Futebol espanhol

Real Madrid: Por que tratamento falho gerou nova polêmica no departamento médico

Zagueiro espanhol sofreu lesão em janeiro e só foi operado em outubro, o que gerou descontentamento nos Merengues

Para além dos lesionados durante os compromissos das seleções durante a Data Fifa, o Real Madrid recebeu outra notícia ruim nas últimas horas. Raúl Asencio, que sequer entrou em campo com José Mourinho, precisou passar por cirurgia e deve ficar quatro meses afastado. E o tratamento falho do zagueiro espanhol gerou uma nova polêmica no departamento médico dos Merengues.

Nesta quinta-feira (1º), Asencio passou por uma operação para corrigir uma fratura por estresse na tíbia direita, lesão que o incomodava desde janeiro. Entretanto, o camisa 2 do Real Madrid continuou jogando normalmente — tanto que disputou 17 partidas no primeiro semestre de 2026 –, apesar dos episódios recorrentes de dor e as limitações causadas pelo desconforto.

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Fontes próximas a Raúl Asencio demonstraram descontentamento com a abordagem conservadora adotada pelos médicos dos Merengues nos últimos nove meses. Segundo o jornal “Marca”, o DM do Real Madrid insistiu no tratamento sem intervenção cirúrgica na esperança de que o zagueiro de 23 anos se recuperasse, o que não aconteceu.

A estratégia do Real Madrid no caso Raúl Asencio

Primeiro, os Merengues adotaram um tratamento minimamente invasivo visando remover as células anormais do tecido cicatricial na tíbia, onde se formou um calo mal cicatrizado. Só que a estratégia não surtiu efeito, e a possibilidade de uma cirurgia foi discutida ao final de 2025/26, cuja reabilitação seria realizada durante a pausa para a Copa do Mundo e os primeiros compromissos da nova temporada, o que não afetaria tanto sua disponibilidade.

Entretanto, a equipe médica do Real Madrid descartou uma operação naquele momento e recomendou a Asencio “repouso, reabilitação e tempo para a regeneração da área”. O descanso era uma forma da tíbia ter a chance de responder positivamente após intenso desgaste físico. O camisa 2 chegou a disputar o amistoso de pré-temporada contra o Leganes, no dia 28 de julho, e, dois dias depois, sofreu uma lesão muscular no reto femoral direito.

Já no dia 24 de agosto, Raúl Asencio sofreu uma nova recaída na perna direita, motivando os Merengues reavaliarem a eficácia do tratamento conservador. O defensor espanhol chegou a ficar no banco de reservas do técnico português nos últimos três jogos antes da pausa (Rayo Vallecano, Elche e Atlético de Madrid), porém, não foi acionado.

Raúl Asencio durante treino do Real Madrid (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Raúl Asencio durante treino do Real Madrid (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

Sem chances voltar a ficar à disposição de Mourinho antes de 2027, Asencio buscava um recomeço no Real Madrid após ser absolvido da acusação de divulgar um vídeo sexual com menor de idade e ser flagrado dirigindo com uma concentração de álcool quatro vezes acima do limite permitido na Espanha.

Como Éder Militão, Ibrahima Konaté (lesionados) e Dean Huijsen (suspenso) estã indisponíveis, Antonio Rüdiger é o único zagueiro de origem apto a jogar pelos Merengues contra o Villarreal no próximo dia 10, às 16h (horário de Brasília), no Santiago Bernabéu, pela 8ª rodada de LaLiga.

Departamento médico sob tensão

A situação envolvendo Raúl Asencio é mais um capítulo de tensão no departamento médico do Real Madrid, cujos protocolos e decisões têm incomodado repetidamente alguns jogadores. Com o calvário de contusões nos últimos anos, os Merengues substituíram diversos profissionais, desde preparadores físicos até pessoal de saúde.

Kylian Mbappé, por exemplo, vinha sofrendo de um problema no joelho esquerdo desde 7 de dezembro do ano passado, inicialmente diagnosticado como uma entorse do ligamento lateral. Como o atacante francês seguiu atuando, as dores pioraram e, três meses depois, novos exames constataram uma ruptura parcial do ligamento cruzado posterior.

Kylian Mbappé, centroavante do Real Madrid e da França, cai lesionado no gramado. (Foto: Imago/NurPhoto)
Kylian Mbappé, centroavante do Real Madrid e da França, cai lesionado no gramado. (Foto: Imago/NurPhoto)

A imprensa europeia chegou a noticiar que o DM do Real Madrid havia examinado o joelho errado de Mbappé (o direito), e por isso os resultados não apontaram nada grave a princípio. O camisa 10 resolveu viajar a Paris para se consultar com um especialista particular e receber um cronograma especial que não colocasse em risco sua presença no torneio da Fifa na América do Norte.

Jude Bellingham, por sua vez, apresentou uma contusão muscular no dia 1 de feveiro, cujo prazo de recuperação era de quatro semanas. Porém, o meia-atacante inglês ficou 49 dias de molho. Eduardo Camavinga ficou nove dias no departamento médico dos Merengues devido uma “dor de dente”.

Álvaro Carreras reclamou de um desconforto na panturrilha após uma pancada, e o diagnóstico do Real Madrid era de que se tratava apenas de uma “contusão”, justificando treinamentos regulares. Depois, exames provaram uma ruptura muscular, que impediu o lateral-esquerdo espanhol de jogar por duas semanas. Por fim, em abril, Militão teve uma recaída muscular da mesma lesão que já o havia deixado como desfalque por meia temporada, frustrando sua participação no Mundial.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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