Espanha

Ressaca catalã

O Barcelona fez, no total, 28 jogos oficias em casa na temporada passada. Foram 19 pelo Campeonato Espanhol, dois pela Copa do Rei, um pela Supercopa da Espanha e seis pela Liga dos Campeões. Perdeu apenas dois: para o Sevilla na Copa do Rei e o Rubin Kazan na LC. Em La Liga, ficou invicto no Camp Nou.

Só por esse retrospecto, já causa espanto ver que os blaugranas perderam sua primeira partida pelo campeonato em seu estádio. Pior, para o Hércules, equipe que vem da segunda divisão e ainda está em formação. Pior ainda, o placar de 2 a 0 foi generoso com o futebol apresentado pelos catalães. Resultado para se lamentar e avaliar dentro do que se notar necessário, mas não para gerar grande preocupação ou reflexões técnico-filosóficas.

Foi uma semana bastante atípica para os barcelonistas. Começou com alguns de seus principais jogadores atravessando o Atlântico (e a Terra de Norte a Sul) para um amistoso entre Argentina e Espanha em Buenos Aires na terça. No sábado, o time tinha de enfrentar o Hércules e ainda pensar na estreia pela Liga dos Campeões, na outra terça, contra o Panathinaikos.

É mais do que compreensível que houvesse atletas desgastados e com poder de concentração mais baixo que o normal. Ainda mais porque o descanso – fundamental par recarregar as energias – de muitos deles (Valdés, Iniesta, Xavi, Villa, Sergio Busquets, Pedro, Piqué e Puyol) já havia sido prejudicado pelo fim tardio da participação espanhola na Copa do Mundo. O técnico Pep Guardiola tinha todos os motivos para poupar alguns jogadores, e recomendar que os demais atuassem em ritmo moderado contra os alicantinos.

Foi exatamente o que ocorreu. Pedro, Puyol, Busquets, Xavi e Daniel Alves começaram a partida no banco. Quase meio time. Além disso, o lateral-esquerdo Adriano foi improvisado na direita, Abidal foi para a zaga (função na qual ele já atuou muito, mas não vinha sendo a prioridade nas últimas temporadas) e o meio-campo ficou com apenas um grande nome de armação (Iniesta).

Óbvio que, mesmo com esses problemas, o Barcelona ainda tinha time de sobra para vencer o Hércules. Mas não dá para ignorar que, no mínimo, os catalães ficaram mais vulneráveis e que uma tarde particularmente infeliz poderia ter consequências sérias.

O Hércules soube se aproveitar disso. Deixou a defesa bem postada, o suficiente para, sem brilhantismo, superar a sonolência catalã. Na frente Tiago Gomes fazia boas jogadas pela direita, tendo como referências o veloz Haedo Valdéz e Trezeguet (que será respeitado por qualquer defesa pelo que já foi). Os gols do Hércules saíram desse modo, e houve oportunidades para saírem mais no final da partida, quando o Barcelona tirou três titulares do banco, tentou despertar e se abriu desorganizadamente.

O resultado foi surpreendente, mas a atuação fraca do Barcelona, não. Por isso, não há motivos para encarar tal derrota como algo mais profundo. Não ainda. Serve, no máximo, de alerta que uma jornada pouco inspirada pode ser punida com a derrota. O Barça continua forte e como favorito dos campeonatos que disputar. E o Hércules ainda deve se preocupar com o rebaixamento.

Obs.: curiosidade. Na última temporada em que esteve na primeira divisão, em 1996/97, o Hércules venceu o Barcelona duas vezes. Acabou rebaixado, mas os seis pontos perdidos para os alicantinos custaram caro aos blaugranas: foram vice-campeões, dois pontos atrás do Real Madrid.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo