Espanha

Real Madrid é um time cada vez mais forte, enquanto Barcelona parece cada vez mais perdido

Se o primeiro El Clasico já foi duro para o Barcelona, o segundo foi anda pior. Nem tanto pelo placar. O pior foi mesmo ver a tamanha superioridade que o Real Madrid mostrou. Depois de perder em casa por 3 a 1, era preciso uma daquelas vitórias marcantes no Santiago Bernabéu pra arrancar a taça. Mas se ao menos viesse uma vitória, mesmo que não trouxesse a taça, já seria um alento. Só que nem assim. O Real Madrid foi melhor a partida toda e venceu com autoridade. Venceu por 2 a 0 e viu o rival sofrer muito mais, sem conseguir aproveitar as chances. Um jogo que, mais uma vez, evidenciou as diferenças entre os dois times. E parecem enormes no momento.

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Sem Cristiano Ronaldo, suspenso, o técnico Zinedine Zidane se deu ao luxo de nem colocar Casemiro em campo e levar a campo um time mais ofensivo. No meio, além de Mateo Kovacic,Luka Modric e Toni Kroos. No ataque, Lucas Vazquez, Marco Asensio e Karim Benzema. Isso mesmo: Gareth Bale também ficou fora da partida, assim como Isco. Com tamanha vantagem, foi possível trabalhar o time de um modo diferente.

No Barcelona, Gerard Deulofeu deixou o time. O técnico Erndesto Valverde entrou com três zagueiros: Javier Mascherano, Gerard Piqué e Samuel Umtiti. No meio, Sergi Roberto pela direita, Ivan Rakitic, Sergio Busquets, André Gomes e Jordi Alba como ala pela esquerda. Luis Suárez e Lionel Messi ficaram no ataque. Uma opção de formação que o técnico aproveitou para experimentar. Em campo, porém, não se viu muito diante de um rival que foi muito mais forte. Talvez o pior adversário possível: campeão europeu, ajeitado e que parece cada vez mais forte.

Como alguém que começava perdendo por 3 a 1, era importante começar fazendo um gol. Foi exatamente o que aconteceu, só que para o Real Madrid. Pouco antes dos quatro minutos, Marco Asensio recebeu e, da intermediária, soltou um chute forte, no alto e no ângulo: golaço. O goleiro Ter Stegen sequer se mexeu. Só olhou a bola beijar a rede, indefensável.

Com isso, o placar já era de 4 a 1 no agregado. E antes do primeiro tempo terminar, veio um outro golpe no time catalão. Em uma combinação de falhas defensivas do Barcelona, o Real Madrid avançou trocando passes, depois de uma bola mal afastada por Javier Mascherano e Marcelo, da esquerda, cruzou rasteiro para o meio. O zagueiro Samuel Umtiti pareceu estar dormindo e viu Karim Benzema se antecipar, dominar, e chutar de esquerda: 2 a 0, aos 39 minutos.

O segundo tempo teve uma leve mudança de panorama. O Real Madrid, controlando a partida, deu mais espaço ao Barcelona. Chamou o time catalão para o seu campo para tentar imprimir velocidade. O Barcelona, então, tratou de tentar criar. Aos sete minutos, Messi recebeu de Suárez, avançou dentro da área e tocou por cima de Navas. A bola bateu no travessão e não entrou.  Era só o primeiro dos lances que dava o indício que o time não teria muita sorte.

Os times passaram a fazer substituições. Depois de ter que tirar Piqué por lesão e colocar Semedo, logo aos cinco minutos do segundo tempo, Valverde colocou em campo  Deulofeu no lugar de André Gomes e, mais tarde, Lucas Digne no lugar de Jordi Alba. Zidane também mudou colocando Casemiro no lugar de Kovacic, Théo Hernandez no lugar de Asensio e Dani Ceballos no lugar de Toni Kroos. O técnico francês do Real Madrid aproveitou para dar rodagem a Hernández e Ceballos em um clássico já decidido.

O título já estava definido e o Barcelona jogava apenas pela honra. E pouco conseguia. Messi teve uma chance, chutou de fora da área, Navas defendeu e, no rebote, Suárez tocou de cabeça, mas a bola resvalou no pé da trave e saiu. Suárez daria um bom passe para Sergi Roberto, que, na cara do gol, tocou fraco e o goleiro Navas defendeu, fechando bem o ângulo.

O Real Madrid atacava eventualmente, com uma tranquilidade incomum nos clássicos nos últimos anos. Se antes o time merengue contra-ataca sabendo que não poderia desperdiçar chances diante de um Barcelona que era avassalador se tivesse espaço, dessa vez a situação é invertida. O Real Madrid parece muito confortável no seu modo de jogar, no ataque e na defesa, e faz o Barcelona sofrer, mesmo quando tem a bola.

Desde 2008 o Real Madrid não superava o Barcelona na posse de bola. Superou desta vez. Há um simbolismo aqui: o Barcelona parece não saber mais qual é a sua identidade, não consegue fazer o seu jogo de posse de bola incessante, nem a transição rápida e mortal com o trio MSN, e ainda apresenta falhas defensivas.

O título da Supercopa fica com o Real Madrid. A taça em si nem é a mais importante. Diante de uma superioridade tão grande, o que fica para o time de Zidane é que a equipe segue muito forte, talvez ainda mais forte que na temporada passada. Dani Ceballos mal começou a jogar e é habilidoso, criativo e dá opção do técnico jogar, como terminou a partida, em um 4-1-4-1. O otimismo é grande. O Real Madrid chega, mais uma vez, como um time para brigar por todos os títulos.

O Barcelona dá a sensação que não melhora e só piora. Não sabe como jogar, nem em termos de formação tática, nem em termos de estilo. A saída de Neymar poderia ser uma oportunidade para uma mudança no Barcelona. Essa oportunidade ainda não foi aproveitada. O Barcelona não consegue ser nem o que era na temporada passada – que já não foi suficiente para competir com o Real Madrid – e nem ser algo diferente.

Paulinho chegou, ainda nem jogou, mas só ele é pouco. O time precisa de mais reforços e ter um estilo. A pressão por contratações aumentará muito mais nos próximos dias, até o fechamento da janela. A diretoria blaugrana sabe: precisará contratar. Josep Maria Bartomeu, presidente do Barcelona, precisará agir. E rápido. É a sua cabeça que está sendo pedida pelos torcedores.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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