Real Madrid estuda vender o nome do seu estádio
Um dos estádios mais tradicionais do mundo, o Santiago Bernabéu pode estar com os dias contados. Calma, ele não será posto abaixo. Mas o seu dono, o Real Madrid, estuda vender o nome do estádio como nova forma de gerar receitas. Essa é uma prática comum pelo mundo, com diversos estádios europeus, principalmente, tendo nomes de empresas. Mas acabar com um nome tão tradicional pode criar controvérsia.
A ideia surge poucos dias depois do clube anunciar o novo patrocinador da camisa, a empresa aérea Emirates, que substitui a Bwin na camisa dos blancos. O patrocínio é € 25 milhões anuais e o contrato é de cinco temporadas. A Emirates é a patrocinadora também do Arsenal, que inclusive dá nome ao estádio do clube em Londres. Pode seguir o mesmo caminho em Madri.
Há razões para o clube estar pensando nisso. Com as mudanças nas regras de imposto na Espanha, a chamada “Lei Beckham” acabou. A lei, apelidada com o nome do astro inglês, foi criada justamente quando o jogador foi contratado pelo Real Madrid. Durante cinco anos, os jogadores estrangeiros poderiam pagar impostos reduzidos, que chegavam a no máximo 25% do salário. Só que essa lei foi alterada em 2011, muito em função do grave estado da crise econômica no país. Nas novas regras definidas, os impostos para quem ganha acima de € 500 mil anuais são de 56%. Isso significa que contratar jogadores ficou mais difícil, porque será preciso gastar mais com salários. Então, é preciso de mais dinheiro.
Cristiano Ronaldo, por exemplo, é a maior estrela do Real Madrid, mas seu contrato foi assinado dentro da “Lei Beckham”. Agora, o astro quer um aumento e o Real Madrid terá que gastar muito mais, porque todos os contratos novos entram no novo sistema fiscal. Por isso o clube busca uma nova forma de arrecadar mais.
Na Alemanha, essa é uma prática muito comum. Quase todos os times venderam o nome dos seus estádios. Alguns, como o Allianz Arena, do Bayern Munique, já foram construídos com o nome vendido. Outros, como o Signal-Iduna Park, foi rebatizado para dar mais dinheiro ao clube – o nome antigo era estádio Westfalen.
A ideia é vender os chamados “naming rights” do estádio, mas manter “Santiago Bernabéu” no nome, pela tradição e pelo peso que carrega. O nome é de um ex-jogador e presidente do Real Madrid, uma lenda do clube. Além de ter sido atacante do time no início do século, é considerado o maior presidente da história do Real Madrid. Tirar o seu nome seria uma medida altamente impopular. Mas mantê-lo certamente dificulta muito para o patrocinador colocar o nome no estádio. É um dilema que o Real Madrid terá que lidar se quer mesmo ganhar dinheiro com isso.



