Espanha

‘Ronaldo é uma das piores coisas que aconteceram com o Valladolid’

Dono do Real Valladolid, brasileiro foi duramente criticado pelo rebaixamento antecipado do clube

Nesta semana, Ronaldo viu seu Real Valladolid confirmar matematicamente seu rebaixamento à segunda divisão espanhola após a derrota por 5 a 1 para o Betis, no Estádio Benito Villamarín, pela 33ª rodada de LaLiga.

Apesar de o descenso já ser praticamente certo há semanas, a forma como ele se concretizou apenas escancarou os erros acumulados durante toda a temporada, muitos deles associados diretamente à gestão do brasileiro, atual dono do clube.

As críticas sobre Ronaldo no Valladolid

Um dos grandes críticos ao ex-jogador foi o jornal espanhol As. “O rebaixamento, agora oficial, simboliza uma temporada desastrosa sob todos os aspectos”, disse o periódico.

O elenco, considerado mal montado, foi alvo de duras críticas da imprensa local. A diretoria liderada por Ronaldo, André Zanotta (CEO) e Fran Sánchez (diretor esportivo, posteriormente substituído por Catoira), é acusada de desmontar o time deliberadamente, desvalorizando o projeto esportivo e transformando o clube em algo irreconhecível.

Ronaldo Nazário nas arquibancadas do Santiago Bernabéu em jogo entre Real Madrid e Valladolid
Ronaldo Nazário nas arquibancadas do Santiago Bernabéu em jogo entre Real Madrid e Valladolid (Foto: Imago)

A sensação entre parte dos torcedores é de que o grupo dirigente teria agido como “forasteiros em missão de saque”, e não como gestores comprometidos com a história do clube.

A frustração se reflete nas arquibancadas e no vestiário. Enquanto alguns jogadores choravam no apito final, outros pareciam indiferentes, como se estivessem apenas cumprindo tabela. A desconexão entre elenco, torcida e direção nunca foi tão clara.

Na crítica publicada pelo jornal local El Norte de Castilla, o sentimento era de revolta:

“Ronaldo conseguiu rebaixar o Real Valladolid e envergonhá-lo por toda a Espanha… é sua vingança por não se sentir apoiado por torcedores, imprensa e instituições, por não comprar sanduíches em Zorrilla, nem camisetas a 90 euros, por não lhe darem propriedades públicas nem dançarem ao ritmo que ele gostaria”.

O texto prossegue com tom ainda mais duro:

“Houve um tempo em que Ronaldo foi admirado, mas agora, e com o passar do tempo, será lembrado como uma das piores coisas que aconteceram ao clube.”

Mesmo com a ferida aberta, resta aos torcedores do Real Valladolid a esperança de que a instituição, prestes a completar um século de existência, resista às insatisfações com sua gestão atual. “O clube existia antes de Ronaldo. E vai continuar existindo depois dele”, conclui o artigo.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo