Real Madrid pode sonhar com la décima depois de colocar o Bayern no bolso
A atuação quase impecável do Real Madrid colocou Carlo Ancelotti a um empate de levar o clube da capital espanhola à final da Liga dos Campeões e, talvez, realizar a obsessão madridista de conquistar a competição europeia pela décima vez. Os donos da casa no Santiago Bernabéu não foram perfeitos apenas porque Cristiano Ronaldo e Di María desperdiçaram duas chances que poderiam ter definido o duelo contra o Bayern de Munique ainda no primeiro tempo, mas a vantagem de 1 a 0 já é suficiente para os torcedores sonharem.
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Armar contra-ataque contra um time de Pep Guardiola é um reflexo de sobrevivência, o mesmo que impede o ser humano de se sufocar ou que envia dor ao cérebro quando a sua mão chega muito perto do fogo. É a única opção para enfrentar jogadores com qualidade suficiente para tocar a bola por horas, um esquema muito bem treinado que fornece ao Bayern de Munique superioridade numérica nas ações ofensivas e dois pontas espetaculares que entram em diagonal como facas no abdômen.
Nada disso funcionou, porém. Desde a conquista do título alemão com todas as rodadas de antecedência possíveis, o Bayern não joga no mesmo nível do começo da temporada. Perdeu a invencibilidade na Bundesliga e sofreu para superar um Manchester United capenga, que demitiu David Moyes menos de um mês depois. Além disso, essa estratégia de Guardiola poucas vezes enfrentou um contra-ataque tão qualificado quanto esse do Real Madrid. Talvez apenas naquela temporada em que o clube da capital, com José Mourinho, venceu o Campeonato Espanhol. Os jogadores são parecidos, mas alguns passam por fase melhor, como Di María e Benzema que, junto com Ronaldo, estavam de prontidão para serem lançados pelos arcos Xabi Alonso, Modric e Isco.
Isso tudo, no primeiro tempo, somou-se a uma atuação completamente desajeitada da defesa do Bayern de Munique. A jogada do gol teve Fábio Coentrão como protagonista lançado nas costas de Rafinha. Boateng e Dante, como se fossem um único corpo, tentaram fechar o espaço do português. David Alaba abandonou a marcação a Benzema para cortar o cruzamento rasteiro. Errou o bote. Mandzukic tentou consertar, correu atrás do francês, mas tudo que conseguiu foi assistir, de cadeira cativa, ao encontro da bola com a rede.
O mapa da mina indicava que o ouro estava nos bolsos de Rafinha. Da lateral esquerda do Real Madrid, saiu o cruzamento de Benzema que encontrou Cristiano Ronaldo na marca do pênalti. O melhor jogador do mundo pegou de primeira e não costuma perder um gol desses, mas talvez tenha se assustado com uma chance tão clara ou, minha impressão, ficou confiante demais que marcaria e relaxou na concentração. A bola passou por cima do travessão.
No outro lado, os alemães tentavam penetrar a defesa com os seus pontas. Robben foi o único a perceber que chutar de fora da área não era crime. O restou insistiu demais nos cruzamentos, em 23 tentativas de buscar a testa de Manduzkic ou de qualquer um que colocasse a cabeça na bola. Não funcionou. Novamente em contra-ataque pela esquerda – isso com Gareth Bale, gripado, no banco -, o Madrid conseguiu mais uma boa chance, em jogada que passou pela defesa do Bayern de Munique e chegou a Di María, livre na segunda trave, mas a finalização foi muito forte e muito alta. A marcação era falha nos dois lados: a jogada saía de um e encontrava um madrileno livre no outro.

O Real Madrid voltou dos vestiários com menos ímpeto e demorou para voltar a ameaçar de verdade o Bayern de Munique. Aos 21 minutos, Guardiola resolveu, enfim, tentar melhorar a marcação pelos lados e colocou Javi Martínez no meio-campo. Lahm reassumiu seu lugar de origem na lateral direita. Não funcionou imediatamente porque Cristiano Ronaldo apareceu livre na entrada da área, na esquerda, e chutou cruzado de canhota para boa defesa de Neuer.
À medida em que o time da casa foi ficando cansado e foram aparecendo os erros, o Bayern de Munique ficou mais perigoso, mas a marcação estava ótima. Sempre havia três de olho quando Robben recebia a bola na ponta direita: um marcava a linha de fundo, outro a diagonal e um terceiro, atrás dos dois, ficava esperto com aquele drible que todo mundo sabe que o canhoto vai tentar fazer. Conseguiram pará-lo.
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A melhor oportunidade de empatar a partida veio aos 39 minutos do segundo tempo, em jogada combinada entre dois jogadores que entraram na etapa final e têm trema na primeira vogal dos seus nomes. Mülller cruzou para Götze, que dominou e acertou a bola em cheio com o peito do pé. No outro lado da linha reta em direção ao gol, porém, estava Casillas, que mesmo sem jogar todas as semanas manteve os reflexos em dia e fez uma defesa exuberante.
Foi importante porque garantiu a vitória por 1 a 0 do melhor time em campo. O Real Madrid soube segurar o Bayern de Munique e poderia muito bem sair de campo com uma vantagem maior. Usou a experiência dos jogadores que enfrentaram tantas vezes o Barcelona de Guardiola, embora a versão alemã do treinador espanhol seja um pouco mais vertical e aérea. Se conseguir repetir essa atuação na Allianz Arena, la décima fica a apenas um jogo de distância.
Formações iniciais
Destaque
A marcação do Real Madrid foi muito boa. Começou a falhar apenas à medida que o oxigênio parou de fluir aos músculos dos jogadores como no começo da partida. Reação natural ao cansaço de ficar correndo atrás de um time que toca muito a bola. Robben foi muito bem anulado, Ribéry apareceu pouco e Schweinsteiger foi até substituído no segundo tempo.
Momento-chave
Casillas virou reserva do Real Madrid no Campeonato Espanhol, mas é o titular incontestável na Liga dos Campeões e vem mostrando por que partida a partida. Fez uma defesa espetacular em chute à queima-roupa de Götze, no finalzinho da partida. Garantiu a vitória.
Gols
19’/2T – GOL DO REAL MADRID! Contra-ataque, bola enfiada para Coentrão pela esquerda. Boateng e Dante foram para cima do português, Alaba tentou cortar o cruzamento rasteiro e não conseguiu, e Benzema empurrou para as redes.
Curiosidade
Foi o oitavo jogo de Pep Guardiola no Santiago Bernabéu e apenas a primeira derrota. Nas outras sete partidas, o ex-treinador do Barcelona havia conseguido cinco vitórias e dois empates.
Ficha técnica
Real Madrid 1 x 0 Bayern de Munique
Real Madrid
Iker Casillas; Carvajal, Sergio Ramos, Pepe (Raphael Varane, 28’/2T) e Fábio Coentrão; Xabi Alonso, Luka Modric, Angel Di María e Isco (Asier Illarramendi, 36’/2T); Cristiano Ronaldo (Gareth Bale, 29/2T) e Karim Benzema. Técnico: Carlo Ancelotti
Bayern de Munique
Manuel Neuer; Rafinha (Javi Martínez, 21/2T), Dante, Jérôme Boateng e David Alaba; Bastian Schweinsteiger (Thomas Müller, 29’/2T), Toni Kroos, Philipp Lahm, Arjen Robben, Franck Ribéry (Mario Götze, 27’/2T) e Mario Mandzukic. Técnico: Pep Guardiola
Local: Estádio Santiago Bernabéu, em Madri (ESP)
Árbitro: Howard Webb (ING)
Gols: Karim Benzema (19’/1T)
Cartões amarelos: Isco (Real Madrid)
Cartões vermelhos: Nenhum
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