Espanha

Resumo da temporada – parte I

Final de temporada na Espanha, para alegria dos torcedores do Barcelona e tristeza dos seguidores madridistas. Pela primeira vez, uma equipe espanhola faturou a Tríplice Coroa. Foram meses de domínio absoluto barcelonista, sem chance para os rivais e com goleadas espetaculares.

Mas a temporada não foi um mar de rosas para todos. Por isso, essa primeira parte do resumo traz as 10 equipes da metade de baixo da tabela. Muitas decepções e poucas surpresas.

Almería

Colocação final: 11º, com 46 pontos
Técnico: Hugo Sánchez (a partir da 17ª rodada) e Gonzalo Arconada (até a 16ª rodada)
Maior vitória: 3×0 Villarreal (29ª rodada)
Maior derrota: 5×0 Barcelona (8ª rodada)
Principal jogador: Diego Alves (goleiro)
Decepção: Pablo Piatti (atacante)
Artilheiro: Negredo, 19 gols
Copa do Rei: eliminado nas oitavas-de-final pelo Mallorca
Competição continental: nenhuma

Foi uma campanha razoável. Por isso a colocação mediana na tabela é facilmente explicada. Com um ótimo goleiro – o brasileiro Diego Alves – o Almería conseguiu alcançar bons resultados na temporada, graças também aos gols do atacante Negredo e à boa fase do defensor nigeriano Uche. No entanto, a equipe terminou três posições abaixo do que conseguira em 2007/08. E no primeiro turno o time permaneceu sempre perto da zona do rebaixamento, algo que mudou somente com a chegada do técnico mexicano Hugo Sánchez.

Racing de Santander

Colocação final: 12º, com 46 pontos
Técnico: Juan Ramón López Muñiz
Maior vitória: 5×0 Numancia (27ª rodada)
Maior derrota: 4×1 Atlético de Madrid (13ª rodada)
Principal jogador: Jonathan (atacante)
Decepção: Luccin (meia)
Artilheiro: Zigic, 13 gols
Copa do Rei: eliminado nas 1/16 de final pelo Valencia
Competição continental: eliminado na fase de grupos da Copa Uefa

Após a surpreendente campanha da temporada 2007/08, quando o Racing de Santander terminou na sexta colocação, neste ano a equipe não conseguiu manter o mesmo ritmo. Na Copa Uefa caiu na fase de grupos e no Campeonato Espanhol não conseguiu nada além do modesto 12º lugar. De volta ao clube, o centroavante grandalhão Zigic foi o responsável por boa parte dos gols da equipe, mas lesões o afastaram de boa parte da temporada – mesmo assim marcou 13 vezes em 19 partidas. Ao seu lado, o baixinho Jonathan, cedido pelo Villarreal, foi outro destaque.

Athletic Bilbao

Colocação final: 13º, com 44 pontos
Técnico: Joaquín Caparrós
Maior vitória: 3×0 Sporting de Gijón (15ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Sevilla (6ª rodada)
Principal jogador: Llorente (atacante)
Decepção: Murillo (defensor)
Artilheiro: Llorente, 13 gols
Copa do Rei: vice-campeão, derrotado na final pelo Barcelona
Competição continental: nenhuma

A temporada quase foi maravilhosa para o Athletic Bilbao. No Campeonato Espanhol, infelizmente, mas uma vez a equipe basca figurou na parte baixa da tabela e por muitas rodadas lutou contra o rebaixamento. Já na Copa do Rei, quase a 25ª taça veio para San Mamés. Na decisão, no entanto, os comandados de Joaquín Caparrós não fizeram frente ao imparável Barcelona. O saldo positivo, ao menos, foi a afirmação do jovem atacante Fernando Llorente na seleção, além da despedida dos gramados do ídolo Joseba Etxeberría.

Sporting de Gijón

Colocação final: 14º, com 43 pontos
Técnico: Manuel Preciado
Maior vitória: 3×0 Deportivo (8ª rodada)
Maior derrota: 7×1 Real Madrid (4ª rodada)
Principal jogador: Diego Castro (meia)
Decepção: Maldonado (atacante)
Artilheiro: Bilic, 12 gols
Copa do Rei: eliminado nas quartas de final pelo Athletic Bilbao
Competição continental: nenhuma

De todas as campanhas desta temporada no Campeonato Espanhol, sem dúvida a do Sporting de Gijón foi a mais exótica. Em 38 rodadas empatou somente uma vez, levou 79 gols (pior defesa da competição) e sofreu diversas goleadas. Conquistou, no entanto, importantes vitórias. Uma irregularidade fenomenal, que surpreendentemente resultou na permanência na primeira divisão. Algo que só foi conquistado na última rodada, mas que premiou o trabalho de longa data de Manuel Preciado, há mais de três ano no clube.

Osasuna

Colocação final: 15º, com 43 pontos
Técnico: José Antonio Camacho (a partir da 7ª rodada) e Cuco Ziganda (até a 6ª rodada)
Maior vitória: 5×2 Getafe (16ª rodada)
Maior derrota: 4×2 Mallorca (13ª rodada)
Principal jogador: Nekouman (meia)
Decepção:
Ezquerro (atacante)
Artilheiro: Pandiani, 11 gols
Copa do Rei: eliminado nas oitavas de final pelo Athletic Bilbao
Competição continental: nenhuma

Na teoria, o Osasuna montou um bom time para a temporada 2008/09. Na prática, porém, a equipe não rendeu o que se esperava dela e a luta contra o rebaixamento foi a tônica da campanha rojilla. O ex-técnico da seleção espanhola José Camacho assumiu o Osasuna no lugar de Ziganda e se tornou herói em Pamplona. O iraniano Nekouman teve excelentes partidas, assim como o meia tcheco Plasil, que fez uma temporada regular. A salvação veio somente na última rodada.

Valladolid

Colocação final: 16º, com 43 pontos
Técnico: José Luis Mendilibar
Maior vitória: 3×0 Villarreal, Mallorca e Deportivo (12ª, 13ª e 15ª rodadas)
Maior derrota: 6×0 Barcelona (10ª rodada)
Principal jogador: Marcos Aguirre (zagueiro)
Decepção: Pedro Oldoni (atacante)
Artilheiro: Goitom, 10 gols
Copa do Rei: eliminado nas oitavas de final pelo Sporting de Gijón
Competição continental: nenhuma

Com uma equipe modesta, o Valladolid ficou extremamente satisfeito por ter conseguido a permanência na primeira divisão. Durante boa parte da temporada o time se manteve na parte de cima da tabela, mas nas últimas rodadas falhou muito e quase acabou rebaixado. Sem talentos individuais, o Valladolid, comandado por José Luis Mendilibar há muito tempo, se valeu da coletividade e empenho dos jogadores.

Getafe

Colocação final: 17º, com 42 pontos
Técnico: Míchel (a partir da 34ª rodada) e Victor Muñoz (até a 33ª rodada)
Maior vitória: 5×1 Sporting de Gijón (20ª rodada)
Maior derrota: 5×2 Osasuna (16ª rodada)
Principal jogador: Casquero (meia)
Decepção: Oscar Ustari (goleiro) e Guerrón (atacante)
Artilheiro: Soldado, 13 gols
Copa do Rei: eliminado nas 1/16 de final pelo Osasuna
Competição continental: nenhuma

O Getafe começou bem o Campeonato Espanhol. Com boas vitórias, conseguia se manter na parte de cima da tabela. Durou pouco. Com muitas derrotas bobas, a equipe despencou e lutou contra o rebaixamento na maior parte da competição. Faltando poucas rodadas para o final, Míchel, ex-ídolo madridista, substituiu Victor Muñoz no comando e salvou o time da queda. A equipe deve muito disso, também, aos 13 gols marcados por Soldado, revelado nas categorias de base do Real Madrid.

Betis

Colocação final: 18º, com 42 pontos (rebaixado)
Técnico: José Maria Nogués (a partir da 30ª rodada) e Paco Chaparro (até a 29ª rodada)
Maior vitória: 4×2 Numancia (10ª rodada)
Maior derrota: 6×1 Real Madrid (24ª rodada)
Principal jogador: Emaná (meia)
Decepção: Pavone (atacante)
Artilheiro: Emaná, 11 gols
Copa do Rei: eliminado nas quartas de final pelo Mallorca
Competição continental: nenhuma

Há três temporadas o Betis vinha lutando insistentemente contra o rebaixamento e se salvando nas rodadas finais. Neste ano, porém, a sorte não foi a mesma. Resultado de uma série de erros administrativos, mesmo com ótima estrutura e dinheiro para investir, o Betis caiu para a segunda divisão na Espanha. Muitas contratações erradas deixaram o time enfraquecido. No final, nem mesmo o retorno de Ricardo Oliveira à Sevilha foi capaz de salvá-los – azar para o atacante brasileiro, bi-rebaixado na Espanha (havia caído na última temporada com o Zaragoza).

Numancia

Colocação final: 19º, com 35 pontos (rebaixado)
Técnico: José Rojo Martín 'Pacheta' (a partir da 24ª rodada) e Sergio Kresic (até a 23ª rodada)
Maior vitória: 4×3 Espanyol e Valladolid (11ª e 16ª rodadas)
Maior derrota: 5×0 Racing de Santander (27ª rodada)
Principal jogador: Barkero (meia)
Decepção:
Raúl Bravo (defensor)
Artilheiro: Barkero, 12 gols
Copa do Rei: eliminado nas 1/16 de final pelo Sporting de Gijón
Competição continental: nenhuma

O único momento de brilho do Numancia no Campeonato Espanhol foi na estreia, quando, em casa, derrotou o Barcelona por 1 a 0. Daí em diante foram seguidas derrotas e péssimos resultados, que culminaram no rebaixamento de um dos caçulas do torneio. Nem a troca de técnicos e as contratações feitas no mercado de inverno surtiram efeito. Assim, a equipe de Soria retorna para a segunda divisão sem ter deixado saudades na temporada 2008/09.

Recreativo de Huelva

Colocação final: 20º, com 33 pontos (rebaixado)
Técnico: Lucas Alcaraz (a partir da 7ª rodada) e Manolo Zambrano (até a 6ª rodada)
Maior vitória: 3×1 Numancia (17ª rodada)
Maior derrota: 4×0 Atlético de Madrid e Málaga (3ª e 6ª rodadas)
Principal jogador: Jesús (meia)
Decepção: Javi Guerrero (atacante)
Artilheiro: Camuñas, 10 gols
Copa do Rei: eliminado nas 1/16 de final pelo Athletic Bilbao
Competição continental: nenhuma

Uma equipe que marca 34 gols em 38 jogos não tem qualquer condição de permanecer na primeira divisão espanhola. Com um time fraco e sem criatividade, o Recreativo de Huelva foi rebaixado com méritos nesta temporada. Os únicos destaques da equipe foram os atacantes Adrián e Camuñas, autores de nove e dez gols (mais da metade de todo o time), respectivamente, além do bom meia Jesús.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo