Espanha

Real Madrid usa inteligência artificial para resolver grande problema da última temporada

Merengues adotam tecnologia pioneira na tentativa de revolucionar sistema interno e contornar obstáculo de 2024/25

Enquanto Xabi Alonso aplica sua filosofia de trabalho aos jogadores, o Real Madrid vive outro processo de reformulação em seus bastidores. Os merengues adotaram o uso de inteligência artificial em seu departamento médico para tentar resolver o alto número de lesões na última temporada.

Segundo o jornal “Marca”, o novo setor médico do Real Madrid busca renovar sua metodologia para lidar com o aumento de problemas físicos, sobretudo musculares. Em 2024/25, por exemplo, os merengues registraram quase 40 lesões.

O calendário sobrecarregado e a intensidade cada vez maior dos jogos ajudam a entender o impacto no condicionamento físico dos atletas. Entretanto, o Real Madrid acredita que, com a implementação da tecnologia, é possível diminuir o número de lesionados nesta temporada.

Com a ferramenta da IA, os merengues esperam detectar problemas físicos antes que eles apareçam. Ainda de acordo com o “Marca”, o Real Madrid é pioneiro no mundo do futebol na aplicação da tecnologia na área médica.

Como a IA pode ajudar o Real Madrid a evitar lesões?

Militão chora após lesão no jogo do Real Madrid (Foto: Imago)
Militão chora após lesão no jogo do Real Madrid (Foto: Imago)

Os equipamentos utilizados pelos clubes para monitorar o condicionamento físico de seus jogadores são GPS, monitores de frequência cardíaca ou questionários personalizados para os jogadores. No caso dos merengues, a IA permite uma nova fonte de dados para alertar sobre o risco de lesão dos atletas.

Apesar do projeto levar de dois a três meses para ser totalmente aplicado, o departamento médico do Real Madrid coleta os dados médicos de cada jogador de maneira personalizada para emitir um alerta em caso de possível problema físico.

Isso acontece com base na diminuição de certos valores, aumento de metabólitos na urina ou sobrecarga de sprint em um atleta específico. A tecnologia consegue detectar tais alterações graças a duas novas métricas que auxiliam na detecção precoce de prováveis lesões.

BIA setorial

A BIA setorial permite analisar aspectos como resistência, velocidade de reação e ângulo de fase. Essa métrica é responsável por detectar fadiga muscular oculta, inflamações ou micro lesões que podem passar despercebidas pelos próprios jogadores.

A soma de todas essas informações permite que a inteligência artificial identifique até mesmo as menores alterações em músculos isquiotibiais (parte posterior da coxa), adutores e abdutores — cujo trio é responsável pela maioria dos problemas físicos ao longa da temporada.

Quando isso acontece, a ferramenta tecnológica envia um alerta de quando é aconselhável reduzir ou interromper as cargas de trabalho antes de uma lesão.

Metabolômica

A metabolômica identifica os metabólitos — que são pequenas moléculas de aminoácidos, lipídios, açúcares e vitaminas — presentes na urina e no sangue. Essa métrica fornece a impressão química do esforço — ou seja, o que acontece no corpo de cada atleta após os jogos ou treinamentos.

Assim como na BIA setorial, caso a inteligência artificial constate alterações nos valores dos jogadores para fora do habitual, um alerta é emitido. Nesse momento, os merengues podem dar descanso ao atleta ou limitar seu tempo de jogo para evitar problemas físicos.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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