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Real Madrid criou muito e teve volume, só que não venceu a raça do Sporting de Gijón

Todo jogo de futebol tem os dois lados de uma moeda. E eles se acentuam ainda mais dependendo da grandeza dos times. Algo evidente ao apito final neste domingo no Estádio El Molinón. Retornando à primeira divisão, o Sporting de Gijón comemorou demais o 0 a 0 conquistado dentro de casa, arrancado em troca de muita raça e muito suor. Um sentimento que nem de longe foi compartilhado pelo Real Madrid. O poderio ofensivo dos merengues não foi suficiente para criar um mísero gol sequer, mesmo com a equipe finalizando 25 vezes. Só ajudou a sustentar a péssima média de gols do Campeonato Espanhol nesta rodada inicial.

O Sporting de Gijón surpreendeu positivamente. Conteve o baile do Real nos primeiros minutos, para fazer uma etapa inicial jogando de igual para igual com o time da capital. Tanto que, por mais que os merengues ameaçassem mais em números, a melhor oportunidade foi dos rojiblancos. A finalização de Sanabria fez o travessão de Keylor Navas tremer. Já do outro lado, faltava pontaria e presença de área. Rafa Benítez escalou Jesé Rodríguez como falso 9, apostando na velocidade de Cristiano Ronaldo, Bale e Isco vindo de trás. Enquanto o português era quem mais arriscava, mas sem a qualidade que costuma ter, o galês também aparecia muito bem. Mas nada para exigir alguma defesa tão difícil do goleiro Pichu Cuéllar.

Durante o segundo tempo, a disparidade aumentou bem mais. Sem o mesmo fôlego, o Sporting passou a se proteger mais na defesa. Só que não dava espaços para o Real Madrid criar oportunidades claras, por mais que Kroos e Modric ditassem o ritmo no meio-campo. Kovacic e James Rodríguez saíram do banco, mas pouco ajudaram. No final, quem se consagrou mesmo foi Cuéllar, que voou para espalmar uma bomba de Cristiano Ronaldo que tinha endereço certo. Defesa fundamental para segurar o 0 a 0.

O Real Madrid, no momento, é um time em reconstrução. Por mais que a base do elenco permaneça a mesma, a diretoria optou por uma nova filosofia com a demissão de Carlo Ancelotti. E as mudanças ficam evidentes sobretudo nas escolhas para o ataque, ainda que Benzema seja um desfalque considerável. O ímpeto ofensivo permanece, mas os merengues precisam saber controlá-lo mais e se aproximar mais da meta adversária. Não adiantou criar oportunidades aos montes, se poucas dela realmente levaram perigo ao Sporting de Gijón.

No mais, o que impressiona nesta primeira rodada do Campeonato Espanhol é a baixíssima média de gols. Nos sete primeiros jogos, só três vezes as redes balançaram, e dois tentos vieram em bolas paradas. Os goleiros, é claro, tem feito muito bem a sua parte, com vários destaques na posição: Oblak, Toño, Iraizoz e o próprio Cuéllar podem ser citados. Mas também dava para os ataques fazerem mais. E o Real Madrid é a maior prova. Da expectativa de golear, já terá que lidar com estes dois primeiros pontos perdidos, o que sempre custa na disputa particular com o Barcelona.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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