espanha

Ruim para a Espanha

Um misto de satisfação mórbida com ansiedade por um grande confronto. Foi a sensação de muita gente ao ver que a França caiu no mesmo grupo que a Espanha nas Eliminatórias para a Copa de 2014. Sim, a perspectiva de ver os Bleus sofrendo na repescagem ou mesmo se ausentando do Mundial deixou alguns sorrisos discretos em muitos torcedores. De fato, os franceses não têm motivos para comemorar o sorteio. Mas os espanhóis também devem ficar atentos.

Qualquer analista de futebol internacional minimamente lúcido percebe que a Espanha é a melhor seleção do mundo no momento. Isso se deve pelos títulos recentes, que deram ao time um status e respeito dos adversários que não tinha, pelos talentos, pelo fato de a base quase toda jogar em dois times e por ter um sistema de jogo definido. Por isso, é favorita a qualquer competição em que entrar, e será o oponente a ser temido pelos outros.

No entanto, não dá para dar como favas contadas que a Espanha leva o grupo e a França fica na expectativa de fazer muitos pontos contra Belarus, Geórgia e Finlândia para não ser o pior segundo colocado e chegar à repescagem. É só prestar atenção no trabalho de Laurent Blanc para perceber que é uma equipe em crescimento e com um comandante que realmente tem comando (depois do vexame francês na África do Sul, tal expressão não soa tão pleonástica assim). Além disso, há muita margem para evolução: a França tem jogado abaixo do seu nível normal, e ainda pode contar com alguns nomes das equipes semifinalistas dos Euro Sub-19 de 2009 e 2010 (neste último, foi campeã batendo a Espanha na decisão).

Outro fator importante é o tempo. O sorteio das Eliminatórias foi realizado no último sábado, mas os jogos – pelo menos entre as seleções importantes – só acontecem a partir do segundo semestre de 2012, após a Euro. Nesse ano que falta, muitas coisas podem acontecer. Por exemplo, a Espanha perder o título continental e ficar sem o status de imbatível que carrega hoje.

Pelo histórico da Eurocopa, não seria algo tão incomum. O torneio nunca teve um bicampeão. Aliás, apenas desde que deixou de ser apenas uma copa em mata-mata, apenas uma vez uma seleção disputou finais seguidas: a Alemanha em 1992 e 96. Em gramados ucranianos e poloneses, não seria anormal a Espanha cair diante de Alemanha ou Holanda, por exemplo. Já abalaria um pouco a confiança da equipe, e também o modo como os adversários a veem.

O fato de se tratar de um clássico entre vizinhos, um duelo que nem sempre se define apenas por quem é ou está melhor, também influencia. Os dois tiems se conhecem bem e os dois jogos devem ter um contingente considerável de torcedores visitantes. Nos últimos 15 anos, foram três vitórias de cada lado e um empate.

A Furia segue como favorita no Grupo I, claro. Mas dificilmente terminará o grupo passeando como se fosse tão superior assim. Um duelo contra a França sempre abre a possibilidade de o time entrar na disputa sem muita margem de erro. Uma realidade muito menos agradável do que pegar, por exemplo, Eslovênia, Eslováquia ou Montenegro, outras seleções que dividiam o Pote 2 do sorteio com os franceses. Sim, a França deve lamentar o grupo em que caiu nas Eliminatórias. Mas a Espanha, sem querer demonstrar muito para não perder a pose de nova potência mundial, também ficou preocupada.

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Equipe Trivela

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