Roberto Carlos: ‘De todos os jogos que disputei, esse foi o único que gostaria de não ter jogado’
Ex-lateral do Real Madrid relembra noite em que El Clásico deixou de parecer futebol e explica por que preferia não ter entrado em campo
Roberto Carlos, símbolo de uma das eras mais dominantes do Real Madrid e peça histórica da seleção brasileira, sempre tratou sua carreira como uma coleção de grandes memórias — finais, títulos, jogos inesquecíveis. Mas há um capítulo que ele preferia riscar do currículo, uma noite em que o futebol deixou de parecer jogo e passou a flertar com o caos.
Curiosamente, não foi um erro seu, nem um revés pessoal, mas o turbilhão criado ao redor de Luís Figo, então recém-contratado pelo Real, em seu primeiro reencontro com o Barcelona no Camp Nou. Em conversa com o ex-volante Obi Mikel, no “The Obi One Podcast”, o ex-lateral lembrou o clima pesado daquele El Clásico.
— Não gosto de recordar o episódio de Camp Nou. Parecia uma guerra, não futebol. Foi a partida que queria que terminasse o mais rápido possível. De todos os jogos que disputei, foi o único que gostaria de não ter jogado. As pessoas foram muito agressivas.
Roberto Carlos ainda tentou aliviar o peso daquele cenário lembrando que, apesar do clima hostil, havia também uma sensação de alívio pessoal ao ver Figo do lado merengue da rivalidade. Para ele, o impacto técnico do português compensava parte do caos externo: se enfrentar Figo era um tormento, tê-lo como companheiro tornava tudo um pouco menos pesado — mesmo em um ambiente tão carregado como o Camp Nou naquele dia.
— Dou os parabéns a Florentino (Pérez, presidente do Real Madrid), pela contratação de Figo. Não podia dormir quando jogava contra o Barcelona, porque era muito difícil marcar Figo, foi um grande alívio. Também agradeço a ele — concluiu.
Relembre o episódio citado por Roberto Carlos

O retorno de Luís Figo ao Camp Nou, em 2000, após trocar o Barcelona pelo Real Madrid, foi um dos episódios mais explosivos da história do futebol europeu. A torcida catalã tratou o português como traidor e transformou o estádio em um caldeirão de insultos, objetos arremessados e pressão psicológica sem precedentes. A cada toque na bola, o clima ficava mais tenso, como se o jogo deixasse de ser um clássico e se tornasse um acerto de contas coletivo.
O duelo ficou marcado por cenas que extrapolaram completamente o futebol. Além da chuva de objetos — que incluía garrafas, moedas e até a célebre cabeça de porco lançada no gramado —, a partida precisou ser interrompida em alguns momentos, tamanha a hostilidade vinda das arquibancadas.
Jogadores do Real sentiram o impacto emocional do ambiente, e até os mais experientes tiveram dificuldade para manter a concentração. O Barcelona venceu o clássico por 2 a 0, e Figo teve atuação irregular.
Para o português, aquele reencontro definiu sua relação com Barça para sempre. E para companheiros como Roberto Carlos, virou o símbolo de um período em que a rivalidade entre os gigantes espanhóis atingiu um nível quase irracional.
O episódio acabou entrando para a memória do clássico como um dos momentos mais marcantes e ruidosos daquela época, frequentemente lembrado quando se fala sobre a intensidade que cercava os confrontos entre Barcelona e Real Madrid.



